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Enem já facilita a entrada em mais de 500 universidades

Enem já facilita a entrada em mais de 500 universidades

Atualizado: Quinta-feira, 28 Agosto de 2008 as 12

Mais de 72% dos que fazem a prova adimitem que motivação é vestibular

Mais de quatro milhões de estudantes que concluirão neste ano ou já terminaram o Ensino Médio em anos anteriores prestarão o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) neste domingo, 31 de agosto. Mais do que simplesmente fazer o exame para avaliar o desempenho escolar, o Enem conquistou um novo objetivo: pode facilitar a entrada em muitas universidades. Atualmente, a nota obtida na avaliação é usada como um dos meios de ingresso em 525 IES (Instituições de Ensino Superior) do Brasil, além de possibilitar a participação em programas governamentais de acesso ao Ensino Superior, como o ProUni (Programa Universidade para Todos).

A prova possui caráter voluntário, mas mesmo assim o número de inscritos tem aumentado a cada ano. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) realiza anualmente um levantamento para descobrir o principal interesse dos alunos em participar da prova. Foi constatado que 72,23% dos participantes do Enem 2007 tinham como meta o ingresso num curso superior e apenas 16% afirmaram que o exame ajuda a testar o conhecimento e a capacidade de raciocínio. Para se ter uma idéia, em 2004, o motivo mais apontado pelos candidatos ao prestar o Enem era testar conhecimentos e capacidade de raciocínio, argumento usado por 44,68% dos que fizeram a prova naquele ano. Usar o teste como forma de entrar na universidade era razão dada por apenas 42,73% dos entrevistados. Mas desde 2005 "entrar na faculdade" passou a ser o principal motivo apontado pelos candidatos. Desde então, essa alegação sempre superou a marca dos 60%.

Por causa da nota transformada em pontos extras ou até mesmo como forma direta de ingresso no vestibular, os colégios de Ensino Médio tem investido cada vez mais na participação de seus alunos da prova. A professora Vera Soubihe Cozza, coordenadora pedagógica do Colégio Ábaco, em São Bernardo do Campo, acredita que a escola forma o aluno para o vestibular e tendo em vista a utilização da nota do Enem para ingresso em IES, a participação dos estudantes da instituição no exame é incentivada. De acordo com Vera, neste ano, dos 126 alunos do terceiro ano do Ensino Médio, 95 se inscreveram para a avaliação.

O Enem é composto por 63 questões de múltipla escolha e uma redação. O inscrito terá cinco horas para realizar a prova. A avaliação é interdisciplinar e contextualizada. Segundo o Inep informa em sua página na internet, o teste difere dos vestibulares tradicionais, em que há uma excessiva valorização da memória e dos conteúdos em si. O Enem coloca o estudante diante de situações-problemas que exigem conhecimento em aplicar os conceitos.

Na opinião de Vera, a metodologia do Enem é diferente, por exemplo, daquela usada no Colégio Ábaco, que assim como em outros colégios que frisam o vestibular, valorizam o conteúdo e não da interdisciplinaridade. Para que os alunos tenham um bom desempenho, Vera diz que os professores procuram trabalhar aspectos da prova, e o método de ensino utilizado elabora simulados específicos para a prova que familiarizam o aluno com a avaliação.

De acordo com o MEC (Ministério da Educação), o Enem tem como principal objetivo testar o desempenho do estudante ao término do Ensino Médio para aferir desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania. O exame não mede a capacidade do estudante de assimilar e acumular informações, e sim o incentiva a aprender a pensar e a refletir. Valorizaria, portanto, a autonomia do jovem na hora de fazer escolhas e tomar decisões.

Aloysio Costa, coordenador de curso do Fundamental II e Médio do Colégio Augusto Laranja, compreende a necessidade do exame. Segundo ele, o trabalho interdisciplinar tem início na oitava série e finaliza apenas no terceiro ano do Ensino Médio. "Trata-se de um trabalho contínuo para obter o resultado esperado", afirma Costa. No colégio os alunos também participam de simulados internos tanto para o Enem quanto para os vestibulares em geral.

"O Enem além de medir o Ensino Médio para o governo, é suporte para os vestibulares. Afinal, algumas IES utilizam a nota do teste", lembra Costa. Tendo em vista a necessidade de buscar bom desempenho no exame, Costa declara que o colégio incentiva que a preparação seja feita até a sexta-feira anterior à prova. No final de semana é tempo de concentração, cuidar do sono e da alimentação, segundo Costa. No sábado a instituição oferecerá atividades esportivas. De acordo com o coordenador, o resultado depende do equilíbrio entre tempo de estudos e lazer.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie é um dos vestibulares que utiliza a nota do Enem, desde que o resultado da prova, segundo os critérios estabelecidos pela instituição, que podem ser divergentes a cada ano, favoreça o candidato. Segundo o coordenador da comissão de processo seletivo da Mackenzie, Waudimir Carbone, o vestibular ocorre em apenas uma fase e tem como embasamento teórico o conteúdo. O uso do Enem ofereceria então a contextualização e a interdisciplinaridade que aliadas a prova tradicional tornariam a avaliação mais correta, na opinião do coordenador.

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