Neuza Itioka: "Estar salvo não significa que você não está debaixo de maldição"

Neuza Itioka: "Estar salvo não significa que você não está debaixo de maldição"

Atualizado: Terça-feira, 3 Agosto de 2010 as 1:27

Há mais de 40 anos envolvida com o trabalho missionário, Neuza Itioka iniciou seu ministério entre os estudantes universitários. Teóloga e doutora em missiologia pelo Seminário Teológico Fuller (Califórnia, E.U.A.), descobriu ainda na juventude a necessidade de interceder pela nação brasileira. Engajada, dedica-se à área de libertação, cura interior e batalha espiritual e é presidente do Ministério Ágape Reconciliação.

Autora de livros como "Os Deuses da Umbanda", "Restauração Sexual", "Libertando-se de Prisões Espirituais", "Cristo nos resgata de toda maldição", Neuza Itioka também coordena a Associação Transformação Brasil e pertence à Glory of Zion International sob o comando do Ap. Chuck Pierce e cobertura espiritual do Ap. Rony Chaves, por quem também foi ungida ao apostolado.

Em entrevista ao Guia-me, a missióloga falou sobre temas como cura interior, maldição hereditária e libertação; revelou o início de seu ministério; suas preocupações com a  Igreja brasileira; e expressou como considera possível a alguém que já aceitou Jesus, a necessidade de passar por um processo de libertação diária.

Guia-me: A Dra. possui um ministério de apoio há mais de 800 igrejas. Como nasceu o Ágape Reconciliação e qual o maior propósito dele?

Dra. Neuza Itioka: Eu estava trabalhando com estudantes universitários, de 1966 até 1976 eu viajei o Brasil inteiro. Trabalhava em um movimento chamado Aliança Bíblica Universitária. Viajei o Brasil inteiro para convidar os estudantes a terem grupos de estudo bíblico dentro das faculdades. Só que dentro de um grupo chamado ITA, em São José dos Campos, apareceu um rapaz em um grupo de mais ou menos oito pessoas que estudavam lá, que faziam escola bíblica e oravam. Naquele grupo apareceu um rapaz que dizia assim: "Neuza, tem alguma coisa estranha acontecendo comigo. Eu acabei de aceitar Jesus. Minha mente está cheia de palavrões e eu não sou de palavrão e fiquei tão angustiado que andei até caído no banheiro. Fui ler a Bíblia e lá só aparecem aqueles versículos que eu cometi pecados imperdoáveis". E eu pensei: Será que é o demônio? Mas eu nunca tinha encontrado uma pessoa endemoninhada até aquela ocasião. Aí eu comecei a orar por ele e aquele rapaz ficou todo torto e eu assustada. Ele falou: "Não, continua, continua, enquanto a senhora está orando eu me sinto aliviado". Aí levei o caso para meus colegas, eles disseram: "Não, isso é psicológico". Teve que vir um jovenzinho, novo na fée falar: "Não, isso daqui é demônio. Não é aqui que a gente sabe não [apontando a cabeça], a gente sabe é aqui [apontando o coração]". E realmente nós levamos seis meses para libertar esse rapaz.

Mas com isso eu comecei a ver como o Brasil estava debaixo de uma pressão tremenda do candomblé, da umbanda. Eu escrevi um livro chamado "Os deuses da umbanda". Naquela ocasião, eu percebi que o Brasil estava debaixo daquela maldição e que a Igreja brasileira tinha que enfrentar.

Ele era cardecista e quando aceitou Jesus os demônios escondidos começaram a aparecer. Mas esse homem se converteu, tornou-se professor do ITA e veio me ver há uns quatro anos, quando eu estava na igreja do ap. Maurício, em São José dos Campos. Eu fiquei tão feliz! Pude dizer para toda minha equipe: "Esse é o homem de quem eu falo". Graças a Deus1

Isso me levrou a estar interessada na situação que o baixo espiritismo trás. Que tipo de efeitos? Eu comecei a ver as pessoas amarradas, truncadas, que não se desenvolviam, isso no meio dos universitários.

Fui fazer minha pós-graduação nos Estados Unidos, peguei meu mestrado e fui fazer o doutorado em missiologia. Tive que fazer minha tese. Fui à Biblioteca onde guardavam as teses, vi muitas de misisonários americanos falando sobre o espiritismo, aquelas pesquisas estavam todas lá, escondidinhas. Ai eu falei: "Vai ficar aqui? O povo brasileiro precisa". Aí então eu fiz a minha tese em Português. O meu mentor havia passado 14 anos no Brasil, então ele sabia. Fiz um resumo em Inglês, mas a tese em Português. Aí então publiquei o livro, que penetrou todos os cantos. Foi por meio disso que eu decidi: "Quando eu chegar ao Brasil, eu vou ajudar a Igreja brasileira".

Então, eu não só faço palestras, faço seminários. Eu liberto as pessoas. Eu verifiquei que realmente esse povo aí precisa expulsar os demônios. E não somente expulsar os demônios, esse povo precisa de cura interior. Daí, se você começa a trabalhar com pessoas, você se envolve com família, família precisa de libertação, família precisa ser curada, você se vê numa cidade opressa também. Existem ambientes diferentes. Há cidades mais abertas para Deus, há cidades mais fechadas para Deus. Então, eu escrevi aquele livro chamado "Deus quer a sua cidade".

Assim é que eu desenvolvi o ministério. Hoje nós temos 500 alunos estudando aqui a cada semestre. Temos curso de libertadores, curso de intercessores, cura interior, curso profético, curso de libertação das crianças, de adoradores, e tudo isso é profético, no sentido de você não adorar por adorar, você ministra Deus. Nós temos o curso de estudo bíblico também.

Guia-me: No site, para a visão do ministério, consta: "Igreja curada, nação restaurada". Em sua opinião, antes da igreja partir para missões é necessário que ela esteja curada?

Dra. Neuza Itioka: Nós não podemos esperar até que a igreja esteja curada para depois começar a fazer missão (enfático). Não, tem que se fazer uma coisa simultânea, mas ter consciência de que a Igreja não está bem. Hoje o que acontece na Igreja evangélica? Falsos profetas, falsos apóstolos, falsos pastores, falsos membros, Jesus já havia falado isso: Olha, vai ter o joio e o trigo, vai haver bode, ovelha, e lobo com pele de ovelha. Isso ele já havia falado. Só que nós estamos vivendo o tempo de apostasia agora. Antes do homem do pecado iníquuo aparecer, a Palavra de Deus diz que haveria uma grande apostasia. E apostasia não é necessariamente a pessoa abandonar a fé, ir embora. A apostasia que está acontecendo aqui, para mim, é dentro da própria Igreja. Então, nós temos pessoas abandonando a genuína fé. Hoje o crente mente, o crente rouba, o crente corrompe. Religiosidade. A nossa esperança é que nesta Igreja, perdida na sua religiosidade, Deus tenha um povo genuíno, o remanescente fiel. E a gente tem andado com os remanescentes fiéis.

Guia-me: Se é necesário que a igreja esteja curada para que uma nação seja restaurada, qual o objetivo dos eventos que propõem intercessão de um dia, como conferências, para mudanças na cidade, na nação?

Dra. Neuza Itioka: No meio da igreja existe o povo curado. Você nunca vai alcançar toda a Igreja para ser curada ou todas as pessoas que dizem "eu sou da igreja". Irmã, o que a gente está vendo dentro da igreja hoje? Estamos vendo satanistas misturados. Estão aí para nos destruir, fazer sabotagem, uma série de coisas. Há um tempo atrás não havia isso, mas vivemos um tempo em que precisamos estar bem espertos.

Esses que estão curados vão fazer a diferença e sempre vai ser um povo pequeno, mas olha, eu louvo a Deus, porque estivemos agora com o Ministério de Transformaçãono Rio Grande do Sul, no Acre, e eu estou impressionada como este povo está. Como Deus está fazendo neste Brasil.

Guia-me: Em que sentido?

Dra. Neuza Itioka: No sentido de pastores que não se uniam e estão se unindo, pastores corajosamente tomando posição, dizendo:"Deus pode transformar a nossa cidade, então vamos orar, vamos tomar posição, vamos ungir, vamos confessar os pecados". Eu tenho ficado impressionada.

Por exemplo, hoje no Brasil, temos aproximadamente 300 cidades nas quais os prefeitos entregaram as chaves para Jesus.

Guia-me: Capitais?

Dra. Neuza Itioka: Várias. Capitais e interior também.

Guia-me: Como uma pessoa pode saber que é necessário passar por um processo de cura?

Dra. Neuza Itioka: Olha, por exemplo, uma pessoa extremamente ansiosa, que tem consciência que ninguém gosta dela, uma pessoa que se sente inferiorizada, sente muita culpa, vive com um senso de rejeição, pessoas que não têm autoestima ou têm baixa autoestima, que foram abusadas sexualmente. Esse é o assunto do momento, por causa da CPI da Pedofilia que está aí. Eu vou por exemplo para Vitória e eles me pediram para falar sobre restauração sexual e abuso sexual. É uma herança brasileira . Eu tenho um livro sobre restauração sexual.

Guia-me: Quando a senhora fala em libertação, está tratando com o crente, certo?

Dra. Neuza Itioka: Claro, nós não fazemos libertação dos descrentes. Porque você quebra aqui e amanhã ele está no centro de macumba para receber de novo. Agora, qual a base bíblica? Deixa eu falar uma coisa para você. Toda experiência do Velho Testamento é a experiência do Novo Testamento. A experiência do Velho Testamento da travessia do mar, a entrada na nova terra, Canaã, é uma figura da vida cristã. Você deixa o mundo e entra em uma nova situação, só que Moisés morreu e quem fez entrar? Josué. Josué significa salvador. Quando Josué entrou na terra, ela estava cheia de posseiros. Então, Josué chegou lá e disse: "Olha, eu tenho aqui um documento de propriedade, de direito de propriedade". Só que eles falaram: "Mas nós temos direito de posse". "Pois é, nós chegamos aqui com direito de propriedade, podem ir embora". Você está entendendo?

Ele mandou embora 31 nações, aquilo é uma figura de demônios que estavam dentro de nós. Quando nós aceitamos Jesus, eles não vão embora automaticamente.

Guia-me: Quando Jesus perdoa a mulher adúltera de seus pecados, mesmo assim ela não estava liberta?

Dra. Neuza Itioka: Não, algumas pessoas dizem que ela poderia ser aquela outra mulher da qual tiraram sete demônios. Então, são situações em que cada um tem que ver. O objetivo de Jesus estar lá era mostrar a todos que aqueles que queriam condenar a mulher eram tão pecadores quanto ela. Mas a necessidade de libertação continuou.

Guia-me: A Dra. aborda em seus seminários o tema maldição hereditária. As opiniões da Igreja a respeito do assunto são diferentes. Quem não crê que a maldição possa chegar aquele que aceitou Jesus, costuma citar como um dos textos bíblicos, a passagem de Romanos 10:9 - "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo". Como a senhora interpreta esse texto? O fato de você estar salvo não significa que você está liberto?

Dra. Neuza Itioka: Mas isso não tem nada a ver. O fato de você estar salvo não significa que você não está debaixo de maldição. A pessoa é salva, mas, por exemplo, uma família que tem a síndrome de bancarrota. O avô nunca deu certo na área financeira, o pai também não deu, o filho também não. Ele aceitou Jesus, a síndrome de bancarrota continua com ele. Então, o que tem que fazer? Nós temos que verificar o que aconteceu há quatro, cinco gerações atrás. Você quebra, perde perdão por aqueles pecados. No mundo o que existe? A lei da semeadura e da colheita. Se seu avô, bisavô, tataravô, tiver feito alguma coisa, você querendo ou não querendo, está pagando.

Romanos capítulo 10 é só salvação. Está tudo em Deuteronômio 28: Eu coloco diante de vocês a bênção e a maldição.

Outra coisa, veja só Jeremias também [abrindo a bíblia], 5:7: "Nossos pais pecaram, e já não existem; e nós levamos as suas maldades".

Guia-me: E quando a Palavra diz que por Jesus seremos verdadeiramente livres ["se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (Jo 8:36)]? Mesmo o aceitando como Salvador, estamos sujeitos a maldições hereditárias?

Dra. Neuza Itioka: Você é que tem que tomar uma posição diante de Deus. Você aceita Jesus, é nova criatura posicionalmente falando, e você vai herdar a vida eterna, mas a tua vida aqui na terra será uma vida amarrada. Você não vê pessoas assim? Crente que parece que não vai? Então, são pessoas que estão sendo amarradas por coisas da sua própria linhagem.

Isso não significa que todos os problemas estejam resolvidos. Olha que coisa incrível, um caso assim. A pessoa estava estudando em um seminário e disse: "Eu não aguento mais, eu não sei o que eu tenho. Eu queria que vocês orassem". Quando os professores foram orar, houve uma manifestação de demônio. E disseram: "O que você está fazendo aí?". E o demônio: "Eu não vou dar esse daqui, porque ele me foi dado pelos avós. Foi consagrado para mim".

Quando eu fui a Hong Kong, ministrei uma senhora linda, pianista da igreja, e ela tinha sido consagrada a Buda. A cara dela sabe no que se transformou? Ela convertida, pianista, mas quando pequena havia sido consagrada a Buda. Na hora da libertação, a cara dela virou uma cara de porco, a carinha dela fez assim como um focinho de porco. Que coisa incrível, eu fico admirada.

Você aceita Jesus e recebe um passaporte para a vida eterna, recebe a vida eterna, só que no dia-a-dia você tem compulsão de quê? Compulsão de mentira, compulsão de inveja, depende da inveja. Um dia eu fui orar por uma pessoa e ela disse: "Você não quer vir a minha casa, porque minha casa é muito simples, mas todo mundo tem inveja de mim". Membro de uma igreja muito conhecida aqui. Eu fui fazer uma limpeza, orar na casa e ela caiu. E eu pensei: Que é isso?. Perguntei: "Quem é que está aí?". O demônio disse: "Inveja. Eu sou a inveja". Eu levei um susto.

Sabe qual era o problema dessa inveja? Ela cresceu em uma casa onde o pai tinha amante e trazia para casa quem? A amante e os filhos. O pai tratava melhor os filhos do que a filha legítima. Então, ela cultivou durante toda a vida inveja. Inicialmente começa com sentimento, você cultiva, cultiva, transforma-se em abertura para o demônio de inveja, o espírito de inveja. Então, ela estava sendo dominada pela inveja. Mas ao mesmo tempo o que acontecia? Ela dizia: "Fulano tem inveja de mim, fulana tem inveja de mim." Totalmente dominada pelo espírito de inveja, mas era uma pessoa crente. Para mim, no início eu tinha problemas porque a pessoa falava: "Ah, senhora, eu sou crente e eu tenho esse problema!". O demônio se manifestava na vida das pessoas e eu fui aprendendo.

Olha, você não imagina, outra vez aqui pessoas com quatro, cinco anos dentro da igreja, convertidas, o demônio se manifestando por causa de mamom, mamom dominando.

Por Adriana Amorim 

veja também