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Distrações elementares são comuns no vestibular

Distrações elementares são comuns no vestibular

Atualizado: Segunda-feira, 10 Agosto de 2009 as 12

Parece uma expressão aritmética, você se prepara, estuda, treina, tira dúvidas, resolve exercícios e simulados, faz o vestibular e vai bem na prova. Mas na realidade o processo por uma vaga na universidade não é tão linear assim. Há diversas variáveis no caminho e até coordenadores de vestibulares concorridos admitem que muitos erros aparentemente simples comprometem a chance de candidatos que procuraram se preparar adequadamente para a avaliação. São os mais variados deslizes, alguns tão simples que podem até provocar o descaso nos vestibulandos.

Um exemplo aparentemente improvável é que os vestibulandos não lêem os enunciados com atenção. Pode parecer absurdo pensar que um candidato ao vestibular erre uma questão não porque não saiba a resposta, mas porque não entendeu o que o enunciado pede. Entretanto, esse foi o grande erro que Renato Pedrosa, coordenador do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), destacou ao ser perguntado qual afinal é o grande erro que os vestibulandos cometem ao resolver a prova.

"Muitos se prejudicam e comprometem seu desempenho na prova por não ler o enunciado. Eles simplesmente não respondem o que foi perguntado", dispara Pedrosa. O coordenador do vestibular da Unicamp destaca que é fundamental prestar atenção nisso porque, em muitos casos, o enunciado traz muito mais do que se supõe. "Em muitos casos, há no enunciado mesmo informações para a resposta da questão. Às vezes, ler o enunciado com cuidado é mais importante do que a informação que o estudante traz para a prova. É preciso ter cuidado e evitar que o nervosismo e a afobação atrapalhem a atenção nessa hora", diz Pedrosa.

Quem também faz o alerta em relação ao problema da falta de atenção com a leitura da prova é Tânia Cristina Arantes Macedo de Azevedo, diretora acadêmica da Vunesp e responsável pelo vestibular da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Dentro da lógica de que o candidato se preparou para a prova, Tânia alerta para a necessidade de atenção com os enunciados. "Tem de ter confiança no seu trabalho. Ir para a prova descansado e confiante. E o estudante tem de ter em mente a necessidade que a leitura da prova tem. Precisa ler com atenção", afirma ela.

Além de entender o que as questões estão de fato pedindo, Pedrosa destaca a importância de conhecer o modelo do vestibular que se quer prestar. Segundo ele, ao escolher determinada universidade, o vestibulando precisa se preocupar em não apenas praticar a matéria estudada com a resolução de exercícios ou treinar os modelos de redação mais comuns para garantir um texto nota 10. Deve, antes de mais nada, buscar modelos de provas já aplicados pela instituição para entender a estrutura da prova e assim ganhar tempo.

"O tempo é caro numa prova longa. Se precisar gastar tempo para entender a prova antes da resolução é ruim. Em geral, os candidatos procuram, na fase de preparação resolver exercícios e questões de vestibulares anteriores. Isso é bom para que eles não se assustem na hora de resolver a prova. É sempre bom treinar, ganha-se tempo. Por exemplo, ele vai ganhar tempo se souber quais são os tipos de texto que o vestibular da Unicamp pede, caso vá fazer essa prova", explica Pedrosa.

A resolução de vestibulares de anos anteriores tem, segundo Pedrosa, outra função importante na preparação para a prova. O coordenador do vestibular da Unicamp diz que, com esse tipo de atividade, o candidato consegue perceber se está suficientemente preparado para aquela prova. Pedrosa destaca que essa é uma maneira de o estudante saber de antemão se sua preparação está à altura do desafio proposto em determinado vestibular. "Isso é importante para que ele saiba se o nível em que ele está é ou não suficiente para resolver a prova", resume ele.

Outro problema comum que acaba com o sonho de muito vestibulando de entrar na universidade está na linha das distrações elementares. Acredite ou não, as questões consideradas fáceis são um grande problema. "O estudante tem de saber que todas as questões tem o mesmo valor, o mesmo peso. As simples, que têm função motivadora, e as mais complicadas. Nesse sentido, as questões mais simples não podem ser desperdiçadas. Quando pensamos o vestibular, geralmente orientamos (os elaboradores) que a primeira questão seja motivadora, até para contribuir com o aspecto emocional", afirma Tânia. Confira abaixo um trecho da entrevista com a professora Tânia.

Essa dificuldade na linha de prioridades dos estudantes na hora de resolver a prova mais uma vez reflete no tempo disponível para a resolução da avaliação. De acordo com Pedrosa, muitos deles não sabem administrar corretamente o tempo para a resolução da avaliação, gastam períodos grandes para resolver questões difíceis e não dão a mesma importância para as questões consideradas mais simples. De novo elas, as fáceis, que poderiam ser pontos garantidos, são desperdiçadas.

"Precisa ter atenção e resolver as mais fáceis com cuidado para garantir. A chance de errar uma questão mais difícil é maior, se desperdiçar as mais fáceis, o candidato terá um prejuízo muito grande. São questões que o candidato bem preparado tem de acertar", alerta Pedrosa. A professora Tânia engrossa o coro e chama a atenção dos vestibulandos para esse problema. "Eles se aplicam nas mais difíceis, mas nas mais fáceis eles são desatentos e é muito comum que errem questões simples porque eles fazem correndo, dedicam menos tempo para elas", diz Tânia. Para aqueles que cometem esse erro, Pedrosa reforça a máxima citada também por Tânia. "Tanto faz se é difícil ou fácil, elas valem a mesma coisa. Não é o grau de dificuldade que vai dizer se a questão vale mais ou não".

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