Mais de 160 igrejas foram destruídas ou transformadas em quartéis na guerra no Sudão

Grupos armados saquearam e confiscaram templos. Algumas igrejas foram transformadas em bases militares e depósitos de armas.

Fonte: Guiame, com informações de CBN NewsAtualizado: quarta-feira, 10 de junho de 2026 às 19:02
Templos foram destruídos durante a guerra no Sudão. (Foto: Reprodução/CBN News).
Templos foram destruídos durante a guerra no Sudão. (Foto: Reprodução/CBN News).

O conflito entre o exército e as forças rebeldes no Sudão causaram a pior crise humanitária dos últimos anos.

Entre 60 mil e 400 mil pessoas já foram mortas desde o início da guerra civil. Além disso, entre 12 milhões e 14 milhões de pessoas foram obrigadas a fugir da violência e estão deslocadas.

O conflito ainda intensificou a fome e o colapso econômico. Cerca de 20 milhões de sudaneses enfrentam fome severa.

A guerra causou sofrimento principalmente na população civil. Entre os grupos mais vulneráveis estão os cristãos, junto com mulheres e crianças — frequentemente alvo de ataques sexuais violentos ou recrutadas como crianças-soldado.

"Cristãos no meio dessa volatilidade costumam ser os últimos na fila", explicou Ryan Brown, CEO da Portas Abertas dos Estados Unidos.

"Se houver algum tipo de ajuda a ser disponibilizada, muito raramente ela seria fornecida aos cristãos. Se houver algum tipo de refúgio seguro que está sendo concedido contra toda a violência, cristãos muitas vezes não são bem-vindos”.

O Sudão ocupa o 4° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas de países mais difíceis para ser cristão. Segundo a missão, os ataques aos crentes no país aumentaram durante o conflito. 

"Historicamente, a perseguição se concentrava nas áreas rurais. Isso não é mais o caso. Hoje é muito comum por todo o país, incluindo áreas urbanas que antes serviam como refúgios seguros para cristãos”, observou Brown.

Igrejas saqueadas e confiscadas

Mais de 160 igrejas foram danificadas ou destruídas desde o início da guerra, de acordo com o Departamento de Estado dos EUA.

Templos foram saqueadas, confiscadas ou transformadas em quartéis militares e depósitos de armas por grupos armados.

Na capital Cartum, combatentes do grupo paramilitar RSF (Forças de Apoio Rápido) invadiram a Igreja dos Mártires durante uma reunião de oração e agrediram os cristãos presentes.

"Eles quebraram as portas e começaram a bater em todo mundo lá dentro", disse Safein Nazer, um diácono da igreja, à CBN News.

O líder disse que os combatentes roubaram objetos de valor, cavaram túmulos no cemitério da congregação em busca de ouro e tentaram sequestrar as meninas que viviam no orfanato da igreja, algumas com apenas 11 anos de idade.

“Eu os confrontei. Um deles me acertou pelas costas e atirou na minha perna”, relatou."Eles exigiram um dos nossos veículos porque queriam levar as órfãs. Graças a Deus o carro não ligou e não puderam levar as meninas”.

Nazer testemunhou que sua fé foi fortalecida em meio às dificuldades: "Deus estava presente em meio à guerra e ao sofrimento. Ele fortaleceu nossa fé”.

Perseguição no Sudão

Segundo a CBN News, tanto o exército sudanês quanto as forças das RSF foram acusados de atacar igrejas e apreender propriedades religiosas.

A crise humanitária no Sudão é resultado do golpe militar de 2021 e da guerra civil iniciada em 2023, conforme a Portas Abertas.

Desde então, o governo restabeleceu líderes opressores, retomou políticas cruéis de “moralidade” e tem utilizado leis islâmicas para justificar conversões forçadas e punições físicas. Como consequência, isso anulou os avanços na liberdade religiosa conquistados após a queda do regime opressivo de al-Bashir em 2021. 

O conflito também deixou um vazio de poder, que tem sido aproveitado por milícias dos dois lados, que perseguem cristãos sem medo de punição. 

Igrejas já foram bombardeadas, invadidas e até usadas como base por grupos armados. Além disso, cristãos sofrem forte discriminação na Justiça, no trabalho e nas escolas.

Convertidos do islamismo vivem com medo o tempo todo, enfrentando isolamento, violência e até rejeição da própria família. 

Igrejas também têm sido fechadas à força, impedidas de se registrar e até destruídas. Além disso, líderes religiosos e cristãos estrangeiros têm sido presos injustamente com cada vez mais frequência em meio ao conflito.

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