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Argentina quer investimento brasileiro após expropriação da YPF

Argentina quer investimento brasileiro após expropriação

Atualizado: Sexta-feira, 20 Abril de 2012 as 8:15

Quatro dias após o anúncio da expropriação da petrolífera Repsol-YPF, o ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, se reúne nesta sexta-feira (20) em Brasília com representantes do governo em busca de investimentos da Petrobras no país.
A falta de investimentos foi o principal argumento usado pela presidente Cristina Kirchnerpara justificar, na última segunda-feira (16), o anúncio da expropriação de 51% da companhia.
A agenda de De Vido prevê um encontro com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, e com o ministro de Energia, Edison Lobão. Do lado argentino, a previsão é que, além de De Vido, também estejam presentes o secretário de Energia da Argentina, Daniel Cameron, e outros assessores.

O encontro foi marcado durante visita de Lobão a Buenos Aires, no início de março, quando já eram fortes as indicações de que haveria um rompimento entre o governo argentino e a Repsol (que possui 56% da YPF).
Na ocasião, a presidente convidou Lobão para uma conversa na Casa Rosada, sede da Presidência, segundo contou o ministro brasileiro, para pedir a "maior presença da Petrobras no país".
"A presidente pediu uma presença mais forte, mais intensa da Petrobras aqui (na Argentina) e presença mais forte tem que ser com investimentos", disse o ministro brasileiro.


Repsol
Durante o encontro em março foi marcada a reunião desta sexta-feira em Brasília, de acordo com assessores de ambos os países. Os dois governos evitaram dizer, porém, que a Repsol será um dos temas da reunião. Ao mesmo tempo, em uma entrevista em Brasília, Lobão afirmou que o Brasil não tem motivos para se preocupar.
"Eu não tenho nenhuma preocupação quanto a uma possibilidade de encampação da Petrobras na Argentina. Eu e o ministro De Vido conversaremos sobre diversos interesses do Brasil e da Argentina", disse Lobão.
Segundo ele, o governo brasileiro tem uma "relação da melhor qualidade com a Argentina".
"Não há nenhum sinal de que a Argentina tente ou deseje encampar a Petrobras da Argentina, ou coisa do gênero. Dir-se-á: mas houve um episódio recente. O episódio não depende do governo federal da Argentina, e sim do governo estadual", afirmou.
Recentemente, o governo da província de Neuquén, na Patagônia, decretou o cancelamento da concessão de exploração de três campos de petróleo, um deles, chamado de "Veta Escondida", pertencente à Petrobras.
Assessores do governo neuquino disseram à BBC Brasil que "a situação está resolvida" e "já não há problemas com a Petrobras" porque, de acordo com eles, "é uma empresa que queremos na nossa província".


Modelo e parceria
Segundo analistas argentinos ouvidos pela BBC Brasil, a expectativa é de que a Petrobras não seja afetada por possíveis iniciativas de cunho nacionalista da administração de Cristina Kirchner.
Ao anunciar a expropriação da petrolífera Repsol-YPF, a presidente citou o Brasil como modelo de inspiração para a criação da "nova YPF", como a empresa vem sendo chamada.
"Em vários países do mundo, o Estado tem a maioria acionária das petrolíferas. [É o] Caso do México, da Venezuela e da Bolívia. E nós observamos o modelo do Brasil. Eu defendo a entrada da Venezuela para o Mercosul porque assim fecharíamos um arco energético", disse.


Os especialistas também observaram que o Brasil é hoje o principal destino das exportações argentinas. "Acho pouco provável, portanto, que a Argentina compre briga com seu parceiro comercial mais importante", disse Jean Paul Prates, diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e ex-secretário de energia do Rio Grande do Norte.


Apoio
Na última segunda-feira, Cristina assinou um decreto realizando uma intervenção na Repsol-YPF e enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional sugerindo a expropriação da companhia. A medida gerou fortes críticas do governo espanhol e de organismos internacionais, como o Banco Mundial.

"Acho que é um erro", disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.


Mas a nacionalização recebeu apoio de diferentes setores, como de opositores no Congresso, do ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, do presidente da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, e de movimentos sociais.


A medida foi vista amplamente como uma iniciativa do governo para que o país tome as rédeas sobre o controle de seu petróleo e gás.

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