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Ensino superior na Inglaterra pode ficar mais caro para brasileiros

Ensino superior na Inglaterra pode ficar mais caro para brasileiros

Atualizado: Quarta-feira, 22 Dezembro de 2010 as 9:55

Embora o aumento dos valores nas universidades, que motivou protestos em Londres neste mês, não inclua mudanças na cobrança de estudantes estrangeiros, brasileiros que planejam estudar na Inglaterra poderão sofrer reflexos. Enfrentando cortes de verbas, o futuro do ensino superior inglês para alunos de fora do Reino Unido gera controvérsia.

Em entrevista ao Terra , o pesquisador em políticas e gestão de ensino superior na Universidade de Kingston, em Londres, Steve Woodfield, observa que as taxas para os "overseas students" (estudantes estrangeiros, entre eles brasileiros) são definidas pelas universidades, sem controle do governo. Porém, o especialista prevê um acréscimo menor do que os ingleses terão que desembolsar para pagar seus estudos.

"Como a alta da taxa apenas irá transferir os custos dos cursos para os estudantes e não ampliará o investimento no ensino superior, atrair estrangeiros ainda será muito importante para as instituições do Reino Unido por razões financeiras", explica Woodfield.

Para Nigel Thrift, reitor da Universidade de Warwick, na região central da Inglaterra, esses alunos não sofrerão um impacto financeiro, já que o governo cortou apenas parte das verbas para o ensino dos britânicos. No entanto, o presidente da união dos estudantes da Universidade de Cambridge, Tom Chigbo, prevê um futuro diferente.

"É difícil imaginar outra coisa do que universidades seguindo a elevar as taxas para alunos internacionais, ao menos para ajudar a preencher a lacuna deixada pelos cortes", opina.

Chigbo ressalta que a União Nacional dos Estudantes inglesa tem feito uma forte campanha para limitar a anuidade para alunos de fora. Brasileiros em busca de qualificação acadêmica na Inglaterra investem alto. No sistema atual, pagam, muitas vezes, quase o triplo do teto válido para residentes, que hoje é de 3.290 libras anuais. O parlamento aprovou o plano que permite elevar a tarifa máxima a ser paga por ingleses para 9.000 libras por ano, o que deve entrar em vigor em setembro de 2012. Estudantes da União Europeia pagam o mesmo que um britânico em um curso superior no Reino Unido.

"As instituições britânicas fixam valores por ano para alunos internacionais em um nível que elas acham que o mercado irá tolerar, o que é, em geral, mais do que 9.000 libras. Cursos populares e de ensino mais caro custam muito mais, perto de 20.000 libras", observa o pesquisador da Universidade de Kingston.

Para seguir recebendo estudantes do Exterior, Thrift aposta em uma maior oferta de bolsas oferecidas pelas próprias instituições, principalmente para a pós-graduação. Na Universidade de Warwick, exemplifica, um programa com custo de 1,5 milhão de libras está sendo criado para disponibilizar bolsa integral a 17 estrangeiros. Atualmente, a instituição conta com 1.500 pós-graduandos de 93 países.

"Essa é a mudança mais interessante. Acredito que o programa irá refletir e se basear na característica já global da nossa população de estudantes", espera o reitor.

Apesar das mudanças propostas para frear a imigração não atinjam diretamente os acadêmicos, o setor expressa preocupação sobre as medidas, afirma Woodfield. Ele aponta que o governo está procurando controlar o número de vistos de trabalho após os estudos, o que poderia dissuadir estrangeiros que procurariam emprego no Reino Unido após receber o diploma.

A dica é planejar

Terminando sua tese do mestrado em políticas e pesquisa sociais na Universidade de Southampton, a brasiliense Sabrina Ionata de Oliveira Granheim, 28 anos, se diz aliviada por ter vindo à Inglaterra antes do acréscimo da anuidade. Voltar para seguir em um doutorado em terras britânicas apenas com bolsa em uma das melhores universidades, avisa.

"Quem quer vir acho que deve ter em mente que estudar por um tempo e voltar é o mais provável. De dez brasileiros amigos meus, apenas um conseguiu no Reino Unido após o mestrado", conta Sabrina, que retornaria ao Brasil em janeiro, se não tivesse se mudado para a Noruega com o marido.

Já Tatiana Porto, 29 anos, se prepara para deixar São Paulo no final de janeiro e retomar a vida acadêmica na Inglaterra - desta vez, para começar o doutorado em Bioquímica na Universidade de Essex, em Colchester. Embora o valor para o ano acadêmico de 2011-2012 não tenha sofrido alteração, seu curso terá duração total de três anos.

"O planejamento é fundamental. Nós, brasileiros, ficamos à mercê não só do aumento da anuidade, mas também do câmbio. É um investimento a longo prazo que precisa ser bem pensado", alerta Tatiana, que terminou o mestrado em Biotecnologia em setembro.

Em uma área em que a formação fora do Brasil confere um diferencial ao currículo, a futura doutoranda conta com a ajuda dos pais para os estudos.

"Olhando para trás, valeu cada centavo investido, porque não é só a formação acadêmica, mas a experiência de vida e o amadurecimento. Gostei tanto do mestrado que resolvi continuar, agora para alçar voos mais altos", conclui.

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