Vocalista do U2 cita a Bíblia em evento beneficente

Vocalista do U2 cita a Bíblia em evento beneficente

Atualizado: Segunda-feira, 4 Maio de 2009 as 12

Enquanto toda celebridade parece ter uma causa, poucas estrelas se inspiram nas escrituras. É o que deixa Bono, líder do U2, à parte. Esportivo, com sua marca nos óculos, a estrela do rock falou para um auditório de mais de três mil pessoas na National Prayer Breakfast February 2, implorando para que respondessem a responsabilidade urgente dos Estados Unidos de ajudar os necessitados.

Duas passagens dirigiram a sua mensagem. Bono lembrou: a chamada em Levítico 25 para um Ano do Jubileu e dívida de perdão, e o comando em Isaías 58 para dividir com o faminto e prover para o pobre.

''Assim disse o Senhor: ‘Traga o sem-teto para a casa. Quando você vir o nu, cubra-o, então a sua luz romperá como a alva e a sua cura apressadamente brotará, então o Senhor será a sua retaguarda'', lembrou Bono, citando a passagem bíblica de Isaías 58:7 e 8.

''Eu aprecio o absurdo de ser um rock star e citar as Escrituras'', Bono brincou com o seu típico estilo singelo em uma reunião privada com meia dúzia de jornalistas seguindo o seu endereço. Usando jeans, jaqueta de veludo marrom e uma camisa preta, o rockeiro estava tão relaxado que comeu frutas e muffins enquanto respondia questões de jornalistas. Ele falou sobre seu trabalho na África, o papel da igreja e alguns versos favoritos.

''É completamente a situação profética desse momento'', exclamou, se referindo a Isaías 58:7-8. ''O que realmente sugere é que se nós fizermos o negócio de Deus, Deus estará mais em nós. Para usar o coloquial, é Deus sendo nossa retaguarda. Literalmente significa que Deus irá guardar as suas costas!”, explicou Bono.

Razões para morrer

Bono disse que existem diversos problemas quando uma nação religiosa ignora o negócio de Deus, particularmente na luz do crescimento do antiamericanismo. ''A religiosidade desse país é ofensiva para muitas pessoas na Europa porque eles vêem hipocrisia no coração disso'', Bono diz. “Eles vêem que em todas as conversas, oração de café-da-manhã, e religiosidade evidente, essas pessoas estão dando o mínimo do mínimo''.

Enquanto dava crédito ao presidente Bush pelo aumento de cinco por cento do orçamento de assistência estrangeira desde que assumiu o escritório, Bono disse que de acordo com as pesquisas, ''a razão pela qual as pessoas não querem o aumento da assistência estrangeira é porque pensam que já está além dos 15 % e 20%. Mas é, na verdade, um décimo das estimativas mais baixas''.

A falta de assistência estrangeira e a disponibilidade de drogas anti-retrovirais salvadoras ''não são mais boas razões para morrer'', ele diz. Bono descreveu uma visita a Soweto feita em 2002, na África do Sul, onde ele falou com um jovem viúvo, tentando decidir se mantinha as medicações para ele mesmo ou as dava a uma mulher que amava. ''Ele disse, 'posso dar minhas drogas para ela e minhas crianças podem perder o último pai, ou podemos dividir as drogas e ambos morrer vagarosamente, ou posso manter as drogas e perder, pela segunda vez, o meu amor''', Bono recorda. ''Eu saí de lá pensando, 'isso é bárbaro. Isso é, na verdade, bárbaro'''.

Não perder essa questão

Felizmente, ele diz, a igreja está respondendo. ''No passado, a igreja estava atrás em algumas questões, mas não perdeu essa'', comemora Bono. ''A igreja está liderando. É incrível. Se há dez anos atrás eu tivesse ouvido o que estou dizendo agora, não teria acreditado''.

Isso é porque há dez anos, como Bono explicou no discurso do café da manhã, ele não pensava muito na igreja, cristianismo ou religião evidente. ''Você vê, evitei pessoas religiosas por toda a minha vida'', ele diz. ''Talvez tinha alguma coisa a ver com um pai protestante e uma mãe católica em um país onde a linha entre as duas era, literalmente, uma linha de batalha; onde a linha entre estado e igreja era... bem, um pouco embaçada e dura de ver'', explica.

''Eu me lembro como minha mãe nos trazia para a capela ao domingos, e meu pai costumava esperar do lado de fora. Uma das coisas que captei do meu pai e da minha mãe foi o senso de religião adquirido no caminho de Deus'', lembra Bono.

Sua fé, a qual descreve como ''privada'', é largamente influenciada pelas palavras e ações de Jesus, as beatitudes e os profetas do Velho Testamento. Bono contou para o grupo de jornalistas que gosta de ler The Message, uma paráfrase moderna da Bíblia ''pelo estudioso muito talentoso e poeta Eugene Peterson''. Em contraste com algumas das mais populares músicas cristãs, suas músicas religiosas preferidas incluem hinos de Charles Wesley, Messias de Handel, Judeus à capela, e músicas que, segundo ele, contêm emoções ''cruas''.

Respondendo como esperava que os Estados Unidos contestariam o suas reclamações por mais justiça pelos pobres e oprimidos da África, Bono apelou para a responsabilidade patriótica e cristã. ''Imagine uma suposta sociedade cristã com a capacidade absoluta de salvar vidas na África que falha em agir'', diz o líder do U2. ''Você pode explicar isso para os detentores do orçamento, mas não pode explicar para Deus. Ele não vai aceitar essa desculpa, e a história também não. Penso que está crescendo um movimento que se define pelo jeito que essas questões são tratadas, particularmente no tempo do conflito, é tão poético na verdade... Assim você demonstra os valores da América”, conclui Bono.

veja também