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Especialista propõe formação em leitura para professores

Especialista propõe formação em leitura para professores

Atualizado: Terça-feira, 29 Julho de 2008 as 12

A coordenadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo (RS) e doutora em teoria literária, Tânia Rösing, propôs na última sexta-feira, dia 25 de julho, ao Fórum de Literatura na Escola, em Brasília, mudanças imediatas nos currículos de formação dos bibliotecários, ''que é onde está a ferida'', e a formação inicial e continuada dos professores em leitura.

Para Tânia Rösing, o bibliotecário precisa ser um animador cultural, o transformador da realidade, o catalizador das ações da escola. Para alcançar esse objetivo, ela sugere que o currículo dê ao estudante da graduação uma visão de trabalho com os alunos, os professores, coordenadores, diretores, servidores da escola e a comunidade e não apenas do espaço físico da biblioteca, como um cuidador de prateleiras de livros. Além da formação não dar respostas às necessidades das escolas públicas, a maioria delas não conta com um profissional. Quem cuida da biblioteca da escola, diz, é um servidor sem formação ou um professor em desvio de função, o que torna a biblioteca um dos espaços menos procurados.

No caso dos professores, a formação em leitura tem hoje pouco peso e importância. Tânia Rösing sugere que o tema integre os cursos de formação inicial dentro das universidades e que seja parte dos cursos continuados. ''O desafio é chegar a um professor com letramento literário'', porque é a leitura que forma platéias. O ideal de país, diz, é formar leitores literários em todas as áreas do conhecimento. ''Professores, médicos, engenheiros que lêem são profissionais muito mais qualificados, mais completos, mais interessantes''.

Militante do livro e da leitura, Tânia Rösing mostrou aos participantes do fórum uma foto do monumento A Árvore das Letras, que tem 13 metros de altura e está fincado numa praça no centro da cidade de Passo Fundo. Ela também disse que a população do município tem um dos índices mais altos de leitura do país, em média 6,5 livros por habitante ao ano, muito próximo dos índices da França e três vezes maior que a média brasileira.

Conquista e frustração

A especialista em literatura infantil e professora da Universidade Federal de Goiás (UFGO), Maria das Graças Castro, apresentou um panorama do projeto Leia, Goiânia, desenvolvido na capital entre 2001 e 2004. O projeto partiu de uma pesquisa feita entre os moradores da cidade que apontou o esporte como a primeira opção de lazer e a leitura a segunda. Em quatro anos, uma parceria entre a UFGO e a prefeitura reformulou ou construiu 98 bibliotecas escolares, num universo de 154 escolas da rede.

O projeto fez reforma da estrutura física, do mobiliário e dos acervos e a formação de bibliotecários e de professores. O novo acervo para as escolas de educação infantil, onde Maria das Graças diz que começa o gosto pela leitura, ?só tinha livros bonitos, maravilhosos, de cair o queixo, de pegar, de morder, de experimentar?. Os estudantes da educação básica e de jovens e adultos também receberam tratamento adequado. Saíram da biblioteca os livros didáticos e os dicionários, que já estavam na sala de aula, e entraram a literatura, os livros de pesquisa de todas as áreas do conhecimento e livros teóricos para os professores. Os tipos de acervos foram compostos com no mínimo 480 títulos e no máximo 2.313.

Hoje, com a mudança do governo local, explica Maria das Graças, as bibliotecas escolares voltaram a ser salas de leitura, mas na UFGO o projeto continua como curso de extensão para a comunidade. A professora sugere que o Ministério da Educação defina diretrizes para as bibliotecas escolares que ajudem a mudar a prática de grande parte das redes.

Dados do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) apresentados no fórum indicam que o país tem um número razoável de bibliotecas, mas apenas 2% delas têm um bibliotecário responsável. Os dados do CFB mostram a distribuição das bibliotecas pelas regiões: Sudeste, 20.608 bibliotecas; Sul, 13.330; Nordeste, 12.266; Centro-Oeste, 3.544; e Norte, 3.194.

Recomendações

Os participantes fizeram ao final do fórum uma série de recomendações aos ministérios da Educação e da Cultura, promotores do evento. Entre as recomendações destacam-se a reintrodução do estudo da literatura nas diretrizes das escolas da educação básica; e a criação de um guia para os professores onde a biblioteca seja o cérebro da escola e o professor o mediador da leitura.

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