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Curso mais procurado do SiSU reúne engenharia, computação e cinema

Curso mais procurado do SiSU reúne engenharia, computação e cinema

Atualizado: Quinta-feira, 3 Fevereiro de 2011 as 11:24

Inaugurada em 2006, a Universidade Federal do ABC, com campi em Santo André e São Bernardo do Campo, no ABC paulista, teve pelo segundo ano consecutivo o curso mais procurado pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU): o bacharelado de ciência e tecnologia. No primeiro ano de funcionamento do sistema que seleciona estudantes pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2010, 16.253 candidatos se inscreveram para disputar 1.500 vagas.

Neste ano, a concorrência aumentou: 17.829 estudantes se inscreveram para as mesmas 1.500 vagas do bacharelado de tecnologia da UFABC.  O segundo curso mais procurado foi direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com 7.709 inscritos na disputa por 306 vagas.

"Tínhamos dúvidas se ao entrar no SiSU os estudantes conseguiriam ver as possibilidades do nosso projeto. Mas pelo visto, os meninos entenderam bem", diz o coordenador do bacharelado de ciência e tecnologia da UFABC, Dácio Roberto Matheus.

O curso, com duração mínima de três anos, tem 47,4% de disciplinas obrigatórias. Entre as opções estão: base das ciências modernas, fenômenos eletromagnéticos, linguagens de programação, transformações químicas.

Outras 30% das disciplinas são chamadas de opção limitada e são selecionadas dentro de um grupo pré-determinado constituído por matérias das áreas de engenharia, matemática e computação e ciências da natureza e humanismo. Aulas de álgebra linear, ciência na antiguidade, circuitos digitais, educação científica, filosofia da região e práticas da ecologia estão entre as opções.

O restante da grade, 22,6%, é composto por opções livres. O universitário escolhe opta por aulas sobre história medieval, cinema, cidadania, direitos humanos, entre outras.

Depois de concluir o bacharelado, o estudante pode optar por continuar na universidade e fazer disciplinas de um curso mais específico. Pode, por exemplo, se formar em engenharia de energia, ou em engenharia de gestão, ou ainda, em bacharelado em química ou em licenciatura em matemática. No total, são oito opções de engenharia, cinco bacharelados e quatro licenciaturas.

O curso te ensina a lidar melhor com os problemas. Você consegue conversar sobre várias áreas e assim fica mais fácil lidar com seu trabalho no futuro."

Stephanie Machado, de 20 anos, aluna do bacharelado de ciência e tecnologia da UFABC

Para o pró-reitor de graduação da UFABC, Derval dos Santos Rosa, o bacharelado interdisciplinar rompe com as fronteiras da ciência. "Permite a formação de um profissional que não é generalista porque tem embasamento, mas ao mesmo tempo, consegue transitar por diversas áreas."

"Formamos todos os anos 1.500 bacharéis em ciência e tecnologia. Mas nunca são 1.500 profissionais iguais. É uma formação universal com horizontes ampliados", afirma o coordenador Matheus.

Nathália Simone, de 22 anos, concluiu o bacharelado de ciência e tecnologia em 2009 e no ano passado terminou o bacharelado em química. Agora cursa a pós-graduação em química também pela UFABC. "Estava na primeira turma do bacharelado de ciência. Não sabia muito bem o que era e no início foi um choque porque há a influência de várias disciplinas. Tinha muita dificuldade com programação. Foi um desafio porque você se vê obrigado a estudar coisas que não tem muita afinidade."

Para Nathália, embora tenha tido dificuldades no início, a formação interdisciplinar é vantajosa. "Prepara o aluno para a diversidade e, numa roda de amigos, por exemplo, você consegue entender e se inserir melhor em vários assuntos."

Stephanie Uglik Machado, de 20 anos, concluiu cerca de 70% do bacharelado em ciência e já cursou algumas matérias de engenharia ambiental, na qual pretende se especializar. Também quer estudar engenharia química.

Entre as disciplinas de química e biologia, fundamentais para a carreira, Stephanie estuda filosofia. "Me surpreendi com a faculdade porque o curso te ensina a lidar melhor com os problemas. Você consegue conversar sobre várias áreas e assim fica mais fácil lidar com seu trabalho no futuro."

Stephanie diz que apesar de filosofia não estar diretamente ligada à profissão que quer seguir, ela traz bons resultados. "Deixa de ser uma grade básica de engenharia e tira o foco desta coisa pensar em números. A filosofia te faz pensar em coisas que você nunca tinha pensado antes."

Expansão

O bloco A do campus de Santo André, principal prédio da universidade, começou a receber os alunos em setembro do ano passado depois de uma série de atrasos no cronograma de obras.

O primeiro prédio a ficar pronto, em 2008, foi o bloco B. A aulas na UFABC começaram no mês de setembro de 2006 e, por dois anos, até a primeira sede ser concluída, os estudantes foram abrigados em instalações provisórias, assim como ocorre com os alunos do campus de São Bernardo.

Enquanto as obras iniciadas no bairro Anchieta, em São Bernardo, no mês passado não ficam prontas, os estudantes têm aulas em um colégio adaptado no centro da cidade. A previsão é de que as obras sejam entregues em abril de 2012.

A terceira cidade a receber um campus da UFABC será Mauá, também no ABC paulista. De acordo com a universidade há a intenção de construir o prédio em uma área que pertence ao INSS e fica próximo a Prefeitura de Mauá e ao acesso do trecho do sul do Rodoanel. Não há previsão de início das obras.

PorVanessa

Fajardo

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