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Alunos que recebem aulas de finanças pessoais estão mais preparados

Alunos que recebem aulas de finanças pessoais estão mais preparados

Atualizado: Terça-feira, 10 Maio de 2011 as 2:10

Um estudo elaborado pelo Banco Mundial (Bird) divulgado nesta segunda-feira mostra que os alunos da rede pública de ensino que recebem aulas de finanças pessoais estão mais preparados para lidar com dinheiro e conceitos de gasto e poupança. A conclusão está no primeiro relatório feito com os 27 mil alunos que participam da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), programa que ensina finanças pessoais a estudantes do ensino médio de colégios públicos brasileiros desde agosto do ano passado.

O Banco Mundial criou um indicador para medir os conhecimentos gerais de finanças dos estudantes. Os alunos que receberam as aulas tiveram 60,4 pontos no questionário aplicado, em uma escala que vai de zero a cem pontos no índice. Já os alunos acompanhados pelo Bird e que não tiveram as aulas de finanças receberam apenas 56,1 pontos.

Segundo Miriam Bruhn, economista do Banco Mundial, a variação foi significativa.

- Isso mostra que a educação financeira nas escolas tem apresentado resultados - defendeu a especialista.

Em ambos os casos, no entanto, a pontuação classifica os alunos como nível intermediário de conhecimento sobre finanças. Ou seja, tem ainda uma "inserção incipiente (...) na vida econômica".

Miriam lembrou, porém, que o programa tem apenas seis meses nas escolas, de um total de três semestres previstos. E que a expectativa é de mais evolução pela frente. Um novo levantamento será feito no final deste ano para medir a evolução.

O Enef envolve 891 escolas públicas distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Tocantins, Distrito Federal e Minas Gerais. A maioria desses alunos tem entre 15 e 18 anos e uma renda familiar concentrada na R$ 510 a R$ 2.040, segundo o relatório.

Por dentro dos números, os estudantes que receberam a aula mostraram evolução do conhecimento em questões como juros (de 5,1 para 5,9 pontos), empréstimos (6 para 6,8 pontos) e cartão de crédito (6,4 para 7,2 pontos). O número de estudantes que declararam entender o impacto da inflação avançou de 33% para 36%, o que foi considerado significativo para uma geração que nasceu no Plano Real e não viveu a hiperinflação no país.

O trabalho mostra que os jovens brasileiros da rede pública de ensino médio são consumidores atentos. Eles consideram relevante no momento de comprar um produto questões como o preço (citado por 71% deles) e benefícios que o produto podem trazer (51%). A maioria negocia descontos (57%) e pesquisa o produto em outras lojas antes de decidir pela compra (87%). Gastam principalmente com roupas (63%) e lanches (37%).

Mesmo assim, mais de 45% dos alunos se considera "gastador" ou "muito gastador". E quando se trata de controle das finanças, os números se revelam menos animadores. Segundo a pesquisa, 33% dos alunos já tomaram empréstimos, principalmente com familiares e amigos. Como a maioria não são bancarizados (somente 12% tem conta corrente e 10% usam cartão de crédito), apenas 1% tem alguma dívida com bancos.

Segundo Miriam Bruhn, as estudantes mulheres de melhor nível socioeconômico e de pais que concluíram o ensino médio têm melhores conhecimentos sobre finanças. Já os estudantes com mais de cinco pessoas morando em casa e que foram reprovadas no colégio tem a menor eficiência.

O programa não criou uma cadeira específica de finanças nos colégios, embora tenha distribuído livro para os alunos e professores. O tema foi, na verdade, tratado nas aulas da grade regular, como matemática, português e química, por exemplo. Os professores foram treinados e treinarem seus colegas de colégio.

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