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Dividida, UnB adia votação sobre a "Concursobrás"

Dividida, UnB adia votação sobre a "Concursobrás"

Atualizado: Segunda-feira, 30 Maio de 2011 as 1:13

Dividido e cercado por incertezas, o conselho universitário da Universidade de Brasília (UnB) decidiu adiar para a próxima sexta-feira (3) o posicionamento formal sobre a transformação do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) em uma espécie de "Concursobrás". A medida, proposta pelo Ministério da Educação (MEC), pretende reestruturar o centro - que integra a UnB - em uma empresa pública focada em processos de seleção, certificações e exames, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Para aceitar a empreitada, a UnB elaborou uma lista de condições: quer ficar com pelo menos 10% da receita do novo Cespe, indicar os membros da diretoria executiva e receber tratamento prioritário na prestação de serviços à empresa. Setores da universidade, no entanto, temem que as reivindicações não sejam preservadas no texto final, caso vire medida provisória ou projeto de lei. Em 2010, a universidade recebeu R$ 46,9 milhões do Cespe, o equivalente a 17% do faturamento de R$ 271,5 milhões do centro.

"A empresa pública é o cunhado que casou com a irmã da gente e resolve se separar depois. A gente gosta dele, ele vem na primeira festa das crianças, visita a ex-sogra e dali a seis meses arruma outra mulher. O Cespe vai deixar de ser nosso parente", disse o professor Volnei Garrafa, da Faculdade de Ciências da Saúde. Na opinião do estudante de ciência política Mateus Lôbo, não há certeza de que o modelo defendido pela UnB será efetivamente aplicado. "O processo legislativo é uma coisa complicada. A UnB tem força política para isso?", ponderou.

Também foi discutida a composição do conselho de administração - o parecer elaborado pelo decano de assuntos comunitários, Eduardo Raupp, prevê três de representantes da UnB e outros três do governo federal. Há quem defenda um maior número de integrantes da instituição.

Regularização

A criação da "Concursobrás" seria uma saída para regularizar a situação do Cespe. O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades no pagamento de funcionários, determinando que elas sejam sanadas até 30 de junho. "Esse conselho não pode se furtar à urgência que é dada. Não consigo ver nenhuma outra saída. Nunca fomos uma universidade com medo, ou fomos?", questionou a professora Gardênia Abbad, diretora do Instituto de Psicologia.

Para Raupp, a UnB tem poder de negociação com o MEC. "Não se constitui essa expertise da noite pro dia; é aí que creio que temos condições de viabilizar essa proposta; não há como criar um Cespe de hoje pra amanhã".

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