MENU

Cresce procura por cursos não-presenciais no Brasil

Cresce procura por cursos não-presenciais no Brasil

Atualizado: Quarta-feira, 26 Março de 2008 as 12

O Censo da Educação Brasileira realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e pelo MEC (Ministério da Educação) revelou que a EAD (Educação a Distância) cresceu 1.867% no Brasil entre 2003 e 2006. Segundo o estudo, em 2003 havia 21.873 inscritos em cursos à distância; esse número subiu para 430.229 em 2006. Frederic Michael Litto, presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), atribui esse crescimento à boa aceitação que as pessoas passaram a ter pelos cursos não-presenciais. Para ele, essa aceitação aumentou por causa do maior volume de pessoas que querem estudar, mas não têm o tempo que um curso de graduação tradicional exige.

O Inep também comparou o desempenho dos alunos de cursos das modalidades tradicional e a distância no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Em sete das 13 áreas pesquisadas houve melhor desempenho de alunos da EAD. Quando a análise é feita somente entre os primeiros anos dos cursos, os alunos de cursos à distância se saíram melhor em nove das 13 áreas. Segundo Litto, isso se dá porque os alunos de graduação a distância precisam ter um grau maior de disciplina para poder aprender. "O mercado de trabalho está atento ao bom desempenho que alunos de EAD conseguiram no Enade", diz ele.

Mas apesar do crescimento do setor, ainda há receio por parte das empresas em contratar essa mão-de-obra formada nos cursos a distância. Segundo Marisa da Silva, consultora da Career Center, empresa de consultoria de empregos, o principal motivo que faz com que as companhias abdiquem de funcionários formados nos cursos a distância é o fato da modalidade ainda ser nova no Brasil. Além disso, Marisa afirma que outro fator importante nesse sentido é o de que muitos cursos são oferecidos por instituições que não tem grande reconhecimento no mercado. "As empresas ainda procuram alunos de cursos tradicionais. Mas se o candidato quiser fazer um curso a distância é preciso procurar uma universidade de nome reconhecido no mercado", aconselha ela.

Litto ressalta que o bom desempenho dos alunos de EAD no Enade ajudou a mudar a mentalidade de alguns gestores de empresas, que de acordo com ele, passaram a ver os benefícios de contratar alunos dos cursos não-presenciais. O presidente da Abed acredita que o aluno de EAD é mais disciplinado em comparação a alunos de ensino tradicional. "É preciso uma noção mais forte de disciplina para conseguir aprender em cursos a distância. Por isso, os alunos têm mais facilidade em lidar com prazos e tomam mais iniciativa", afirma Litto.

A opinião do mercado

Para a gerente técnica de estágios do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Sylvana Rocha, os alunos de educação a distância ainda sofrem preconceito por parte do empresariado. "O empresariado ainda é muito conservador. A freqüência em sala de aula é muito apontada como um fator importante", diz Sylvana. Ela estudou o tema a fundo quando realizou a pesquisa "A percepção de gestores educacionais e empresariais sobre o ingresso de estudantes de graduação a distância em programas de estágio" para sua defesa de tese de Mestrado.

"O candidato deve fazer a diferença em uma entrevista para emprego, não a modalidade de seu curso", afirma Sylvana, que conta também que muitos alunos de cursos superiores a distância acreditam que quando não são aprovados em um processo seletivo acham que o motivo seria porque a empresa preferiu um aluno de graduação tradicional. "Isso se dá porque o empresariado brasileiro considera que a aprendizagem só ocorre quando o ensino é presencial", diz ela.

Sylvana ressalta que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, não são só alunos mais maduros e já inseridos no mercado de trabalho que procuram a EAD. "Há jovens vão direto do ensino médio para a graduação a distância", afirma Sylvana. A EAD permite que jovens que moram longe das faculdades tenham acesso ao Ensino Superior. "É possível ter um estudante que more e trabalhe em São Paulo, faça o curso de graduação cuja universidade tenha sua sede no Paraná", explica.

Segundo Sylvana, por causa do preconceito, os empresários não vêem os benefícios que um empregado que curse uma graduação à distância pode oferecer. "O aluno de EAD tem um perfil com autodisciplina, maturidade e autonomia. Esse é o perfil que os empresários buscam", diz Sylvana. "Eles oferecem também uma facilidade de negociação de horários com o meio empresarial", acrescenta ela.

A proposta de Sylvana para que empresários passem a ser mais abertos em relação aos alunos de ensino a distância é a disseminação da modalidade. "A divulgação dos cursos seria a melhor maneira de fazer os empresários conhecerem a EAD", diz. "O desafio que temos é de conscientizar as pessoas que essa também é uma Educação Superior. A diferença é a forma que o conhecimento chega ao aluno", afirma ela. Em sua tese, Sylvana constatou ainda que os órgãos públicos são mais abertos à contratação de alunos de EAD do que empresas privadas.

veja também