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Crianças deveriam ter o seu dia especial durante o ano todo

Crianças deveriam ter o seu dia especial durante o ano todo

Atualizado: Quinta-feira, 13 Outubro de 2011 as 11:35

Estamos na semana das crianças. Junto ao natal e aniversário, esta data é muito esperada por elas. Ganham presentes e as escolas criam programações envolvendo brincadeiras. Elas têm muito para comemorar.

O papel da criança mudou bastante através do tempo. Para se ter uma idéia, na idade média, a visão que se tinha dela era de um adulto em miniatura já aos sete anos, quando compartilhava os afazeres dos mais velhos e sua educação se dava na convivência com eles. Com alta taxa de mortalidade infantil, sua vida não valia muito, reservando-lhe uma espécie de anonimato na sociedade. Inclusive, o infanticídio era tolerado.

Aos poucos, o olhar dos adultos sobre elas se modifica. Sua vida passa a ser respeitada e ganha importância dentro da família. Com os avanços da medicina, a taxa de mortalidade diminui. Sua educação vai pouco a pouco passando para a escola. As mudanças continuaram. Diferentes em cada parte do mundo. E acompanharam as transformações na família.

Hoje, a criança ocupa lugar importante na família e na sociedade. Em nosso país, elas começaram a ter mais importância no início do século XX, quando o poder público passa a ter cuidado maior com elas como forma de tornar o país mais moderno.

Em 1920, foi criado o dia das crianças por um político – 12 de outubro. A ONU criou o dia 20 de novembro como o dia universal das crianças, data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos das Crianças no ano de 1959, que estabelece que todas elas devem ter proteção e cuidados especiais antes e depois de seu nascimento.

Claro que essa foi uma rápida pincelada sobre sua história. Mas já dá para sentir a diferença de antes e hoje. De um tempo sem direito algum, para outro em que existem leis que as protegem.

Como disse, temos muito que comemorar. As crianças devem ser homenageadas. No entanto, ainda receio essas datas. Isso, porque, se faz muito nesses dias pelo homenageado. Mas, e os outros tantos dias?

Em nosso país, apesar dos vários projetos e leis em prol da infância, vemos com freqüência menores pedindo nas ruas, prostituindo-se, sendo jogados em celas para usufruto de presos (com a conivência de superiores), sendo mortos e agredidos fisicamente pelos seus pais (recém-nascidos são depositados em latas de lixo), drogando-se a céu aberto sem que nenhuma autoridade faça nada.

As escolas que a maioria freqüenta não têm qualidade, o que provavelmente perpetuará sua condição social e financeira quando for adulta.

Dentro de muitas famílias, a criança ainda não tem lugar. Principalmente naquelas em que o casamento dos pais foi desfeito. Viram ponto de honra entre eles. Não pelo amor que sentem pelos filhos, mas pela raiva que sentem um pelo outro. Colocam seus descendentes em posições constrangedoras, levando à justiça questões financeiras. Sem contar as ameaças que sofrem de serem tirados daquele que os cria.

Não bastam projetos bonitos e modernos. Precisamos de que as coisas aconteçam na prática. E atenda um número grande de crianças e famílias. Para que todos possam ser felizes, garantindo um futuro melhor. Ainda há muito que fazer.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

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