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Alunos que moram na USP passam meses sem sair do campus

Alunos que moram na USP passam meses sem sair do campus

Atualizado: Segunda-feira, 4 Julho de 2011 as 3:42

Morando, estudando, comendo e se divertindo dentro da USP, alunos que moram no conjunto residencial da universidade, o Crusp, conseguem passar semanas e até meses sem pisar fora do campus.  

É o caso de Adonias Lopes, 22, que estuda música. Com a família em Santa Rita do Sapucaí (MG), ele conta que já ficou um mês sem sair da USP. "O grande problema é a grana, aqui as coisas são mais baratas", diz.

Os estudantes de famílias pobres que passam em uma triagem com assistentes sociais são alojados em apartamentos com pequenos quartos individuais, que abrigam no mínimo três pessoas. Em geral, calouros precisam esperar por uma vaga em um alojamento coletivo durante alguns meses.

Os estudantes não pagam aluguel, água, luz, telefone ou internet. Há ainda quadras, piscinas, museus, cinema e caixas eletrônicos à disposição, assim como café da manhã (R$ 0,60), almoço e janta (ambos por R$ 1,90) no bandejão. Vários dos alunos têm bolsas de pesquisa ou trabalho nas próprias unidades da USP.      

"O isolamento acontece muito por causa da faculdade também. Estou cheio de trabalhos, peguei muitas matérias, estou quase surtando. No próximo semestre, vou tentar conhecer mais São Paulo", diz Adonias.

Renan Pinheiro, 20, que faz letras, é outro que já ficou um mês sem pisar fora da USP. Vindo de Bauru, vivencia diariamente o confinamento da universidade. "A gente fica ilhado. Antes de vir para cá, tínhamos vontade de fazer um monte de coisas em São Paulo. Agora que estamos aqui, não saímos."

Nem mesmo para se divertir é preciso sair: basta comprar umas cervejas e escolher um apartamento. É o que geralmente acontece quartas e quintas-feiras à noite no apartamento 311 do bloco A, quando amigos se reúnem para improvisar um som no corredor. Há ainda festas nas unidades da USP, onde a lata de cerveja gelada não costuma custar mais de R$ 2.

VETERANOS

Entre os moradores do Crusp, há também estudantes mais velhos, como Leandro Paixão, 43, que estuda letras. A última vez em que ele botou o pé fora da USP foi no ano passado. Não saiu da Cidade Universitária mesmo quando quebrou seus dois pés. Buscou atendimento no HU (Hospital Universitário).

Também mais velho é Celso Borzani, 49, cujo maior tempo "embarcado" foi de três meses.Ele está concluindo a graduação em geografia, com o filho mais velho já na faculdade.

"Quando me separei, depois de vinte anos de casado, fui morar com meu pai. Só que ele me expulsou de casa. Aí, vim parar no Crusp." Celso decidiu prestar vestibular quando perdeu o emprego, há oito anos. Hoje, é estagiário em geoprocessamento dentro da universidade. "Aqui é um 'trampolim social'. A gente fica quatro ou cinco anos sem gastar nada."          

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