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Comportamento de atirador pode influenciar crianças e adolescentes

Comportamento de atirador pode influenciar crianças e adolescentes

Atualizado: Terça-feira, 12 Abril de 2011 as 9:17

A idolatria a grupos terroristas e a comunidades na internet que fazem apologia à violência tem preocupado especialistas. Psicólogos e psiquiatras acreditam que o comportamento do atirador Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, responsável pelo massacre da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, pode influenciar nas atitudes de crianças e adolescentes que querem chamar a atenção dos pais e da sociedade.

Nos trechos das cartas encontradas pela polícia na casa onde o assassino morava em Sepetiba, também na zona oeste da cidade, havia a identificação dos integrantes de um suposto grupo extremista do qual o atirador teria feito parte.

Nas cartas que o R7 teve acesso, o autor do massacre faz referências ao atentado de 11 de setembro de 2011, no World Trade Center, em Nova York. Wellington também menciona que na internet é possível aprender como fazer bombas e adquirir munição e explosivos.

Segundo a psiquiatra Sofia Bauer, especialista em transtorno do pânico, é preciso dar mais destaque para orientações de psicólogos para evitar que crianças e adolescentes se espelhem em psicopatas.

- O comportamento deste atirador pode influenciar outras pessoas. É necessário ouvir mais psicólogos e divulgar as orientações destes profissionais para evitar que crianças e adolescentes admirem a atitude transtornada de um psicopata e queiram imitá-lo e ganhar destaque na mídia.

Sofia também destaca a necessidade de os pais prestarem atenção às repetições de atitudes dos filhos, às trocas de preferência e à relação deles com os amigos.

- Os pais precisam prestar atenção se o filho fala apenas de um assunto, se ele mudou de roupa e de religião há pouco tempo e se ele briga à toa na escola ou nos ambientes que ele frequenta.

Especialistas alertam para obsessão pela internet

Segundo a psicoterapeuta Beatriz Cardela, mestre em Educação, os pais precisam ficar atentos aos conteúdos que os filhos buscam na internet.

- Os pais precisam prestar atenção nas atitudes dos filhos dentro de casa e nos conteúdos que eles buscam na internet. Caso a criança apresente algum sinal de transtorno, é necessário pedir orientação pedagógica na escola e procurar um tratamento psicológico.

Para Beatriz, Wellington já devia apresentar transtornos mentais desde criança, mas o comportamento dele pode ter sido ignorado pela família.

- Este homem já devia ter apresentado sinais de transtornos antes, mas a família não buscou orientação médica.

Entenda o caso

Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola completava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).

Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu duas salas e fez vários disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.

Duas adolescentes baleadas, uma delas na cabeça, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra a barriga do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.

Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.

Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Onze estudantes foram enterrados na sexta-feira (8) e uma foi cremada na manhã de sábado (9).

O corpo do atirador permanece no IML. Ele ficará no local por até 15 dias aguardando reconhecimento por parte de um familiar e liberação para enterro. Caso isso não ocorra, o homem pode ser enterrado como indigente a partir do dia 23 de abril.

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