Cortando o próprio galho: Sobre a confiança absoluta na Palavra (absoluta) de Deus

Cortando o próprio galho: Sobre a confiança absoluta na Palavra (absoluta) de Deus

Atualizado: Quarta-feira, 15 Setembro de 2010 as 11:10

Não temos outro ponto de sustentação para nossa fé senão a Palavra de Deus. Escrita por profetas e apóstolos inspirados pelo Espírito Santo ela é o alicerce palpável e visível do que cremos. Uma única verdade manifesta na doutrina neotestamentária.

Quando o Senhor me levou a conhecer a doutrina da graça também ensinou-me a provar a palavra pregada: Agrada ao homem caído? Então desagrada a Deus.

Isso não serve para qualquer um. Não é aceitável aos semipelagianos, aos pregadores da teologia relacional ou liberais. É compreensível apenas aqueles que foram convencidos pela doutrina da graça, o verdadeiro evangelho de nosso Senhor.

Veja. Não estou em hipótese alguma afirmando que a palavra quando pregada deve ser amarga ou preparada com tamanho desgosto que torne impossível ao homem natural ouvi-la. Também não afirmo que ela deve ser melada com doce mundano para que possa ser devorada por pessoas carnais.
Estou dizendo que a Palavra verdadeira, uma lúcida exposição da doutrina, não importando a maneira que ela chegue ao ouvido da mente caída, sem interferência do Espírito Santo será sempre rejeitada pois essa é a natureza do homem.

A verdade implícita na pregação pós-moderna é de que para que o homem carnal aceite a palavra de Deus necessário é que ela seja parcial. Necessário é que seja comprometida, não com Deus, mas com o homem. O papel de Deus é de mero coadjuvante numa trama escrita por homens. Para escrever esta história algumas técnicas básicas para produção são empregadas:

1. PALAVRA DE DEUS COMO APOIO E NÃO FUNDAMENTO: a Palavra de Deus (Bíblia), o livro sagrado, torna-se uma coletânea de exemplos morais e experiências pessoais que servem como pano de fundo para novos enredos. Nesses novos enredos são produzidas histórias com algum "sentido" para o homem.

2. PREGAÇÃO COMPROMETIDA COM O HOMEM: as pregações tornam-se relevantes ao homem não naquilo que ele precisa, mas naquilo que ele quer. O homem precisa de Deus mas não deseja arrepender-se. Prega-se um Deus sem o arrependimento, um caminho fácil de se percorrer e um evangelho desfigurado. Enfim, procura-se agradar ao homem. Ele sai satisfeito, sem compromisso, não ofendido pelo evangelho e volta no próximo final de semana.

3. VERDADE RELATIVA: quando a Palavra de Deus é relativizada ela perde seu poder. Exposta parcialmente ela não tem poder de transformar o homem. Como subterfúgio cria-se uma vasta literatura de apoio que parece preencher as "lacunas" deixadas pela Palavra de Deus. Na verdade, são band-aids sobre um tórax aberto. A Palavra deixa de ser uma verdade para ser muitas verdades dependendo do ponto de vista do homem.

4. QUESTIONAMENTO E NEGAÇÃO DA VERDADE:
costumo considerar esse erro como cortar o galho onde se está sentado. Semelhante a verdade parcial, é no entanto um passo adiante. Aqui não se encobre a doutrina para que ela não ofenda o homem, ela é sim deliberadamente expurgada para dar lugar a uma visão carnal da justiça e amor de Deus.

A Palavra que não confronta o homem lhe agrada. Ela entra em seu interior e não produz nada senão uma temporária sensação de satisfação. Ele se sente perdoado sem entender perdão. Sente-se amado quando na verdade teve apenas seu ego massageado. Iludido por uma sociedade que não lhe exige compromisso encontra nesse tipo de evangelho sua salvação. Ela não precisa ter uma aliança, ele não precisa dizer sim... ele apenas fica. Seu relacionamento é superficial. Ele nada tem a oferecer e não se importa de estar nessa situação. Sente-se bem. Isto basta.

Igrejas estão apinhadas de pessoas assim. Mentes carnais que encontraram na igreja um clube social. Elas não são confrontadas à mudança, a palavra que lhes chega aos ouvidos é insípida. Trata de assuntos tão triviais quanto qualquer programa de tv à cabo. São sempre os mesmos versículos distorcidos e tirados do seu contexto. São sempre as mesmas músicas antropocêntricas. São sempre os mesmos apelos para uma salvação temporária e para um perdão com prazo de validade.

Pregadores estão literalmente minando o único alicerce do Evangelho. Ao tornar a Palavra de Deus um livro que apenas pode ser "traduzido" por homens habéis em inventar histórias, destróem a própria fé. Cortam o galho onde estão sentados.

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