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Curso de veterinária para alunos de assentamentos é inaugurado no RS

Curso de veterinária para alunos de assentamentos é inaugurado no RS

Atualizado: Sexta-feira, 15 Abril de 2011 as 9:48

O curso de medicina veterinária exclusivo para alunos provenientes de assentamentos começou oficialmente nesta quinta-feira (14) na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul. No total, 60 alunos de nove estados foram beneficiados com o projeto e já assistem às aulas desde o início de março.

A possibilidade de oferecer o curso de veterinária para assentados surgiu em 2007, quando foi firmado um convênio entre a UfPel e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), mantido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Porém, o Ministério Público de Pelotas entrou com uma ação civil contra a realização do curso, como explicou ao G1 a coordenadora nacional do Pronera, Clarisse dos Santos. A graduação só teve início neste ano, após a longa disputa judicial que terminou com o parecer favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao Incra no final de 2010.

“É o primeiro curso de veterinária para esse público. Temos muitos outros em praticamente todas as áreas, principalmente com o foco em formação de educadores. Já tivemos cursos de agronomia no Pará, Sergipe e Bahia. Temos também história, geografia, letras, além de jornalismo no Ceará e direito em Goiás”, afirmou Clarisse.

Os cursos não são oferecidos regularmente, são realizados apenas para uma turma especial.

A professora Margarida Buss Raffi, integrante do colegiado que coordena o curso, explicou ao G1 que os alunos têm uma carga horária maior por dia e estudam em período integral, inclusive aos sábados.

“Normalmente, o semestre tem 17 semanas, mas os alunos regulares ficam com alguns horários vagos. Já os estudantes dos assentamentos têm aulas em todos os horários e cumprem a mesma carga horária, mas de forma concentrada”, disse Margarida. No total, são 12 semanas de aula do curso especial a cada semestre.

“É uma maneira de evitar que o aluno se mude para a cidade para estudar, para não cortar os vínculos dele com o campo. Eles saem somente nos três meses que formam o período de estudos e depois, quando voltam para o campo, levam atividades complementares e são acompanhados à distância”, afirmou Clarisse.

Acomodação

De acordo com Clarisse, o Pronera não oferece bolsa de estudos diretamente para alunos. Todo o dinheiro é dado para a universidade, que se encarrega de administrar o necessário para a manutenção dos estudantes.

“Eles ficam hospedados em um alojamento da universidade e o Pronera destina recursos à instituição para o pagamento de alimentação, hospedagem e transporte. Se não tivessem esse apoio, dificilmente esses alunos conseguiriam se manter estudando”, disse Clarisse.

Emoção

Segundo Clarisse, foi difícil conter a emoção após a aula inaugural. “Para nós, é uma grande conquista. Esperamos quatro anos por isso. O mais importante é observar que a universidade se renova com um público que normalmente não teria acesso à universidade se dependesse do acesso regular”, afirmou.

Apesar de todo o problema na Justiça, Margarida afirma que os alunos de assentamentos não tiveram problemas para aceitação pelos outros estudantes da universidade. “O diretório acadêmico da veterinária foi conversar com a turma e se colocou à disposição. Claro, sempre vai ter alguém contrário, mas quem representa os estudantes os recebeu bem e os convidou a participar das ações do curso.”

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