Texto de quase 2 mil anos sobre ressurreição de Jesus é analisado em novo estudo

Pesquisador comparou versões antigas de um texto de Flávio Josefo que menciona Jesus e seu aparecimento aos discípulos após a crucificação.

Fonte: Guiame, com informações do Daily MailAtualizado: terça-feira, 3 de novembro de 2026 às 16:40
O Testimonium Flavianum é uma passagem sobre Jesus presente na obra Antiguidades Judaicas, escrita pelo historiador judeu Flávio Josefo por volta dos anos 93 e 94 d.C. (Foto: Reprodução/Oxford University)
O Testimonium Flavianum é uma passagem sobre Jesus presente na obra Antiguidades Judaicas, escrita pelo historiador judeu Flávio Josefo por volta dos anos 93 e 94 d.C. (Foto: Reprodução/Oxford University)

Uma nova análise de documentos históricos reacendeu o debate sobre um antigo relato da ressurreição de Jesus, atribuído ao historiador judeu Flávio Josefo, que viveu no primeiro século e não era cristão.

A pesquisa não tem como objetivo negar ou comprovar a ressurreição de Jesus, mas investiga se Flávio Josefo registrou os testemunhos dos primeiros cristãos de que Cristo havia aparecido vivo após a crucificação.

O pesquisador espanhol Jesús Fernández-Pedrera Correa examinou diferentes versões de uma passagem conhecida como Testimonium Flavianum, presente na obra Antiguidades Judaicas, escrita por Josefo por volta dos anos 93 e 94 d.C.

Conforme esclareceu o portal católico Aleteia, o estudo não se baseia na descoberta de um novo manuscrito ou documento inédito, mas na comparação de quatro versões já conhecidas de uma passagem histórica debatida por estudiosos há mais de um século. A pesquisa foi divulgada como pré-publicação e ainda não passou por revisão por pares.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, o estudo comparou textos preservados em grego, latim, árabe e siríaco, buscando identificar quais informações poderiam fazer parte do relato original do historiador.

A passagem menciona a vida de Jesus, sua crucificação e seu aparecimento aos seguidores após a morte. Na versão grega preservada, o texto afirma que Jesus apareceu vivo novamente no terceiro dia, conforme anunciado pelos profetas.

O pesquisador considera possível que Josefo tenha registrado relatos dos primeiros seguidores de Cristo sobre a ressurreição, embora não seja possível determinar com certeza as palavras originalmente utilizadas pelo historiador.

Diferenças entre os textos antigos

A pesquisa identificou diferenças importantes entre as versões preservadas ao longo dos séculos.

Enquanto o texto grego apresenta o aparecimento de Jesus após a crucificação como um acontecimento, a versão árabe atribui essa informação aos discípulos, indicando que eles relataram tê-lo visto vivo três dias depois.

Para Fernández-Pedrera Correa, essa formulação pode estar mais próxima do registro original de Josefo, que teria documentado o testemunho dos seguidores de Jesus sem necessariamente declarar sua própria crença na ressurreição.

Outra diferença envolve a identificação de Jesus como Messias.

Na versão grega, a passagem afirma diretamente que Jesus era o Cristo. Já as versões latina, siríaca e árabe apresentam expressões mais cautelosas, indicando que ele era considerado ou reconhecido por alguns como Messias.

Segundo o pesquisador, essas diferenças levantam a possibilidade de que copistas cristãos tenham modificado determinadas expressões durante a transmissão do documento, tornando o relato mais próximo das declarações de fé cristãs.

O estudo também considera uma observação de Orígenes, escritor cristão do terceiro século, segundo a qual Josefo não reconhecia Jesus como o Cristo.

Relato histórico continua sendo investigado

O Testimonium Flavianum é objeto de discussões acadêmicas há décadas. Parte dos especialistas considera que Josefo escreveu originalmente sobre Jesus, mas que determinadas passagens receberam acréscimos posteriores.

Outros pesquisadores defendem uma autenticidade mais ampla do texto.

Em 2025, por exemplo, o estudioso T. C. Schmidt publicou o livro Josephus and Jesus: New Evidence for the One Called Christ, pela Oxford University Press, apresentando argumentos linguísticos e históricos em favor da autenticidade substancial da passagem.

A nova pesquisa de Fernández-Pedrera Correa, divulgada como estudo preliminar e ainda não submetida à revisão por pares, não apresenta a descoberta de um manuscrito desconhecido.

Na realidade, o trabalho reexamina versões já conhecidas do texto. A tradição latina analisada remonta ao final do século IV, enquanto os relatos em árabe e siríaco foram preservados em obras dos séculos X e XII, respectivamente.

Como nenhum manuscrito original da época de Josefo sobreviveu, os pesquisadores dependem dessas transmissões posteriores para investigar o conteúdo da obra.

Embora a análise não comprove historicamente a ressurreição de Jesus, ela contribui para o debate sobre como o acontecimento era relatado e transmitido nos primeiros séculos do cristianismo.

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