Cantora gospel se voluntaria em "Ocupação Cultural" da Vila Cruzeiro

Cantora gospel se voluntaria em "Ocupação Cultural" da Vila Cruzeiro

Atualizado: Segunda-feira, 6 Dezembro de 2010 as 2:23

A quadra da Praça São Lucas, que nos últimos anos havia sido transformada na cracolândia da Vila Cruzeiro, foi devolvida às crianças da região na manhã de ontem, numa festa com teatro, capoeira e oficinas de pintura organizada pela ONG Rio em Movimento. O evento foi batizado de Ocupação Cultural.

"Queríamos retomar os espaços públicos da Vila Cruzeiro. Essa quadra só era frequentada por quem vendia ou usava drogas e mesmo depois da ocupação policial ficou vazia. Tivemos que retirar lixo e entulho", contou a coordenadora da ONG, Ingrid Gerolimich.

No lugar dos caminhões incendiados de uma rede de eletrodomésticos, que foram usados como barricadas pelo tráfico na quinta-feira (25), crianças e seus pais cercaram a praça.

"Eu brincava aqui quando era pequena. Era o único espaço de lazer para muita mãe, que não tinha onde levar o filho para brincar. Mas depois ninguém mais podia vir para cá", contou a cantora gospel Nayra Raimundo, de 15 anos, que foi voluntária no evento.

Nos dias de confronto, Nayra passou praticamente o tempo todo no seu quarto, acompanhada das duas irmãs, cunhado, sobrinho e primo. "Não dava para ficar na sala. O tanque subiu a minha rua e o tiro pegou lá em casa", contou.

A menina Larissa Calazães, de 10 anos, brincava pela primeira vez ali. Tímida, não quis ir ao pula-pula, preferiu ficar na fila de pintura corporal. "A rua ficou feia. Era só tiro. Quando acabou a luz, eu fiquei quieta. Foi todo mundo para a cozinha. Agora está bonito", disse.

Ingrid contou que nos últimos dias ouviu relatos de moradores a respeito dos filhos, abalados pela violência. "Queríamos fazer algo para diminuir o trauma das crianças".

Os voluntários para a festa vieram de diversos pontos do Rio - como Brás de Pina e Complexo da Maré, na zona norte, Santa Teresa, na zona sul, e Niterói, cidade do Grande Rio.

Apreensão

Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) encontraram cerca de três toneladas de maconha enterradas sob uma casa em construção, na região conhecida como Fazendinha, uma das favelas do Complexo do Alemão.

Os PMs receberam denúncia de moradores de que o imóvel era usado por traficantes. Eles acionaram a Companhia de Cães da Polícia Militar. Os animais farejaram o terreno e apontaram o local que deveria ser escavado. Foi necessário quebrar um muro e o piso da casa. A droga foi levada para o 16.º Batalhão da PM (Olaria), que tem sido usado como base de operações para as forças que atuam no Alemão.

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