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Faltou debate sobre "Enem" para professores, dizem especialistas

Faltou debate sobre "Enem" para professores, dizem especialistas

Atualizado: Terça-feira, 25 Maio de 2010 as 4:17

Representantes de sindicatos e conselhos da área de educação e um especialista em avaliação educacional ouvidos pelo G1 sobre o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, criado pelo Ministério da Educação (MEC), são unânimes em dizer que faltou debate sobre a prova antes de sua criação.

Portaria do MEC publicada nesta segunda-feira (24) no Diário Oficial da União instituiu o exame, que poderá ser usado por secretarias municipais e estaduais para selecionar docentes para atuar na rede pública.

O ministério pretende realizar a primeira prova em 2011, com a participação de educadores dos primeiros anos do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e da educação infantil.

Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em avaliação educacional, Ocimar Alavarse, a ideia do exame tem pontos positivos, como a busca pela padronização de conhecimentos dos professores, a assistência técnica que o Inep fornecerá aos estados e municípios e a abertura de consulta pública sobre o tema.

Por outro lado, de acordo com Ocimar, o prazo de consulta é muito pequeno. "É estranho fazer isso sem uma consulta institucional e organizada das universidades, que formam os professores", disse. O educador cita ainda o fato de o exame ter sido criado no final do mandato. "É ruim criar para ser colocado em prática no próximo governo."

Outra questão colocada por Ocimar é a falta de enfrentamento do problema da precariedade da formação dos professores. "A exigência deve ocorrer, mas o que exigir? Você pode exigir muito e não ter pessoas que possam ser professoras", disse.

A presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretária de Educação do Paraná, Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, concorda com a opinião de que o assunto deveria ter sido mais discutido antes de sua criação.

"Não houve um diálogo aberto. O Consed não foi ouvido", disse. Apesar disso, a secretária afirma que acredita que a ideia é positiva por funcionar como apoio aos municípios que precisam contratar professores. "Muitos precisam. Os municípios têm dificuldade para realizar concursos. É complexo", afirmou.

Mérito

Outro defensor de maiores discussões sobre o tema antes da criação é o presidente do Conselho Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin Leão. "A tese é interessante, trabalhando na perspectiva de uma carreira nacional de educação, mas deveria ser mais debatida, porque a nota poderá ser usada como uma avaliação por mérito", disse.

Para o presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Simpeem) e vereador de São Paulo pelo PPS, Claudio Fonseca, a criação do exame é eleitoreira. "É uma vontade de criar fatos em ano eleitoral", afirmou. Fonseca classifica o exame como "uma bobagem". "É melhor discutir remuneração e cursos nos municípios e estados", disse.

Por Fernanda Nogueira

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