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Escola do Rio de Janeiro ensina educação financeira no intervalo

Escola do Rio de Janeiro ensina educação financeira no intervalo

Atualizado: Quinta-feira, 24 Novembro de 2011 as 2:48

A educação financeira faz parte do dia a dia dos alunos da Escola Pólen, no Rio de Janeiro, desde a fase da alfabetização.

No horário do intervalo, eles aprendem lições de consumo, poupança e investimento na prática, em uma minicidade montada no pátio.

Cada série é responsável por uma das instituições presentes ali: alunos de 6 a 7 anos administram os Correios; os de 7 a 8, a loja de doces; os de 8 a 9, um jornal; e os de 9 a 10, o banco. Ao longo do ano, todos têm a chance de trabalhar em cada estabelecimento como vendedor ou gerente, por exemplo. Os estudantes mais velhos podem abrir conta no banco, passando a ter direito a talões de cheque.

"Tenho muito contato com ex-alunos e o retorno é sempre muito bom. Eles dizem que essas experiências realmente fizeram diferença na vida deles", afirma a pedagoga Vivien Santa Maria, diretora da Escola Pólen.

Segundo Vivien, as atividades são vistas de maneira positiva também pelos pais. "Eles dizem que os filhos adquirem maturidade em relação ao dinheiro."

Projeto-piloto beneficiou quase 900 escolas públicas O projeto da Pólen já tem três décadas, mas é um caso raro: foi só nos últimos anos que o tema da educação financeira começou a ser inserido mais fortemente nas escolas do país.

Nos últimos dois anos, 891 escolas públicas de ensino médio levaram adiante um projeto-piloto desenvolvido pelo MEC (Ministério da Educação) em conjunto com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), entre outras instituições.

O tema foi tratado de maneira transversal, ou seja: professores de matemática, história e sociologia, por exemplo, trataram do tema dentro de suas aulas.

A expectativa é que mais escolas adotem o projeto a partir do próximo ano. A Secretaria de Educação Básica do MEC trabalha, também, na elaboração de material didático para os alunos do Ensino Fundamental.

Escola ajuda a formar espírito crítico em relação ao consumo Para a educadora financeira Cássia D’Aquino, a escola tem um papel importante na formação do espírito crítico das crianças em relação ao consumo.

"Elas também têm o papel de mostrar como a vida das crianças é influenciada por aspectos econômicos", diz. "Mas não cabe à escola tratar de temas como a mesada, por exemplo, porque isso diz respeito apenas à família."

O consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de um livro recém-lançado sobre o assunto ("Pais inteligentes enriquecem seus filhos", Editora Sextante), concorda que o tema precisa chegar à sala de aula, mas que a maior orientação deve vir de casa.  

"Não adianta nada existir educação financeira nas escolas se as crianças chegarem em casa e não tiverem a prática. Os pais devem ter uma postura ativa para demonstrar aos filhos que aquilo que é orientado na escola é praticado em casa", diz.        

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