
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou de uma cerimônia em memória das vítimas do Holocausto no último domingo (25), e afirmou que o estado tem adotado medidas de combate ao antissemitismo.
Desde que foi eleito, Tarcísio já compareceu três vezes à cerimônia, considerada um marco simbólico no calendário da comunidade judaica. O evento ocorreu em uma sinagoga no bairro da Consolação, região central de São Paulo.
Também estiveram presentes autoridades como o ex-prefeito da capital Gilberto Kassab, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer e o secretário municipal da Justiça, André Lemos, representando o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
“Ainda tem gente que, nos dias de hoje, insiste em negar o Holocausto. A gente não pode permitir isso”, disse Tarcísio no evento.
SP contra o antissemitismo
Falando sobre o antissemitismo, o governador destacou ações do estado no combate ao antissemitismo, como a oferta de segurança à comunidade judaica.
“A primeira delas foi a adesão de São Paulo à definição de antissemitismo pela IHRA. A gente vai professar isso, transformar isso em realidade, em ações concretas”, relatou ele.
E continuou: “Depois do 7 de outubro de 2023 [ataque do Hamas a Israel], a gente se reuniu com a comunidade judaica para oferecer suporte, para oferecer segurança em todas as ocasiões, em todas as instalações judaicas, nas sinagogas, nas escolas. Inclusive, estendendo isso ao cônsul de Israel aqui em São Paulo”.
“A gente repudia o antissemitismo. A comunidade judaica é muito bem-vinda. Somos um país que abraça, que agrega”, acrescentou.
A definição de antissemitismo adotada pelo estado de São Paulo segue a Aliança Internacional para a Recordação do Holocausto (IHRA):
“O antissemitismo é uma determinada percepção dos judeus, que se pode exprimir como ódio em relação aos judeus. Manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são orientados contra indivíduos judeus e não judeus e/ou contra os seus bens, contra as instituições comunitárias e as instalações religiosas judaicas”.
Homenagem às vitimas do Holocausto
Em referência ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a cerimônia foi organizada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), pela Congregação Israelita Paulista (CIP) e pela ONG StandWithUs Brasil.
A cerimônia homenageou os seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, além de todas as demais vítimas do genocídio liderado por Adolf Hitler.
Durante o ato, seis velas foram acesas por sobreviventes, autoridades políticas, líderes religiosos, representantes institucionais e jovens. Também foram exibidas gravuras da artista e sobrevivente do Holocausto Ruth Tarasantchi.
A programação incluiu ainda a exibição de um teaser do documentário “Soul on Fire”, sobre a vida do judeu Elie Wiesel (1928–2016), sobrevivente do Holocausto e ganhador do Prêmio Nobel da Paz na década de 1980.
Na ocasião, a presidente da Fisesp, Célia Parnes, alertou para os riscos da banalização do discurso de ódio.
“O Holocausto não começou quando as sinagogas foram incendiadas, começou quando as ideias mais extremas começaram a circular com aparência de normalidade. A violência começa sempre simbólica e testa os limites da reação social. Negar a história é preparar o terreno para que ela se repita. O povo judeu sabe como poucos que a história cobra um preço alto quando o mundo se cala”, disse ela.
Já para Ben Wohlauer, cônsul-geral adjunto dos Estados Unidos, declarou que “o antissionismo é uma forma de antissemitismo. Israel é como uma apólice de seguro ao povo judeu”.
Por fim, Cláudio Lottenberg, representante da Conib, falou sobre o cenário global atual:
“O extremismo contemporâneo não é movido pelos valores. Infelizmente, é movido pelo poder econômico; pelo dinheiro, de forma objetiva. Israel legitimamente se defende de organizações terroristas”.
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