Transexual terá que depor na polícia, por causa de performance com cruz na Parada Gay

A medida seria resultante de uma representação movida pela Associação das Igrejas Evangélicas de São Paulo junto ao Ministério Público do Estado do estado (MP-SP), no ano passado

Fonte: Guiame, com informações do G1Atualizado: quarta-feira, 15 de junho de 2016 16:24
O transexual chegou a criticar a intimação em um post de sua página das mídias sociais. (Foto: Facebook)
O transexual chegou a criticar a intimação em um post de sua página das mídias sociais. (Foto: Facebook)

Após ter se apresentado 'crucificado' na parada gay de 2015 e 'enforcado' por uma Bíblia na manifestação de 2016, o transexual Viviany Beleboni, de 27 anos, foi oficialmente intimado nesta terça-feira (14), a prestar esclarecimentos no 78º Distrito Policial de São Paulo.

Ao que tudo indica, a intimação se refere somente à performance de 2015, considerando que a medida seria resultante de uma representação movida pela Associação das Igrejas Evangélicas de São Paulo junto ao Ministério Público do Estado do estado (MP-SP), no ano passado. As informações foram confirmadas pela advogada de Viviany, Cristiane Leandro de Novais.

Segundo o Ministério Público de SP, na representação consta que Viviany violou o artigo 208 do Código Penal e está sendo acusada de ultraje, impedimento ou perturbação de culto religioso, como prevê o texto da lei.

A intimação aponta que Viviany deve prestar depoimento à polícia no próximo dia 21 de junho.

Segundo a advogada do transexual, se o relato dado pela atriz provar-se suficiente para as autoridades, o caso pode ser arquivado. Porém se o MP considerar que o caso ainda não foi esclarecido, a apuração seguirá em vigor e pode exigir novos depoimentos da atriz ou de outras pessoas.

"Não houve ato criminoso, nao houve escárnio, nao houve repúdio a atos religiosos, houve encenação onde ela manifestou em uma representação, as mortes e a violência contra o movimento LGBT", afirmou Cristiane.

O transexual chegou a criticar a intimação em um post de sua página do Facebook.

"Se vocês acham, vou repetir de novo, acham, pensam, que vão me calar, estão perdendo o tempo de vocês. Lutarei até o fim por democracia, que não existe nesse país", escreveu.

Viviany Beleboni. (Foto: G1)

A notícia foi comentada pelo escritor e pesquisador cristão Claudemiro Ferreira, que tem estudado os distúrbios gerados pela homossexualidade há mais de 20 anos.

Ex-gay, Claudemiro classificouo a intimimação como uma prova de que os brasileiros estão reagindo ao 'nazismo gay'.

"Acabou a farra de 'ativistas' que se utilizam de táticas propagandistas similares às utilizadas pelos nazistas! Os cristãos brasileiros não aceitarão 'caladinhos' o NAZISMO GAY, ainda que travestido de ideologia LGBT! Todos precisam ficar cientes de que "Gayzismo = ideologia gay + táticas nazistas". Isso não tem NADA a ver com a defesa dos direitos humanos de homossexuais! Quer salvar vidas de gays, lésbicas, bissexuais e travestis? Ajude a banir a ideologia LGBT! O ativismo LGBT é a maior e mais perversa expressão de ódio pelos homossexuais!", destacou.


Processos na Justiça
Viviany está tentando processar diversos parlamentares evangélicos, como Marco Feliciano (PSC - SP) e Magno Malta, acusando-os de "disseminar discurso de ódio" contra ela.

No ano passado, o transexual também abriu um processo contra o próprio Facebook, exigindo que a mídia social identificasse os usuários que, após o desfile, "publicaram montagens de fotos dela em meio a imagens de sexo explicíto". No total, os processos movidos por Viviany somam R$ 800 mil em indenizações, mas até agora, uma das ações já foi negada por dois juízes.

 

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