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Especial TCC: Pesquisa determina diretrizes do trabalho

Especial TCC: Pesquisa determina diretrizes do trabalho

Atualizado: Segunda-feira, 6 Julho de 2009 as 12

Entre as definições iniciais do TCC (trabalho de conclusão de curso) e sua apresentação à banca avaliadora existe o processo de pesquisa. Essa etapa, em que o trabalho começa a tomar forma, existe para qualquer modalidade, seja monografia, documentário ou um produto. Além de definir métodos de pesquisa, o aluno precisa de critérios para escolher as fontes de referência e organizar as informações.

O que fazer no processo de pesquisa

Seja cauteloso para não se perder diante de tantas informações Defina claramente o tema do trabalho Embase a pesquisa a partir do tema e da modalidade do trabalho Fuja de fontes óbvias e duvidosas Enriqueça o processo com pesquisas de campo Participe de congressos e encontros científicos Tome nota dos principais pontos de cada uma das referências bibliográficas Não reproduza trechos de obras consultadas Procure monografias de excelência para referência Cuidado com erros gramaticais e de ortografia Opte por revisão externa sempre que possível Respeite a formatação dos trabalhos científicos Siga as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Não se esqueça da introdução, justificativa, objetivos e conclusões "A pesquisa deve permear todas as etapas do trabalho de conclusão de curso, qualquer que seja a modalidade escolhida, para sustentar o que o estudante produz", enfatiza o professor do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, André Santoro. Na opinião dele, o TCC incentiva o aluno a buscar o conhecimento, formular conceitos e, principalmente, a raciocinar. "De nada adianta fazer apenas o projeto. É preciso pensar sobre o que se produz, seja uma monografia ou um produto", explica ele.

O desconhecimento do processo de pesquisa, de acordo com a professora da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Turismo da UFF (Universidade Federal Fluminense), Verônica Mayer, inicialmente assusta os alunos. "Por ser uma iniciação científica, ou seja, o primeiro contato do aluno com o mundo das idéias, é natural gerar insegurança", afirma ela. Mas Verônica diz que a investigação demanda muita dedicação. "Precisa ter empenho, força de vontade, organização, além de encarar o processo como oportunidade de aprendizado e interação com o mundo acadêmico e profissional", declara ela.

Existem algumas dicas que Verônica acredita contribuírem para o sucesso do TCC. O começo, ressalta ela, é sempre o mais difícil. "A fase inicial exige mais cuidados para o aluno não se perder diante de todo o conteúdo científico disponível para consulta", alerta ela. A professora aconselha que os estudantes definam claramente o tema. "Assim, o processo de investigação flui com mais naturalidade", enfatiza.

A pesquisa, no entanto, de acordo com Santoro, não pode se restringir apenar ao tema do TCC, mas envolver a modalidade escolhida. "Se vai fazer um livro, o estudo dos formatos existentes é fundamental. Agora, se a opção for monografia, analisar estruturalmente alguns trabalhos científicos, como teses e dissertações, será muito útil para o desenvolvimento do projeto", explica ele.

Com relação às fontes de pesquisas, o ideal é apostar na variedade para não limitar o conhecimento. É o que afirma Fábio Cruz, professor da graduação de Jornalismo e do mestrado de Política Social da UCPel (Universidade Católica de Pelotas). "A facilidade da internet acabou limitando os alunos, o que não é bom. A rede deve ser utilizada para busca de referenciais bibliográficas, artigos científicos ou informações oficiais. É preciso fugir de fontes óbvias ou duvidosas, como Wikipédia", adverte Cruz.

Verônica também acredita no poder da multiplicidade de fontes e aponta algumas ferramentas acadêmicas como opções para consulta. "Há o Portal de Periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a Biblioteca Virtual SciELO (Scientific Electronic Library Online), de acesso livre", exemplifica ela. Os orientadores, segundo Verônica, também podem contribuir com a indicação de livros ou até com direcionamentos. "É importante ressaltar, no entanto, que não é papel do orientador dar de presente todo o referencial teórico. O aluno precisa desenvolver essa habilidade de investigação", diz a professora.

As pesquisas de campo, para Cruz, também enriquecem o processo de pesquisa. "Desde que o aluno saiba identificar se as informações são verdadeiras e se não está sendo conduzido erroneamente a determinados caminhos, a metodologia é funcional", afirma ele. De acordo com Cruz, com bom senso e atenção, é possível extrair conhecimentos até mesmo em conversas informais de corredores.

Para complementar, Verônica indica a participação em congressos e encontros científicos. "Ainda que a atividade não seja obrigatória como nas pós-graduações, ela traz opiniões de outros colegas, professores e até profissionais", diz ela. A professora acrescenta que nesses eventos é possível colher muito conteúdo que agregua valor ao TCC.

Santoro destaca ainda a importância da organização em todo esse processo. Segundo ele, qualquer processo de pesquisa exige organização para que o aluno não se perca em meio às informações. "Nessa fase, você tem contato com muitos livros, textos e artigos. Sem organização, conteúdos importantes podem se perder", explica ele. Santoro recomenda que os estudantes tomem nota dos principais pontos de cada referência bibliográfica. "Isso auxilia na construção do trabalho escrito", resume ele.

Passando para o papel

Com as informações em mãos, Verônica explica que é hora de processá-las, o que não significa, no entanto, reproduzir trechos das obras consultadas. "O aluno precisa respeitar a idéia de outros autores. Tenha elegância de fazer citações, quando necessário", declara ela. Para Cruz, o plágio, além de ilegal, pode representar a reprovação ou a cassação do diploma. "Sem contar que a imagem do estudante pode ser comprometida", alerta ele.

Na opinião do professor da UCPel, os autores devem ser utilizados como apoio e não como muletas. "É importante ter humildade científica e aproveitar as leituras para incrementar o projeto. Mas, quando o recurso é usado em demasia, o trabalho pode ser desvalorizado. O aluno precisa se desprender dos autores e deixar sua marca", indica Cruz, que confessa não ser essa tarefa fácil para iniciantes. "Não se pode ter medo escrever, até porque, na medida em que o conteúdo é produzido, o orientador faz os direcionamentos necessários para o aperfeiçoamento", explica ele.

Para facilitar o processo de transmissão do conhecimento para a linguagem escrita, Cruz orienta que os estudantes leiam outras monografias, dissertações e teses. Ele aconselha a busca em bibliotecas de trabalhos considerados de excelência para utilizá-los como referência. Segundo Verônica, não é preciso se preocupar em escrever 'difícil'. "O mais importante é que os textos tenham clareza", destaca ela.

Solicitar que outras pessoas revisem o TCC pode evitar que erros gramaticais ou ortográficos, além de trechos confusos, comprometam a avaliação geral do trabalho. A afirmação é de Verônica, que acredita que a dedicação ininterrupta pode deixar o aluno cego para os problemas. "Procure trabalhar com folgas nos prazos estabelecidos para que se dedicar exclusivamente à revisão", sugere a professora.

Esqueleto da pesquisa

Todo o processo deve ser criterioso. Segundo Verônica, para que o conhecimento consiga ser transferido, é preciso respeitar a formatação. De acordo com a professora da UFF, há instituições que oferecem suas próprias regras no manual do TCC. "Caso contrário, é recomendado o uso das normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)", diz ela.

Todo e qualquer trabalho científico, de acordo com Cruz, deve estar sustentado por um tripé: objeto, teoria e método. "A descrição da temática, do viés teórico e do conjunto de técnicas utilizado para a construção do projeto são essenciais", orienta ele. Na opinião de Cruz, a ausência de um desses elementos pode comprometer o caráter científico da produção, bem como a avaliação final do TCC.

A presidente da comissão do ciclo básico da Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), Patrícia Helena Lara dos Santos Matai, acrescenta a importância da introdução, justificativa e objetivos. "Esses tópicos irão contextualizar o leitor a respeito do projeto", diz ela. Patrícia explica que a introdução serve para apresentar o tema, os problemas e ainda as hipóteses de motivação da pesquisa científica. Já os objetivos devem apresentar onde se pretende chegar com o trabalho, enquanto a justificativa expõe motivos para convencer futuros investidores a apostar no projeto. "Não se pode esquecer também das conclusões obtidas com a realização da investigação", acrescenta Patrícia.

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