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Busca de bolsas em particulares aumentou em 56%

Busca de bolsas em particulares aumentou em 56%

Atualizado: Sexta-feira, 8 Julho de 2011 as 8:58

Analisando os dados dos últimos cinco anos do Prouni (Programa Universidade para Todos), criado pelo governo federal, é possível ver que a busca dos estudantes de baixa renda pelas bolsas nas universidades particulares aumentou em 56%, enquanto a procura pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), empresa responsável pelo vestibular da USP, caiu em 21%.

De acordo com o pedagogo da Faculdade de Educação da USP, Ocimar Munhoz Alavarse, o aumento na procura pelas bolsas do Prouni está relacionado com a crescente demanda de pessoas que buscam por vagas no ensino superior. “O Prouni veio para atender uma pressão social. A criação do programa foi uma jogada ‘interessante’, pois o governo deixa de arrecadar tributos, oferece vagas que já existem, as quais ele também gastaria, e acaba poupando no investimento orçamentário que novas vagas nas universidades públicas significariam.”     “O Prouni tem relação com a chamada ociosidade na educação superior, pois as vagas já existiam nas universidades privadas, porém não havia alunos suficientes ou com requisitos financeiros necessários para preenchê-las. Com o programa do governo, as instituições diminuem as despesas por conta do benefício fiscal e ganham alunos. Do ponto de vista dos estudantes é muito bom, mas no campo de finanças públicas não é a melhor solução”, adverte o educador.

Para possibilitar o ingresso dos alunos de baixa renda nas universidades públicas, Alavarse defende o fim do vestibular e a criação de um sorteio para distribuição de vagas. “Infelizmente a universidade pública não é para o estudante de baixa renda. Há mais de 40 anos lutam por mudanças no ensino básico, porém isso ainda não aconteceu. Por isso sou a favor do sorteio de vagas. Essa seria uma forma de garantir a justiça social. Não é justo que somente uma classe socioeconômica apropriar-se de um bem que é público.”     Auxílio Estudantil A assistência estudantil é um dos temas mais discutidos dentro das instituições públicas. Na USP, o órgão responsável por distribuir e administrar as bolsas oferecidas é a Coseas (Coordenadoria de Assistência Social), criada em 1974.

De acordo com o coordenador do Coseas, Waldyr Antonio Jorge, anualmente são recebidas 1,2 mil solicitações de bolsas, e uma comissão realiza a análise socioeconômica, com bases em dados e entrevistas pessoais. O aluno de baixa renda pode solicitar as bolsas oferecidas pela universidade independente do ano que ingressou.

O Crusp (Conjunto residencial da USP) da capital possui apenas 1,5 mil moradias e neste ano somente 400 vagas foram oferecidas aos alunos necessitados, segundo o coordenador. Dos sete blocos residenciais, dois estão invadidos por estudantes irregulares. “Hoje o principal problema na oferta do auxílio-moradia é o pensamento que alguns estudantes ainda têm. Muitos acham que podem morar aqui dez, 20 anos. Nós estamos tentando mudar essa cultura interna e trabalhando para melhorar. É necessário que as pessoas tenham consciência que elas precisam se formar e disponibilizar as vagas para quem está chegando”, afirma Jorge.

Para aluna de pós-graduação Tatiane Tavares da Silva, 27, morar no Crusp é um facilitador na vida acadêmica. “Fico mais perto dos locais de aula e tenho mais tempo para estudar e descansar. Além de não precisar pagar aluguel, luz e água”, afirma a estudante que vive com mais três universitários.

A pós-graduanda também chama atenção para os conflitos internos. “É difícil lidar com as invasões e as com várias manifestações que ocorrem na USP”, diz Tatiane.

O educador Ocimar defende a expansão da assistência estudantil e afirma que é por meio dela que os estudantes de baixa renda conseguem permanecer nas universidades públicas. “Estou aqui hoje, pois tive esse auxílio”, afirma Alavarse.          

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