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Escolas vizinhas de Realengo continuam sem segurança após massacre

Escolas vizinhas de Realengo continuam sem segurança após massacre

Atualizado: Sexta-feira, 22 Abril de 2011 as 9:04

Depois do massacre que resultou na morte de 12 estudantes em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, a Escola Municipal Tasso da Silveira vai contar com a presença de guardas municipais nas imediações do colégio. Enquanto isso, alunos de outras unidades escolares da região estão vulneráveis à violência e à falta de segurança. A reportagem do R7 conseguiu entrar com facilidade em duas escolas vizinhas ao colégio alvo do ataque, localizadas em Realengo e Padre Miguel (zona oeste).

O R7 testou a segurança de 12 escolas públicas da rede municipal em diferentes regiões da capital uma semana após o ataque do atirador Wellington Menezes de Oliveira - na maioria, foram verificadas falhas na segurança. A 3 km da Tasso da Silveira, os portões do Ciep Thomas Jefferson, que fica à beira da avenida Brasil, estavam abertos e sem nenhum funcionário por perto, no horário de saída do turno da manhã.

Durante dez minutos a reportagem se misturou aos alunos e percorreu as dependências da escola sem sofrer nenhum tipo de abordagem por parte de funcionários. A avó de uma aluna reclamou que a falta de segurança faz parte da rotina dessa unidade escolar.

- Os portões do Ciep ficam abertos o dia inteiro. Ninguém fica na porta da escola para saber quem entra ou quem sai. Tenho medo que aconteça aqui alguma tragédia parecida com o caso do atirador.

Na Escola Municipal Moacyr Padilha, em Padre Miguel, a facilidade para entrar na unidade também é alvo de reclamações. O R7 flagrou os dois portões da instituição abertos durante o horário das aulas no turno da tarde. Uma aluna que cursa o 7º ano (antiga 6ª série) diz ter medo de que "algum bandido invada a escola".

Em Copacabana, na zona sul do Rio, o R7 aproveitou o horário de saída dos alunos para se misturar aos pais e entrar na Escola Municipal Cócio Barcellos. A reportagem só foi abordada por uma funcionária quando entrou na instituição pela quinta vez. A mãe de uma aluna disse que raramente os funcionários do colégio acompanham a saída dos estudantes.

- Eles abrem o portão e deixam qualquer um entrar. Um criminoso pode se disfarçar de pai de aluno e fazer uma besteira na escola.

Em cinco escolas do centro, Copacabana, Humaitá (zona sul) e Maracanã (zona norte), a reportagem conseguiu entrar após a abordagem de um funcionário que perguntou sobre o motivo da visita. Já em outras quatro escolas – uma em Realengo e três no Méier (zona norte) –, a reportagem foi dispensada ainda na portaria depois de se comunicar com funcionários por meio de um interfone.

Crachás e detectores de metal

Questionada sobre a facilidade de acesso às escolas do Rio, a Secretaria Municipal de Educação informou que as direções das unidades orientam os funcionários quanto à entrada de pessoas estranhas nas dependências dos colégios. Segundo a secretaria, o policiamento feito pelas forças de segurança pública e o trabalho da ronda escolar da Guarda Municipal ajudam na prevenção dos casos de violência.

Por sua vez, a Guarda Municipal informou que 158 agentes fazem a ronda escolar nos colégios do município. Em 2010, os guardas municipais registraram 78.282 atendimentos e 1.358 ocorrências, que variam desde pequenos conflitos entre alunos até tentativas de invasão de pessoas estranhas.

A secretária Municipal de Educação, Claudia Costin, anunciou nesta semana que todos os alunos da rede municipal passarão a usar crachás para entrar nas 1.064 escolas. A secretária anunciou também que câmeras de monitoramento serão instaladas nas unidades e que 1.500 porteiros e 1.844 inspetores serão contratados. O objetivo é ter um inspetor em cada andar nos colégios.

Um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal do Rio, de autoria da vereadora Teresa Bergher (PSDB), prevê a instalação de detectores de metais e aparelhos de raio X na porta das escolas públicas e privadas da capital.

Para o Sepe-RJ (Sindicato Estadual de Profissionais do Rio de Janeiro), as escolas deveriam contar com mais funcionários para ajudar na vigilância dos alunos. Sérgio Paulo Aurnheimer, coordenador do Sepe, diz que o estado de abandono das escolas públicas do Rio contribui para a falta de segurança.

- Faltam inspetores nos portões e nas dependências das escolas. Tudo isso ajuda a escola a ser um ambiente mais confuso e inseguro.

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