Wilson Santos se "compara" a Deus em propaganda política

Wilson Santos se "compara" a Deus em propaganda política

Atualizado: Segunda-feira, 23 Agosto de 2010 as 12:59

Oriundos que somos e fomos da religião evangélica Adventista do Sétimo Dia eu nunca poderia imaginar que o agora candidato a governador Wilson Santos (PSDB) utilizaria de expedientes religiosos para se mostrar como "Salvador" de Mato Grosso em sua campanha política objetivando o Palácio Paiaguás.

Vi-me incrédulo com a demonstração de quase insanidade de WS quando assisti ao vídeo no site youtube intitulado "Ele Virá" que faz apologia ou uma comparação no mínimo esdrúxula, aos ensinamentos que aprendemos quando criança e adolescentes de que Jesus Cristo voltará em breve à terra, crença essa pregada pelos Adventistas do Sétimo Dia, criada nos Estados Unidos em 1863, de inspiração de Willian Miller, que além da observância de guardar o sábado, entre outras crenças, está a do advento, quando Jesus Cristo virá arrebatar os fieis e iniciar um reinado milenar nos céus.

Em que pese o primor técnico da elaboração do filme e a excelente trilha sonora executada pelo vocalista da genuinamente banda cuiabana Vanguart, reconhecida nacionalmente pela sua qualidade musical, aliás de quem sou fã, a mensagem é equivocada e baseia-se em frases de cunho evangélico, tendo como mote principal, como já frisei o "Advento." Se utilizada como forma de alardear a segunda volta do Messias à terra, em síntese, até concordaria com o filme, visto que WS estaria usando uma ferramenta social de grande alcance para irradiar a segunda volta do Cristo.

Mas, infelizmente o mote do filme não teve tal cunho. Na realidade, o candidato a governador, no clipezinho se coloca como o "Salvador" investido de fazer 'mudanças,' 'transformações,' e travestido de 'novo' e 'justo'. Isso, acredito, aos olhos dos irmãos adventistas, poderá ser entendido como pura hipocrisia do candidato a governador, que se compara ao "Salvador" do mundo. Já aos olhos dos eleitores mato-grossenses, como pura demagogia eleitoral do candidato a governador da coligação "Senador Jonas Pinheiro."

Em raciocínio rápido, como pessoa da mídia, acredito que elas são ferramentas modernas e necessárias na comunicação da nossa sociedade de informações, em especial no mundo globalizado, nesta terceira onda em que vivemos, conforme anunciava Alvin Toffler, na década de 80. Mas como toda ferramenta, seu uso exagerado ou indevido pode gerar descrédito na mensagem ou ridicularizar o meio e principalmente quem a utiliza de forma errônea. Neste aspecto, parece-me que foi exatamente isso que aconteceu com o vídeo divulgado ultimamente no site youtube onde WS se revela o "Salvador" de Mato Grosso.

Não precisamos de um "Salvador" travestido de candidato gestor. O último que se apresentou como tal terminou varrido da Presidência da República por improbidade. Como se nota, neste caso, a ferramenta ou meio foi exagerado. Como jornalista, sugiro que voltemos ao debate real e verdadeiro, propositivo, evitando-se o chamado vale tudo no embate eleitoral. O eleitor merece respeito, principalmente o Adventista do Sétimo Dia!

*Eraldo Lima é jornalista, bacharel em Direito especialista em Direito Tributário.

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