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Força-tarefa será montada para reconstruir escola atacada em Realengo

Força-tarefa será montada para reconstruir escola atacada em Realengo

Atualizado: Terça-feira, 12 Abril de 2011 as 9:13

Após os ataques que ocorreram no dia 7 de abril na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro , uma equipe formada por ex-professores, alunos e voluntários se reuniu para traçar novos planos e ideias para o futuro do colégio.

Para Yolande Barbosa, ex-supervisora pedagógica, que trabalhou por mais de 20 anos na escola, esse é um momento em que todos precisam ajudar para fazer o colégio viver novamente.

- Estou me colocando para ajudar no voluntariado e estou à disposição. Temos que trazer vida para esta escola e queremos ter recursos para fazê-la viver novamente. Acho que tem que ser feita uma ornamentação com flores, pinturas e várias outras coisas para dar uma nova vida ao colégio.

Segundo o diretor da unidade, Luiz Marduk, a ideia é ir além das reformas físicas. Ele pretende organizar um trabalho psicológico com as crianças para evitar que tragédias como essa voltem a ocorrer.

- Temos consciência que nós precisamos fazer algo além dessas ações de apoio nesse momento, que é de muita dor. Agente precisa de uma mudança mais definitiva, de um reforço no atendimento a essas crianças no dia a dia e um acompanhamento com psicóloga.

Ele revela que muitas mudanças vão ocorrer na escola também. Dentre elas, destaca as roupas que a escola vai ganhar.

- Muitas mudanças vão acontecer, até porque a escola ficou em evidência. A primeira modificação, além de ser física, é também psicológica. Nós vamos deixar registrado nos muros da escola toda essa solidariedade, toda essa energia de paz, de amor, que nós estamos recebendo. Vamos fazer do muro de nossa escola um grande painel da paz. Será um mural preparado com mosaicos, pinturas e desenhos. A prefeitura já está estudando essa ideia que foi dada por uma escola do entorno. Estão todos muito envolvidos nessa recuperação e tenho certeza que nós vamos conseguir.

Outras escolas, como a Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, também farão parte deste apoio e pretendem ajudar nestas mudanças. Segundo o professor de história, Carlos da Silva, toda ajuda será colocada à disposição.

- Vamos ajudar em tudo que for possível, vamos transformar esse lugar.

Entenda o caso

Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola completava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).

Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu duas salas e fez vários disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.

Duas adolescentes baleadas, uma delas na cabeça, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra a barriga do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.

Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.

Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Onze estudantes foram enterrados na sexta-feira (8) e uma foi cremada na manhã de sábado (9).

O corpo do atirador permanece no IML. Ele ficará no local por até 15 dias aguardando reconhecimento por parte de um familiar e liberação para enterro. Caso isso não ocorra, o homem pode ser enterrado como indigente a partir do dia 23 de abril.

Por Felipe Rodrigues

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