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Somente 30 empresas brasileiras atuam na China

Somente 30 empresas brasileiras atuam na China

Atualizado: Terça-feira, 19 Agosto de 2008 as 12

Mais de sete mil empresas americanas estão na China. Do Brasil, pouco mais de 30 tem alguma atuação no mercado que mais cresce no planeta. Falta de conhecimento e foco no mercado interno são algumas das razões disso, na avaliação o secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China, Rodrigo Maciel.

?Ainda há um grande desconhecimento do Brasil em relação à China, em alguns casos até desinteresse. O processo de internacionalização ainda é recente no Brasil e atingiu um número muito pequeno de empresas?, afirmou.

A função do conselho bilateral - instalado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em 2004 ? é justamente melhorar o ambiente de comércio e investimentos entre os dois países por meio do diálogo entre os governos. Por intermediar tal diálogo, Maciel garante que a atração de investimentos estrangeiros continua sendo prioridade do governo chinês. Mas não qualquer investimento.

?Se percebe uma mudança radical nesse incentivo. O foco deles, agora, é receber investimentos nos setores de alta tecnologia, de pesquisa e desenvolvimento?, destacou Maciel, Os incentivos já não são mais oferecidos em função da localização geográfica do empreendimento ? política que tinha como objetivo a formação de grandes núcleos de produção. Agora, o incentivo depende do tipo de tecnologia que será trazida oferecida à China.

A regra vale, inclusive, para zonas de desenvolvimento industrial, como a Beijing Development Area , a 30 quilômetros do centro de Pequim. ?As empresas que eles querem atrair para essas zonas, hoje, são empresas de alta tecnologia e biotecnologia. Isso passou a ser uma prioridade nacional?, explicou Rodrigo Maciel.

Segundo ele, também há grandes oportunidades para parcerias entre empresas chinesas e brasileiras. ?Em alguns setores identificados como de grande mercado na China, talvez seja interessante ter investimentos conjuntos. Esse tipo de parceria pode ser  importante até para aumentar a capacidade produtiva e o Brasil se tornar um fornecedor estratégico desse produto para a China?, avaliou Maciel.

O próprio agronegócio poderia se beneficiar dessa fórmula, tornando-se exportador de alimentos processados. ?Essas oportunidades existem não só em comércio, mas em investimentos. A gente é que precisa se colocar estrategicamente para aproveitá-las?, garantiu o secretário-executivo do conselho bilateral.

Paul Liu, presidente da Câmara de Desenvolvimento Econômico Brasil-China, acha que é hora de perder o medo do gigante asiático. ?A China ainda tem muitas áreas a serem expandidas, muitas pessoas querem melhorar a qualidade de vida e isso certamente vai abrir muitas oportunidades?, afirmou.

Ele acredita que os Jogos Olímpicos ajudarão a acabar com os estigmas do país asiático. ?Por meio das Olimpíadas as pessoas certamente terão uma nova opinião sobre a China, verão que ela não é algo transitório mas, sim, um país que está crescendo há mais de 20 anos e vai continuar crescendo nos próximos 20?, disse Liu.

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