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Dirigentes da UNE descartam apatia estudantil e apostam na irreverência

Dirigentes da UNE descartam apatia estudantil e apostam na irreverência

Atualizado: Segunda-feira, 26 Abril de 2010 as 12

Estudantes de todo o país estão chegando para o 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais da União Nacional dos Estudantes (Coneg/UNE). O encontro é no Centro Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CT/UFRJ), na Ilha do Fundão. Além das discussões sobre a entidade, dirigentes fizeram uma avaliação do movimento estudantil no Brasil. A UNE é considerada pelos seus líderes como o mais representativo movimento da juventude do país. Alguns deles afirmam que o debate político e o engajamento estão firmes e fortes nas escolas e universidades.

Bichos-grilos deram lugar aos estudantes irreverentes

Para Daniel Iliescu, estudante de ciências sociais da UFRJ e coordenador de gestão da UNE, não existe apatia entre os estudantes brasileiros. "Eu discordo desse discurso tradicional, que retrata essa juventude como apática, consumista e individualista. É óbvio que há muitos jovens com essa postura, mas é preciso dar visibilidade aos jovens que participam, que querem dar opinião, se manifestar e se expressar, seja através do movimento estudantil tradicional ou em projetos voluntários", ressalta Iliescu.

"O perfil do estudante bicho-grilo ainda é muito presente. Entretanto, hoje, eu acho que a cara do movimento estudantil brasileiro é a alegria, a irreverência, o ânimo e a criatividade", destaca o dirigente. Ele ressalta que não é necessário fazer atos de protesto com mau humor, ou com rancor. "A tristeza, um discurso muito raivoso, tudo isso afasta. Um discurso para cima, esperançoso, apaixonado e patriótico aglutina as pessoas", observa Iliescu.

Joanna Paroli, que estuda enfermagem na Universidade Católica de Salvador (UCSal) e ciências políticas na Universidade Federal da Bahia (UFBA), é diretora de universidades privadas da UNE. Assim como Iliescu, o discurso dela também ressalta o engajamento estudantil. "Hoje, os estudantes têm mais acesso à informação. Por isso, acredito que eles estejam muito mais politizados", comenta. "Para mim, é uma falácia os meios de comunicação apresentarem os estudantes como apáticos", acrescenta.

Visual deixa de lado saias e barbas e aposta em camisetas de protesto

Nos corredores e no auditório do CT/UFRJ, os jovens militantes do movimento estudantil trocaram tradicional o visual "barbudinho", para eles, e o modelito "hippie de sandália rasteirinha", para elas. Eles adotaram o jeans, as bermudas e as camisetas com frases e símbolos de protesto. "Hoje, eu costumo usar calças, com muitos bolsos, além de tênis e camiseta", conta Daniel Iliescu. O notebook também é um equipamento cada vez mais utilizado.

O cigarro, muito consumido nas décadas passadas, quase não é mais visto. Também diferentemente de tempos atrás, poucos homens usam barbas. Alguns estudantes, "fashion", não dispensavam óculos-escuros e penteados bem ajeitados, como o próprio presidente da UNE, que não deixou de arrumar o cabelo com um gel bem aplicado.

UNE vai decidir posicionamento nas eleições presidenciais 2010

Na pauta do 58º Coneg estão, principalmente, a luta para que 50% dos recursos vindos da exploração de petróleo na camada pré-sal sejam destinados à educação, e o posicionamento da UNE nas próximas eleições presidenciais. Sobre o pleito, os debates prometem ser acalorados, já que há várias correntes dentro da entidade com diferentes pontos de vista.

O presidente da UNE, Augusto Chagas, que é filiado ao PCdoB, não defende o apoio ou a oposição da entidade a determinado candidato, partido ou projeto político, pelo menos no primeiro turno. "Claro que a UNE não pode ter uma posição de neutralidade. Agora, na minha opinião, o melhor cenário é sair do Coneg com um programa que seja apresentado aos diferentes candidatos a presidente", concluiu Chagas.

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