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Avaliação internacional para medir desempenho de estudantes começa no Brasil

Avaliação internacional para medir desempenho de estudantes começa no Brasil

Atualizado: Segunda-feira, 25 Maio de 2009 as 12

Avaliação internacional para medir desempenho de estudantes começa no Brasil

Entre os dias 25 e 29 de maio, cerca de 50 mil estudantes brasileiros vão participar do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). A prova é aplicada a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) .

O programa de avaliação começou em 2000 e o objetivo é fornecer aos países participantes indicadores educacionais que possam ser comparados internacionalmente. Este ano, 65 países participam da prova. Entre as três provas aplicadas (matemática, leitura e ciências), uma área do conhecimento é escolhida, a cada edição, para ser o foco das análises. Em 2009, o exame terá ênfase em leitura.

O Brasil participou de todas as edições do Pisa e sempre ocupa as últimas posições no ranking de desempenho (confira tabela abaixo). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC), é o coordenador do Pisa no país.

Para o diretor de avaliação da educação básica do Inep, Heliton Tavares, é muito importante para o Brasil situar as condições do ensino que oferece em comparação aos outros países. "O Pisa é um exame estratégico porque é por meio dele que podemos efetivamente nos comparar com um grupo de países muito grande. Nós estamos criando um grande nível de comparabilidade nas avaliações internas do país e temos que reforçar o lado da comparação internacional", avalia.

Tavares acredita que as melhoras recentes em alguns indicadores educacionais, como ocorreu entre 2005 e 2007 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), pode ter reflexos na edição 2009 do Pisa. "Em educação as mudanças são percebidas a médio e longo prazo, mas tem havido uma preocupação e uma mobilização muito grande em torno da melhoria da qualidade da educação no país", afirma. Os resultados serão divulgados pela OCDE em dezembro de 2010.

O Pisa é aplicado a estudantes da 7ª série do ensino fundamental em diante, na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países.

Nas primeiras edições do Pisa, o número de alunos brasileiros participantes foi de cerca de 5 mil. De 2006 para cá, o MEC ampliou a aplicação da prova. Segundo Tavares, o objetivo é obter resultados significativos por estados e em outros estratos, como rede república e particular.

"Esse ano serão cerca de 26 mil estudantes sendo avaliados para efeito de construção das médias. Além disso temos um outro grupo que vai participar que são de alunos do 1° ano do ensino médio. A partir daí queremos verificar qual é o efeito da defasagem idade-série no desempenho", afirma.

Os alunos selecionados para 2009 são de 990 escolas públicas e privadas, rurais e urbanas de 587 municípios.

Para o especialista em educação e ex-representante da Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil Jorge Werthein, o fraco desempenho dos estudantes brasileiros no Pisa é o retrato da qualidade do ensino no país.

"Nós temos indicadores educacionais muito pobres, a baixa qualidade da educação é um problema histórico no país. Essa realidade explica as deficiências que são observadas quando se aplica uma avaliação como o Pisa", aponta Werthein. Ele acredita que ainda vai "demorar" para o Brasil alcançar o desempenho que os países desenvolvidos atingem no exame.

O especialista ressalta que as várias avaliações educacionais que estão sendo aplicadas no país, tanto na esfera federal como também nos estados, são formas positivas de encarar o problema. "O Ministério da Educação está com uma postura muito positiva na forma de enfrentar essa realidade. As avaliações dão um diagnóstico fundamental. Se estamos doentes e não sabemos qual é a doença, não sabemos como tratá-la", compara.

Werthein ressalta, entretanto, que é necessário transformar esses diagnósticos em políticas públicas sólidas e contínuas. "O Pisa anterior revelou que estávamos muito mal em ciências. E o que fizemos dessa avaliação até agora? Se utilizarmos a avaliação só para lamentar, o impacto é mínimo", aponta.

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