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Famílias dos estudantes podem auxiliá-los nos estudos em tempos de vestibular

Famílias dos estudantes podem auxiliá-los nos estudos em tempos de vestibular

Atualizado: Quarta-feira, 12 Novembro de 2008 as 12

Final de ano, a mesma cena: o adolescente se desdobra para passar no vestibular, enquanto o estudante de ensino fundamental ou médio corre atrás da recuperação das notas baixas conseguidas durante o ano... Pais preocupados, jovens e crianças estressados: o resultado negativo abala toda a família.“Esse é um dos fatores que geram mais ansiedade nas famílias neste período. No consultório, o que mais presencio são pais desesperados no terceiro bimestre escolar, pressionando os estudantes para que um verdadeiro milagre aconteça e ele se recupere para ‘passar’ de ano”, comenta Márcia Ferreira, psicóloga especializada em desenvolvimento escolar, infanto-juvenil e especialista em relacionamentos familiares.

Márcia aponta a o vestibular como outro motivo para desentendimentos familiares. “A escolha da carreira e da faculdade gera constantes discussões, o que pode afastar os pais dos filhos em um momento em que é fundamental eles estarem unidos”, fala.

Para quem tem filhos na escola e para os que estão vivendo o período de vestibular, a psicóloga dá dicas valiosas:

Passar de ano é importante, mas e se o estudante não assimilar o conteúdo?

É importante não ter de repetir a série que se está cursando. Porém, a essência de freqüentar a escola é assimilar conteúdo que dê base para a continuidade do ensino. “É importante não achar que dois bimestres ruins são a derrota do estudante. Ele pode se recuperar no terceiro e quarto bimestres, mas desde que tenha o apoio e o reforço necessários para tanto. Na maioria das vezes, crianças e adolescentes não conseguem organizar a própria agenda de estudos. Nessa hora, por mais ocupados que estejam os pais, é preciso ajudá-los a criar uma rotina com horários e prioridades para que o sucesso escolar seja alcançado. “Não podemos perder de vista que os adolescentes estão vivendo transformações físicas e emocionais que, subjetivamente, estão interferindo no seu processo ensino-aprendizagem. O mais importante, entretanto, é avaliar se ele aproveitou o conteúdo de maneira que comece a próxima série fortalecido”, explica Márcia. Uma boa e franca conversa com professores, orientadores pedagógicos e com a direção da escola podem fortalecer os pais e esclarecer suas principais dúvidas em relação ao desenvolvimento do filho.

Outra dica da psicóloga já se refere ao próximo ano. “Muitas crianças não conseguem obter um desenvolvimento escolar satisfatório por apresentarem dificuldades de aprendizagem especificas, como dislexia, déficit de atenção, hiperatividade, entre outras. Estar atento a essas questões é extremamente importante para não responsabilizar somente o filho pelo seu baixo rendimento escolar. Geralmente, um histórico sucessivo de notas baixas pode ser um indicador significativo para buscar auxilio psicológico e procurar entender o que esta acontecendo. Assim, evitamos que crianças e adolescentes construam uma imagem negativa em relação a si mesmos.  Por isso, os pais devem prestar atenção nas dificuldades e criar regras claras para organizar os estudos e orientá-las a realizar suas atividades”.

Vestibular: família precisa fazer sua parte para ajudar o estudante

Quem vai prestar vestibular tem de dedicar muitas horas de seu dia aos estudos. Cursinho, simulados, revisões, a nova rotina inclui pouco tempo para o lazer e para a convivência em família. “Esse é um período de muita cobrança, inclusive pela presença do estudante nas reuniões familiares e dos amigos. É hora, porém, de pais e amigos   entenderem que o pré-vestibulando precisa dedicar-se com afinco ao estudo e, sobrando tempo, deve descansar”, orienta Márcia. 

Ela diz que os pais são importantes também no sentido de organizarem a casa e os horários da família para que haja tranqüilidade no ambiente. “Pode parecer exagero, mas toda a família tem de colaborar com o vestibulando. Barulho em excesso prejudica os estudos, bem como a invasão do local de estudo por crianças, empregados, animais domésticos e outros elementos que desviem a atenção do estudante”, explica.

No período pré-vestibular, são os pais que precisam impor limites às atividades dos filhos. “Dificilmente o vestibulando alcançará êxito se decidir ir à escola, ao cursinho, à academia e sair com os amigos. Os pais precisam realmente agir com firmeza e determinar a redução de atividades para que ele se dedique aos estudos”. Márcia explica que os jovens são impulsivos e acham que dão conta de tudo e uma boa conversa para ajudar a focar o objetivo do vestibular ameniza as tensões e ansiedades do vestibulando.

Para que os pais ajudem ainda mais, Márcia Ferreira dá um último conselho: ''cabe ao vestibulando decidir a carreira que ele seguirá. Os pais podem ajudá-lo colocando-o em contato com profissionais da área, fornecendo livros, revistas e material que explique um pouco da profissão e mostrando as oportunidades ligadas a ela. Porém, não devem impor ou decidir o caminho da vida profissional do filho, já que ele ficará infeliz e não será um bom profissional. Cada um precisa seguir seu caminho, mesmo que ele não agrade completamente os pais'', finaliza.

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