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Psicóloga decifra o sofrimento no trabalho, ao analisar mercado após 1999

Psicóloga decifra o sofrimento no trabalho, ao analisar mercado após 1999

Atualizado: Terça-feira, 24 Novembro de 2009 as 12

Na última década, os gurus de autoajuda viraram ícones; nas prateleiras das livrarias, há livros e mais livros sobre como ser bem-sucedido no mercado de trabalho, como lidar com o estresse, como ser um bom líder; as palestras motivacionais ficaram mais caras; os coachs ficaram em voga; surgiram técnicas diferentes de avaliação de desempenho, como aquela que é a última moda, a avaliação 360º (na qual todos avaliam todos); e proliferaram os especialistas em qualidade de vida.

Esta foi a resposta social da população para um fenômeno: o aumento da competitividade no mundo dos negócios e no mercado de trabalho.

Foi um processo. A psicóloga especializada em Psicologia Organizacional, Mariá Giuliese, explica, no livro "Será mesmo que você nasceu para ser empregado" (Gente Editora), que o século XXI é um período caracterizado pela necessidade de desenvolver um estudo consistente sobre a psicopatologia no trabalho, a fim de reduzir o aumento das síndromes psicopatológicas causadas por excesso de trabalho, estresse, hierarquias rígidas, falta de reconhecimento e relações perversas no trabalho.

O que levou a isso

Nas empresas, registra-se um número crescente de pessoas com depressão, síndrome do pânico, estresse e viciadas em álcool ou cigarro.

Segundo Mariá, as condições que encontramos hoje, no mercado, são:

Aumento das fraudes por parte dos próprios funcionários; Classificação dos trabalhadores em talentos (chamados de high potentials) e não talentos, gerando falsas esperanças e crença numa superioridade de uns sobre os demais; Redução do tempo de permanência nos empregos a uma média de dois anos; Instituição de bônus e outras formas de compensação pelos resultados, que geram ambição desmedida e favorecem a promoção de sofrimento do outro para a obtenção do desejado prêmio; Aumento do índice de divórcios decorrentes da excessiva dedicação ao trabalho; Aumento de ações judiciais por assédio sexual e moral; Viagens constantes e exposição a jogos de poder perversos; Trabalho matricial com diferentes linhas de comando e exigências; Aumento de afastamentos de funcionários por síndrome de burnout, depressão, estresse, síndrome do pânico, etc; Aumento das toxicomanias e alcoolismo no trabalho. "O sofrimento psíquico permanece não estudado. A empresa, como promotora da doença psíquica, não é analisada. Proliferam técnicas de manipulação para submeter não só corpo, mas a capacidade de o trabalhador pensar e atuar como ser livre e independente", relata a especialista em seu livro.

Segundo ela, a palavra de ordem agora é a redução do tempo disponível à empresa, a melhoria das relações interpessoais no trabalho, a fim de prevenir as doenças psíquicas.

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