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Creches se adaptam à realidade do campo

Creches se adaptam à realidade do campo

Atualizado: Terça-feira, 5 Agosto de 2008 as 12

Materiais como palha, rede e bambu marcam a identidade dos prédios que abrigam escolas e creches da educação infantil. Representantes de movimentos sociais e entidades ligadas à educação propuseram, juntamente a secretarias municipais e estaduais, soluções para tornar o ambiente das creches mais adequado às realidades do campo. Promoveu-se uma reunião em Brasília nos dias 30 e 31 de julho para que a educação infantil no campo com técnicos dos ministérios da Educação e do Desenvolvimento Agrário (MDA).

''Precisamos pensar onde colocar os atadores de rede'', afirmou a coordenadora de educação do campo da secretaria estadual do Pará, Natalina Mendes e ainda afirma que pelo fato de em sua região haver o costume de dormir em redes, as crianças se sentiriam menos ambientadas em berços ou camas.

Lourdes Vicente, do Maranhão contou que nas comunidades quilombolas de seu estado, as crianças não gostam dos muros. Para a representante do movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Ceará, a cerca-viva foi uma boa forma de proteger as crianças dos animais, sem dar a sensação de estarem presas. Na opinião de Lourdes, as experiências locais podem contribuir para a construção de creches e escolas de educação infantil em lugares que enfrentam problemas semelhantes.

No estado do Ceará, o cimento da construção das paredes das escolas foi usado em proporção reduzida, o que possibilitou economia no orçamento e a preservação do meio ambiente. ?Os tijolos são feitos com 80% de terra do próprio local e não são queimados?, ressaltou Lourdes. Para diminuir o calor, muitas escolas dos assentamentos usam bambu e palha no lugar das telhas e do concreto tradicionais.

Para Lourdes, a infra-estrutura das escolas precisa guardar estreita relação com o projeto político-pedagógico. Por isso, ela defende que, nas áreas de assentamentos e da agricultura familiar, o currículo inclua o cuidado com a horta escolar. ?Assim, o trabalho funciona como princípio educativo. Além disso, o plantio ajuda a melhorar os hábitos alimentares?, disse.

No Acre, para integrar a instituição de ensino ao espaço das comunidades e despertar nas crianças a identificação com o ambiente, a idéia foi construir as escolas indígenas em forma de oca. No estado, segundo a representante da secretaria municipal de Rio Branco, Lígia Ribeiro, é difícil seguir o modelo convencional de oferta de ensino porque a população do campo é muito dispersa. ?Estamos pensando um modelo de educação infantil em áreas isoladas e de grande mobilidade?, afirmou.

A idéia, de acordo com Lígia, é levar o professor até as casas das famílias mais distantes e oferecer formação tanto às crianças quanto a seus pais. ?Muitos adultos são analfabetos?, lamentou. O projeto deve ser testado em 2009, com prioridade para a alfabetização de crianças, jovens e adultos. Cada professor deverá cuidar de até cinco famílias.

Apoio

O MEC oferece um modelo de escola para atender às crianças até seis anos na educação infantil. De acordo com o coordenador de Infra-Estrutura Educacional do Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE), Erinaldo Vitório, o modelo é adequado à realidade urbana e pode ser adaptado às especificidades de cada região. ?O MEC tem de velar pelo padrão mínimo de qualidade?, disse. Segundo Erinaldo, o FNDE oferece assistência técnica e/ou financeira para o desenvolvimento de projetos específicos.

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