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Brincadeira na areia identifica problemas de aprendizagem.

Brincadeira na areia identifica problemas de aprendizagem.

Atualizado: Segunda-feira, 13 Dezembro de 2010 as 9:50

No armário, miniaturas dignas de uma casinha de bonecas. Nele, pequenos homenzinhos, mulherzinhas, comidas de todos os tipos e cenários variados dividem espaço entre as prateleiras. As miniaturas, que servem de acessório para um "jogo de areia", desenvolvido em 1935 na Inglaterra, vira moda em consultórios psiquiátricos e vem sendo usado para detectar as causas de problemas de aprendizagem. A sandplay, ou caixa de areia, consiste em uma brincadeira sem regras que faz uso da criatividade do paciente. A ideia é montar histórias com as miniaturas em uma caixa de areia semelhante às das pracinhas. A disposição dos brinquedos funciona como uma ponte entre o mundo inconsciente e a realidade externa. Com isso, terapeutas prometem identificar as causas de problemas das crianças, inclusive na escola. "Quando conheci o jogo de areia em um curso de especialização em Arteterapia, fiquei encantada com a possibilidade do sujeito construir seus cenários de forma absolutamente natural, lúdica e de poder simbolizar seus conflitos por meios destas construções", conta a psicopedagoga clínica e institucional Teresa Messeder Andion. Teresa se interessou tanto pelo método que escreveu um livro sobre a prática. O título "Jogo de Areia - Intervenção psicopedagógica à luz da teoria piagetiana na caixa de areia" explica que não é somente em uma construção de areia que o terapeuta irá identificar os problemas. O procedimento é realizado diversas vezes, e em todas elas o psicoterapeuta vai tirando fotos dos cenários montados para depois analisar o conjunto que formam. Um exemplo é o de Clara*, que já não é mais criança, mas foi beneficiada pela prática. Filha única, de classe média e repetente, a garota de 15 anos foi levada para a terapia pelos pais. Os problemas de aprendizagem da estudante foram descobertos no jogo de areia, que também ajudou na melhora de concentração e atenção da jovem, paciente de Teresa. "O primeiro cenário que ela criou foi de comidas: cachorro quente, bolo, torta de morango, cheesburger, batata fritas, pizzas, refrigerantes. Todas essas miniaturas ela colocou no chão da caixa de areia seca, sem mesa, sem toalha, sem prato e sem talher. Parecia querer devorar toda aquela comida com as mãos de forma primitiva. Seu pensamento estava muito concreto, cristalizado e enrijecido pela sua condição afetiva", conta a terapeuta. E em uma série de dez cenários, a constante entre todas as construções ficou clara: comida. "O que acontecia na verdade é que ela se sentia solitária, feia e gorda. A partir daí, Clara começou a dar sinais de estruturação mental, de organização e de planejamento prévio do que iria colocar na cena. Ela estava mais atenta e conseguia se concentrar cada vez mais e por mais tempo, aspecto que anteriormente ela não conseguia fazer", explica Teresa. Porém, a psicopedagoga ressalta que o jogo só pode ser realizado por profissionais da área, treinados para aplicar o método. Pais e professores não devem tentar aplicar a "brincadeira". "O jogo de areia não é um jogo pedagógico ou didático, mas sim um método da psicologia junguiana e que somente pode ser utilizado em um contexto psicoterapêutico ou psicopedagógico, com acompanhamento de profissionais capacitados para o atendimento", explica.

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