Novo acordo nuclear iraniano desperta temores de guerra atômica

Críticos alertam que existe possibilidade de abrir ainda mais o caminho para uma bomba atômica.

Fonte: Guiame, com informações de CBN News e UOLAtualizado: terça-feira, 8 de março de 2022 15:35
Instalação de usina nuclear de Natanz, no Irã. (Foto: Wikimedia Commons)
Instalação de usina nuclear de Natanz, no Irã. (Foto: Wikimedia Commons)

Enquanto acontece a guerra na Ucrânia, Rússia e Estados Unidos tentam estabelecer um diálogo para relançar o acordo nuclear iraniano, que está próximo de ser assinado, mas os críticos temem que esta versão seja pior que a original. 

No sábado (5), Moscou pediu garantias a Washington de que as sanções ocidentais que visam a Rússia não abalarão a cooperação do país com Teerã, conforme o Uol. 

“Nós pedimos aos nossos colegas americanos garantias escritas de que as sanções não afetarão o nosso direito a uma livre e completa cooperação comercial, econômica, de investimentos e técnico-militar com o Irã”, explicou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em uma coletiva de imprensa. 

Segundo ele, existe um esforço dos países envolvidos no acordo para salvar o tratado firmado em 2015. Vale lembrar que o compromisso encontra-se paralisado desde 2018, quando o ex-presidente Donald Trump retirou os EUA do acerto e restabeleceu sanções contra o Irã. 

Sobre o acordo nuclear

Em 2015, um grupo de potências internacionais (Reino Unido, França, China, Rússia, Alemanha e Estados Unidos), liderado pelos EUA, firmaram um acordo nuclear com o Irã, sob a promessa de encerrar sanções, visando proibir que o país desenvolvesse uma bomba nuclear.

Bilhões de dólares de bens congelados de iranianos foram liberados em troca do desmantelamento de seu programa para criação de armas atômicas. 

Em 2018, os Estados Unidos saíram do acordo. Trump alegou que o Irã não seguiu as regras, por isso voltou a endurecer as sanções americanas, adotando uma política de pressão máxima contra Teerã.

Joe Biden, por sua vez, prometeu voltar ao acordo, mas com a condição de que Teerã volte a cumprir as cláusulas. Em resposta, o Irã exigiu que o governo Biden desse o primeiro passo e suspendesse as sanções. Mas, até agora, isso não aconteceu.

Recentemente, o correspondente da RFI (Rádio França Internacional/France 24) em Teerã, Siavosh Ghazi, informou que a visita de Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA Agência Internacional de Energia Atômica), visa pedir explicações sobre quatro locais não declarados por Teerã, nos quais foi encontrado urânio enriquecido. Grassi espera que as respostas do governo iraniano “facilite as negociações”.

O novo acordo de 2022 pode fornecer bilhões em alívio de sanções ao Irã

“Não há restrições neste acordo sobre como esse dinheiro pode ser gasto e fornecido aos representantes do Irã. Então, podemos esperar que muito vai para o Hezbollah, Hamas, os Houthis”, disse o ex-assessor do Departamento de Estado para o Irã, Gabriel Noronha, ao se referir aos grupos terroristas.

“Então vamos realmente ver nos próximos anos uma rápida proliferação de atividades terroristas. Veremos mais atividades desestabilizadoras e veremos a influência e o poder do Irã crescer na região”, ele observou. 

Segundo o ex-assessor, esse poder representa uma ameaça existencial a Israel.  “Deixe-me ser claro: Israel não aceitará o Irã como um estado-limite nuclear. Temos uma linha vermelha clara e inegociável; Israel sempre manterá sua liberdade de ação para se defender”, continuou.

A promessa de Israel de se defender junto com a ambição nuclear do Irã coloca esses dois inimigos em rota de colisão para uma possível guerra.

Como o Irã desrespeitou as regras do acordo?

O acordo estabelece o limite de estoque de urânio enriquecido que o Irã pode manter. O país, porém, sempre armazenou muito mais do que poderia. 

O acordo também limita a pureza até a qual o Irã pode refinar urânio em 3,67%, muito abaixo dos 20% atingidos antes do acordo. Até fevereiro de 2021, o nível de enriquecimento permaneceu estável em 4,5% conforme as alegações iranianas. 

O pacto permite ao Irã produzir urânio enriquecido usando cerca de 5 mil centrífugas avançadas (IR-1 de primeira geração) na instalação nuclear subterrânea de Natanz. 

O país já tinha cerca de 19 mil centrífugas instaladas antes do acordo. Vale ressaltar que a instalação nuclear subterrânea tem capacidade para armazenar 50 mil delas. 

‘As negociações abrem caminho para um Irã nuclear’

“Estamos profundamente preocupados com o que vemos”, disse o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett. 

Para Israel e todas as forças que buscam estabilidade no Oriente Médio, o acordo emergente, como parece, provavelmente criará um Oriente Médio mais violento e volátil”, avisou.

“Eles disseram que iam conseguir um acordo mais longo e mais forte. Esse acordo será mais curto e mais fraco”, disse Gabriel Noronha.

Ele também disse que se preocupa com as concessões que estão sendo feitas pelas equipes de negociação e que “abrem caminho para um Irã nuclear”. 

“O povo americano precisa entender que esse acordo é ilegal e também perigoso para a segurança nacional dos EUA. É perigoso para a segurança regional e global, tanto no curto quanto no longo prazo”, continuou Noronha. 

Enquanto isso, a Rússia só se preocupa em pedir garantias por escrito de que as sanções de sua guerra contra a Ucrânia não vão impedir seu comércio com o Irã. 

O que a Bíblia diz sobre as guerras

De acordo com a Bíblia, “guerras, rumores de guerras e rebeliões” devem acontecer antes da segunda vinda de Cristo, conforme os textos de Mateus 24.6 e Lucas 21.9. São sinais do fim dos tempos, mas conforme o alerta de Jesus: “Ainda não é o fim”. 

A rivalidade entre as nações e reinos se dá pelos mais diversos motivos: disputa por territórios e terras, diferenças étnicas, religiosas, econômicas e culturais, ideologias e até por posse de recursos como água e minérios. 

A história humana é marcada por conflitos, e raríssimos foram os anos nos quais nenhuma guerra aconteceu no planeta. O século 20, por exemplo, ficou marcado por confrontos em diferentes partes do mundo, sendo que alguns deles foram extremamente traumáticos e marcantes. Entre eles, as duas Guerras Mundiais.

Agora, em pleno século 21, as pessoas se perguntam se a situação pode ser pior que no século passado. Ao que tudo indica, as guerras estão cada vez mais frequentes e as notícias de guerras não param de chegar. A guerra na Ucrânia é a mais atual delas, despertando até mesmo temores sobre uma Terceira Guerra Mundial. 

“Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares. Tudo isso será o início das dores.” (Mateus 24.7,8)

“E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” (Mateus 24.14)

Siga-nos

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições