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Após SiSU, sobra de vagas em federais chega a 20%

Após SiSU, sobra de vagas em federais chega a 20%

Atualizado: Segunda-feira, 22 Março de 2010 as 12

Mesmo após a convocação da lista de espera do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), a sobra de vagas em algumas instituições federais alcança 20%, como no caso da Universidade Federal de Alfenas (Unifal). Todas as suas 1.052 vagas foram disponibilizadas para o sistema, mas 215 (20,4%) ainda permanecem vazias. No ano anterior, quando houve vestibular próprio, não sobrou nenhuma das 1.012 oferecidas à época. Com o término do SiSU, a convocação deve ser feita diretamente pelas faculdades.

Embora as instituições consultadas pelo G1 tenham que promover novas chamadas após o encerramento do sistema, há consenso de que a ferramenta funcionou bem, inclusive considerando o atraso na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - nota utilizada pelo SiSU para a seleção.   

Na semana passada, balanço do Ministério da Educação (MEC) apontou sobra de cerca de 7 mil vagas, do total de 47,9 mil ofertadas via sistema, o equivalente a 15%.

Na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o percentual é de cerca de 14%: das 1.380 vagas, 197 sobraram. Segundo Janete dos Santos, coordenadora de políticas e planejamentos da Pró-reitoria de Graduação, o índice foi maior do que em anos anteriores. Apesar disso, a instituição vê com bons olhos a situação.

"Pelo menos agora temos lista de espera para fazer a convocação dos candidatos. Antes, em alguns cursos, como os de licenciatura em matemática, química ou física, simplesmente não tínhamos quem chamar", diz. Para acelerar o preenchimento, todos os estudantes receberam e-mails e uma parte recebeu ligações confirmando o interesse. A relação de nomes já foi divulgada e a matrícula acontece nesta segunda, dia 22, e terça, dia 23.

Na região sul, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) contabilizou sobra de 13,7% dos postos após a última lista do SiSU. Das 2.784 vagas, 382 ficaram sem dono até o encerramento do sistema. Jair Almeida, chefe do departamento de processos seletivos da instituição, diz que o sistema funcionou bem. "Já fazíamos várias chamadas nos anos anteriores nos vestibulares tradicionais." A universidade está convocando alunos para os lugares restantes.

Outro exemplo, em São Paulo, um levantamento parcial aponta que 10% das 1.570 vagas na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ainda não foram preenchidas. A seleção para 19 dos seus cursos, os menos disputados, ocorreu somente pelo SiSU. Os outros sete cursos, como medicina, tiveram uma etapa feita pela Unifesp. Segundo a instituição, esse percentual de sobra de bagas é menor que o do ano passado, quando 22% sobraram após o mesmo número de chamadas.

Em Minas, 12,7% das 276 vagas esperam por novas convocações no Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais. Cursos como zootecnia, matemática, alimentos, administração e laticínios fazem novas chamadas no campus de Rio Pomba.

Das 1.822 vagas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), disponibilizadas no SiSU, 150 não foram preenchidas após a lista de espera do SiSU, o que equivale a 8,2%. Um edital, divulgado na quinta (18), prevê ainda três convocações pela universidade.

Mesmo na Universidade Federal do ABC (UFABC), que chegou a ter o curso mais concorrido do SiSU, o bacharelado em ciência e tecnologia, houve sobra de vagas. Segundo o pró-reitor de graduação, Derval dos Santos Rosa, cerca de 80 vagas (quase 5%), de um total de 1.700, ainda não foram preenchidas. Apesar disso, ele avalia bem o sistema. "Antes, no processo seletivo anterior, a sobra era maior", afirma. Um edital será divulgado pela instituição nesta segunda, dia 22,  com as regras de convocação dos candidatos.

Evasão

O temor de que a evasão na graduação aumente, ronda algumas instituições federais que usaram o SiSU, já que o meio de inscrição, pela internet, facilitou a participação de candidatos de outros estados. A mobilidade, vista por muitos como um benefício por conta da diversidade, pode ser um problema se o estudante não conseguir se manter na nova cidade e abandonar o curso no meio.

No final da terceira etapa do sistema, antes da lista de espera, o percentual de candidatos de outros estados matriculados nas instituições ultrapassava 25,28%, segundo o MEC.

"Há alunos que vieram do Paraná e do Maranhão, por exemplo. Será que vão ficar? Podem ter tirado oportunidades de estudantes da região. É o único ponto que pode ser um problema e monitoraremos", avalia Imaculada Conceição Coutinho Lopes, coordenadora geral de assuntos de registro acadêmico da secretaria de graduação e cursos técnicos do campus Rio Pomba, do Instituto Federal do Sudeste de Minas.

"Nas primeiras chamadas, muitos candidatos vieram de outros estados, mas, quando chegaram em Uberaba, não ficaram um dia. Então, vamos usar a lista de espera do vestibular porque o risco de queimar vaga é menor, pois o estudante que fez as provas têm interesse mesmo em ficar", afirma a pró-reitora de ensino do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, Sandra Maria de Sousa Oliveira. A instituição não tem verba para conceder bolsas para os alunos carentes.

No caso desse instituto, que usou o SiSU para preencher metade das suas 270 vagas, houve sobra de 33 lugares (27 do SiSU e 6 de alunos que cancelaram a matrícula). A lista de espera para selecionar os candidatos será a do vestibular.

A reitora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Maria Lúcia Cavalli Neder, porém, não vê o problema da evasão. Um dos motivos é o fato de 76% dos aprovados nos quatro campi serem do próprio estado. "Além disso, o apoio do MEC aumentou para os alunos de baixa renda", disse. Na universidade, a verba destinada às bolsas auxílio - que permitem o pagamento de alimentação e moradia - aumentou de R$ 4 milhões no ano passado para R$ 8 milhões em 2010.

Por: Fernanda Calgaro e Érica Polo

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