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Faculdade vai abrir sindicância para apurar jornal com artigo homofóbico

Faculdade vai abrir sindicância para apurar jornal com artigo homofóbico

Atualizado: Terça-feira, 27 Abril de 2010 as 12

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) informou nesta segunda-feira, dia 26, que vai instaurar uma sindicância administrativa para apurar os responsáveis pelo jornal "O Parasita", feito por estudantes da faculdade. Na edição de março/abril, o jornal incitou estudantes a agredir gays em troca de convites para uma festa.

De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a abertura da sindicância é orientada pela consultoria jurídica da USP. Além disso, a faculdade ressaltou em nota que "não apóia o artigo publicado recentemente pelo jornal ‘O Parasita’ e desconhece seus autores."

Também nesta segunda, representantes de entidades estudantis da USP pretendem se reunir para decidir quais medidas serão tomadas em relação ao jornal. Devem participar da reunião o Diretório Central de Estudantes (DCE) da USP, o Centro Acadêmico da faculdade e a Associação Atlética Acadêmica de Farmácia e Bioquímica da USP – responsável por organizar a festa brega, a qual eram oferecidos convides em troca da agressão.

"Essa reunião será fechada entre a diretoria desses órgãos estudantis para decidir quais medidas serão tomadas em relação ao jornal. Repudiamos o que ocorreu, nenhum desses órgãos tem qualquer vinculo com o periódico", afirmou Guilherme Loverbeck, de 20 anos, segundo anista do curso de farmácia, representante da atlética.

Ainda segundo ele, as entidades estudam uma maneira de pedir desculpas aos estudantes da faculdade. "Apesar de não sermos responsáveis pelo jornal, queremos discutir uma maneira de pedir desculpas aos alunos. Não vamos delegar punições aos responsáveis. Isso caberá a faculdade e à polícia", disse o estudante.

Investigação

Após a repercussão do assunto, o jornal "O Parasita" pediu desculpas pela internet no domingo (25) e classificou o texto como "exagero cometido na última edição". O novo texto diz que o jornal é feito de humor, e pede ainda desculpas aos alunos da faculdade.

No artigo, divulgado na edição de março/abril do jornal, os autores usaram palavrões e lançaram um desafio: quem lançasse fezes em um homossexual ganharia um ingresso para a festa mais tradicional da universidade.

O assunto repercutiu entre os alunos e saiu da esfera acadêmica: a Polícia Civil de São Paulo vai instaurar também nesta segunda um inquérito para apurar quem são os estudantes responsáveis por incitar a violência contra homossexuais.

O assunto também chegou à defensora pública Maíra Coraci Diniz, que vai pedir uma investigação. "Identificado o autor, ele pode ser penalizado com uma multa. Não é uma brincadeira. Os termos incitam a violência contra a população homossexual."

A diretoria da faculdade disse que tomará medidas jurídicas para reprimir esse tipo de publicação.

Veja a íntegra do artigo:

"Lançe-merdas e Brega será na Faixa - Ultimamente nossa gloriosa faculdade vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis. Ano passado, tivemos o famoso episódio em que 2 viadinhos trocaram beijos em uma festa no porão de med. Como se já não bastasse, um deles trajava uma camiseta da Atlética. Porra, manchar o nome de uma instituição da nossa faculdade em teritório dos medicus não pode ser tolerado. Na última festa dos bixos, os mesmos viadinhos citados acima, aprontaram uma pior ainda. Os seres se trancaram em uma cabine do banheiro, enquanto se ouviam dizeres do tipo "Aí, tira a mão daí." Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA. Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010. Contamos com a colaboração de todos. Joãozinho Zé-Ruela."

O autor do artigo acima publicado no "O Parasita" usou um pseudônimo.

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