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Em meio a desconforto global, dólar volta a R$ 1,75 e Bolsa paulista despenca 4,75%

Em meio a desconforto global, dólar volta a R$ 1,75 e Bolsa paulista despenca 4,75%

Atualizado: Quinta-feira, 29 Outubro de 2009 as 12

Um movimento global de aversão a risco fez o dólar subir e voltar para R$ 1,75 nesta quarta-feira (28), em uma sessão marcada pela instabilidade e pela forte queda da Bolsa paulista. A moeda norte-americana registrou valorização de 0,92% em relação ao fechamento anterior. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabou 4,75%, maior queda desde 2 de março deste ano. 

''Com a bolsa nesse nível, deve estar tendo saída [de investidores] - disse Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez''.

''A gente está tendo uma correção grande... mas não é nada absurdo, é parte do negócio''.

A pesada desvalorização dos papéis brasileiros era parte de um movimento internacional de aversão a risco. Desde o começo da semana, investidores têm abandonado aplicações mais arriscadas e buscado refúgio em opções consideradas mais seguras, como títulos do Tesouro norte-americano.

Nesta sessão, a justificativa para a piora internacional foi a queda inesperada das vendas de novas moradias nos Estados Unidos -sinal de que a maior economia do mundo ainda encontra muitos percalços. Na quinta-feira, o mercado acompanha o dado mais aguardado da semana, o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano do terceiro trimestre.

O movimento desta sessão foi reforçado pela dúvida de investidores sobre a continuidade do ciclo de alta das ações, que já dura meses nos principais mercados do mundo. A cautela valorizava o dólar no mundo, que subia 0,4% ante uma cesta com as principais moedas.

''O pessoal está chamando uma realização (de lucros) há muito tempo. Ela está aí, acontecendo''. 

Realização de lucros é quando os investidores vendem as ações de suas carteiras para embolsar os ganhos acumulados em determinado período.

A saída de investidores da Bovespa, no entanto, ainda não afetou significativamente o fluxo de dólares para o país.

Embora tenha havido déficit (saldo negativo) nos últimos dois dias da semana passada, o país ainda registra entrada líquida de R$ 22,3 bilhões (US$ 12,8 bilhões) em outubro, segundo dados do Banco Central que incluem as transações financeiras e comerciais.

A alta do dólar proporciona algum alívio a setores do governo, que na semana passada anunciou a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre capital estrangeiro em ações e renda fixa para tentar limitar a valorização do real. Em evento no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo trabalha para manter o equilíbrio da taxa de câmbio, mas negou que haja uma meta para o dólar.

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