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Cursinhos populares são opções econômica para chegar à faculdade

Cursinhos populares são opções econômica para chegar à faculdade

Atualizado: Sexta-feira, 6 Fevereiro de 2009 as 12

A quantidade de cursinhos pré-vestibulares espalhados pelo País, inclusive alguns especializados em determinadas instituições, pode confundir a cabeça do estudante na hora de escolher a alternativa ideal. Porém, há um ponto em comum entre a maioria deles: o preço. O alto custo de muitos desses cursos preparatórios acaba acentuando uma elitização do ensino superior público. Para minimizar tais efeitos, surgiram por volta da década de 80, os cursinhos populares, destinados às pessoas de baixa renda e aos egressos de escolas públicas. É corriqueiro, dentre esse tipo de curso pré-vestibular, que a iniciativa tenha partido dos centros acadêmicos ou de um grupo de professores das próprias universidades almejadas. 

Um dos melhores exemplos é o ''Cursinho da Poli'', que nasceu no ano de 1987, por iniciativa da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), coordenada pelo grêmio dos estudantes desta mesma instituição. ''O intuito sempre foi o de promover o ingresso de número maior de alunos da escola pública na universidade pública'', resume a coordenadora do cursinho, Alessandra Venturi. Outro que surgiu a partir de uma iniciativa semelhante, foi o Cursinho do XI de agosto, que surgiu no âmbito do centro acadêmico de mesmo nome, dos alunos da faculdade de Direito da USP. Hoje, com 13 anos de existência, ainda conta com apoio da faculdade, mas é administrado pela Fundação Pró-Cultura Cidadã. Mais uma vez, o objetivo dos idealizadores da iniciativa é proporcionar aos alunos os subsídios ao preparo para ingresso numa universidade pública.

O CIPE (Centro Interescolar Preparatório Estudantil) Pró-USP, tem história um pouco diferente. Foi criado pelos funcionários da USP de Ribeirão Preto para atender exclusivamente aos funcionários do campus. Ampliado para a comunidade, ocupa as salas da faculdade de odontologia daquela instituição. As turmas são compostas, em sua maioria, por pessoas que pararam de estudar há muito tempo e funcionários da USP que desejam mudar de cargo. Mas as inscrições estão abertas também para vestibulandos em geral. No último vestibular, 21 alunos do CIPE foram aprovados em diversos cursos da USP Ribeirão Preto. "E ainda não temos os resultados das outras federais", salienta o coordenador do cursinho, Carlos Alberto Pereira Bezerra, que também é agente de segurança daquele campus.

Seleção de alunos

Para garantir que os inscritos sejam realmente pessoas sem condições de pagar por um cursinho pré-vestibular privado, o CIPE realiza entrevistas com perguntas relacionadas às condições sócio-econômicas dos candidatos. O Aprove, que foi criado em 1993 por um grupo de professores, deixou de realizar esse tipo de entrevista há três anos. "Não fazemos mais a pré-seleção, mas quem nos procura são pessoas de renda mais baixa. No entanto, temos uma diversidade muito grande de alunos", conta o coordenador do cursinho, Robson Bonelli.  

No cursinho da Poli, que tem cerca de sete mil alunos - 80% oriundos de escolas públicas -, a entrevista também não existe. "Se o aluno precisa de bolsa, aí sim a assistência social faz essa analise. Conforme a necessidade dos alunos, sabemos quanto podemos dar de bolsa", explica Alessandra Venturi. Nesse modelo, e sem patrocínio ou apoio de entidades privadas, as bolsas são proporcionais aos alunos que pagam o valor integral.

Mesmo quando a questão financeira não é uma limitante, os cursinhos vêem necessidade de selecionar os inscritos. No modelo atual adotado pelo cursinho da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), 95% das vagas são destinadas à comunidade, aos alunos de escolas públicas e de baixa renda. As 5% restantes são exclusivas para servidores técnico-administrativos da própria instituição. Totalmente gratuito, o cursinho cruza três tipos de dados antes de confirmar a matrícula dos interessados. Exige que os alunos sejam de escolas públicas, avalia as notas do Ensino Médio e realiza a entrevista sócio-econômica. Com uma fila de espera de mais de cinco mil alunos, Otávio Augusto Auler Rodrigues, criador e coordenador do cursinho, garante que o modelo disciplinar é bem rígido. "A cada quatro faltas sem justificativa, o aluno é excluído e outro é chamado. A sala nunca está vazia", orgulha-se Rodrigues.

Redução de custos

Uma das dificuldades enfrentadas pelos cursinhos populares diz respeito, justamente, ao valor das mensalidades. Aqueles que não contam com apoio de instituições para fornecimento de salas e mesmo de professores voluntários, precisam administrar o valor cobrado, que não pode ser alto, e os custos. 

Como uma das fontes de custo é o material didático, há cursos pré-vestibulares que optam por desenvolver metodologia e material próprios. É o que aconteceu com o Aprove e com o Cursinho da Poli, por exemplo. Ambos contaram com a experiência dos professores para tanto. "Temos professores que trabalham em curso pré-vestibular há 30 anos e o conteúdo do ensino médio é fixo para todo o País. Então, as apostilas e as aulas buscam fazer uma síntese do que o aluno teve no ensino médio", explica Bonelli, do Aprove.

Já o Cursinho da Poli aproveitou a necessidade de desenvolver as próprias apostilas para adequar o material às necessidades dos alunos, que em geral têm formação carente de conceitos fundamentais. "Tem muitos alunos que não tiveram matérias básicas. Então, trabalhamos muito com imagens, gráficos e tabelas", explica Alessandra Venturi, do Cursinho da Poli. Além disso, oferecem aulas paralelas de reforço que incluem os conceitos básicos.

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