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Fiscal do Enem: muitas falhas são por falta de profissionalismo

Fiscal do Enem: muitas falhas são por falta de profissionalismo

Atualizado: Terça-feira, 25 Outubro de 2011 as 3:31

A impossibilidade de fiscalizar o uso de telefones celulares e smartphones durante as provas não seria a única brecha na fiscalização contra fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em entrevista ao Terra , um professor que trabalhou nesta última edição do exame fez um alerta: "falta profissionalismo aos fiscais". Depois da revelação de que um repórter do jornal O Globo transmitiu questões para a redação menos de uma hora depois do início da prova, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo teste, admitiu que não há como controlar o uso de celulares. Luciano, cujo nome verdadeiro será preservado, já foi fiscal do Enem e de provas de concursos públicos e vestibulares mais de uma vez. Segundo ele, em cada processo seletivo a banca organizadora realiza um rápido treinamento, de cerca de duas horas, antes da aplicação das provas. Porém, nem todos os fiscais levam a sério a função. "Antes das provas, recebemos as instruções do concurso para ler e, no caso do Enem, chegamos a ver um vídeo do Ministério da Educação sobre as regras e a postura que devemos ter. Mas nem todos os fiscais chegam na hora do treinamento ou demonstram interesse no que é apresentado", conta. A situação é ainda pior quando desavisados assumem as tarefas de fiscais, como aconteceu em São Paulo no último final de semana. Cerca de 30 fiscais foram escolhidos na porta de uma escola, minutos antes da prova, porque os ficais selecionados não compareceram. Como requisito único: ter documento de identificação com foto. Não houve treinamento nem tempo para se conhecer o edital. Luciano afirma que já ouviu de alunos relatos de fiscais que conversavam durante a prova ou mesmo de troca de testes diante dos fiscalizadores. "Já aconteceu comigo de pedir para os candidatos desconectarem a bateria do celular e, depois que um voltou do banheiro, encontrei seu celular ligado. Como fiscais não podemos eliminar, mas devemos alertar o coordenador para que este o faça", esclarece. Segundo ele, nem todos os fiscais se empenham como deveriam para realizar a atividade e muitos erros ocorrem por falta de atenção. "Geralmente são dois fiscais por sala e são muitas atribuições: realizar a conferência dos candidatos, coletar as assinaturas, preencher a ata, mas nem todas as pessoas agem com profissionalismo", reforça. De desrespeitos "simples" ao edital, como o fiscal que deixou os portões abertos em uma escola do Ceará por mais de 10 minutos além do tempo previsto, ou mais sérios, como o candidato usar aparelhos eletrônicos, relógio, canetas de outras cores ou o que sai com o caderno de questões antes da hora estabelecida prejudicam a credibilidade. "Nos casos em que já aconteceram falhas, como o Enem, todos acabam sofrendo mais pressão para que tudo dê certo, mas o rigor não é igual de fiscal para fiscal", explica Luciano. Nas seleções nacionais, cada fiscal recebe cerca de R$ 70 por dia de trabalho, e a punição para quem não realiza a função com presteza é não ser chamado para o próximo concurso. "Tem gente que esquece que o pagamento é dado para fiscalizar e não apenas para ficar sentado na sala de aula", reclama o professor.      

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