Líderes evangélicos chamam de “blasfêmia” postagem de Trump retratado como Jesus

Críticos chamaram imagem de blasfêmia; líderes influentes silenciaram e internautas citaram sinais do fim dos tempos.

Fonte: Guiame, com informações do Roys Report e Daily MailsAtualizado: terça-feira, 14 de abril de 2026 às 15:24
Post repercutido no Instagram após publicação de Trump ser apagada da Truth Social. (Captura de tela)
Post repercutido no Instagram após publicação de Trump ser apagada da Truth Social. (Captura de tela)

Uma postagem feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, provocou forte reação entre líderes evangélicos, ativistas e comentaristas cristãos nesta semana.

Trump compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece com aparência semelhante à de Jesus Cristo, curando um homem ferido e cercado por figuras supostamente angelicais.

A imagem, publicada na rede Truth Social e depois apagada, mostrava Trump vestido com túnica branca e manto vermelho, irradiando luz das mãos, em uma composição que muitos interpretaram como uma representação messiânica.

Postagem de Trump, antes de ser apagada da Truth Social. (Captura de tela)

O caso rapidamente gerou acusações de irreverência e blasfêmia entre apoiadores conservadores e líderes religiosos.

“Vocês imediatamente viram uma reação bem negativa de muitos cristãos bastante conservadores que geralmente são muito alinhados com Trump”, escreveu um comentarista político da Reuters sobre a postagem.

No contexto cristão, blasfêmia é entendida como profanar, insultar ou atribuir indevidamente honra divina ao que não é Deus.

Para diversos críticos, a publicação ultrapassou os limites do humor político e tocou em símbolos sagrados da fé cristã.

O pastor Tony Suarez, fundador da Revivalmakers Ministries e que já atuou como conselheiro de Trump, declarou que a imagem “foi decepcionante” e que “precisava ser retirada imediatamente”.

Joel C. Rosenberg, editor do All Israel News, comentou em seu perfil no X: “Isso foi um erro muito grave – há muita coisa que o presidente está fazendo corretamente, mas este foi um terrível erro de julgamento.”

O cantor e evangelista Sean Feucht escreveu em suas redes sociais:

“Isso deveria ser apagado imediatamente. Não há nenhum contexto em que isso seja aceitável.”

Carol M. Swain, escritora e comentarista política cristã, criticou duramente Donald Trump pela postagem de tom messiânico e afirmou que ações têm consequências.

“Deus não divide a Sua glória com ninguém. A Bíblia é clara: ‘O temor do Senhor é o princípio da sabedoria’”.

Ela citou o caso do rei Herodes Agripa I, em Atos 12:21–23, para alertar sobre os perigos da exaltação humana indevida:

“No dia determinado, Herodes, vestindo suas roupas reais, sentou-se no trono e dirigiu um discurso público ao povo. Eles gritavam: ‘É a voz de um deus, e não de um homem!’

Imediatamente, porque Herodes não deu glória a Deus, um anjo do Senhor o feriu; ele foi comido por vermes e morreu.”

Ao concluir, ela afirmou: “Devemos ter cuidado quando alguém – até mesmo um conselheiro espiritual – compara um presidente a Cristo, como foi feito durante a temporada da Páscoa. Esse tipo de comparação não é sábio.”

“Fim dos tempos”

Além da acusação de blasfêmia, outro detalhe da postagem chamou atenção e provocou debates nas redes sociais.

Espectadores disseram ter identificado, acima da cena principal, uma figura escura que lembraria um ser alado com três chifres.

A suposta imagem foi rapidamente associada por alguns usuários a símbolos proféticos e passagens apocalípticas da Bíblia.

Segundo comentários repercutidos pelo Daily Mail, internautas compararam o elemento visual ao capítulo 7 do livro de Daniel, que descreve visões de reinos e de um governante arrogante representado por um chifre que se exalta e afronta o Altíssimo.

Para muitos, a coincidência reforçou interpretações espirituais e advertências sobre engano religioso, poder político e os chamados sinais do fim dos tempos.

Eleitores evangélicos

A repercussão chamou atenção porque parte significativa do eleitorado evangélico americano segue sendo uma base importante de apoio político de Trump.

Ainda assim, o episódio revelou que, para muitos cristãos conservadores, existe uma linha sensível quando figuras públicas se associam diretamente à imagem de Cristo.

A comentarista conservadora Megan Basham deixou isso claro, ao classificar o A comentarista conservadora Megan Basham também deixou isso claro ao classificar o conteúdo como inadequado e ofensivo.

“Não sei se o presidente achou que estava sendo engraçado ou se está sob a influência de alguma substância, ou qual possível explicação ele poderia ter para essa blasfêmia ABSURDA. Mas ele precisa apagar isso imediatamente e pedir perdão ao povo americano e, depois, a Deus.

Ela se juntou a outros nomes ligados à direita cristã que também se manifestaram em tom semelhante contra a publicação.

Publicação removida

Após a reação negativa, a publicação foi removida.

Questionado por jornalistas, Trump alegou que pensou se tratar da imagem de um médico ou socorrista, e não de uma representação de Jesus. A explicação, porém, não convenceu parte dos críticos religiosos.

O episódio reacendeu um debate frequente entre líderes cristãos nos EUA: até que ponto a fé pode ser usada como ferramenta política sem cair em idolatria, culto à personalidade ou banalização do sagrado.

Silêncio e opiniões divididas

Apesar da polêmica, nomes relevantes do meio evangélico dos EUA, como Franklin Graham –  em 2025 enviou uma carta para Trump o incentivando a aceitar Jesus – Robert Jeffress, pastor sênior da Primeira Igreja Batista de Dallas, e Paula White-Cain, não se manifestaram publicamente sobre o episódio até o momento.

A televangelista White-Cain é conselheira espiritual de longa data do presidente e lidera o Escritório de Fé na Casa Branca.

O silêncio também foi notado por observadores religiosos e reforçou a percepção de que a postagem de Trump dividiu líderes cristãos no país.

Após a forte repercussão negativa, Trump tentou explicar a publicação:

“Eu publiquei, sim, e achei que era eu como um médico, e que tinha a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha ali, que nós apoiamos… A ideia era ser eu como um médico, ajudando as pessoas a ficarem melhores.”

Para muitos pastores, porém, comparar qualquer líder humano a Jesus Cristo não apenas distorce o Evangelho, mas fere o princípio central da fé cristã: somente Cristo ocupa esse lugar.

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