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Formação: Gastronomia cresce com glamorização da profissão

Formação: Gastronomia cresce com glamorização da profissão

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2011 as 3:25

Com o crescimento do mercado, estudantes apostam em cursos de Gastronomia

  Cada vez mais os cursos de Gastronomia atraem estudantes para as cozinhas - e cozinheiros para a sala de aula. Grande parte dessa procura ocorre porque o profissional está em evidência. Best-sellers e programas de televisão são alguns dos responsáveis por essa grande exposição. Hoje, as graduações não preparam apenas para a prática, mas também para o gerenciamento do próprio negócio.

O primeiro curso superior de Gastronomia na cidade de São Paulo foi da faculdade Anhembi Morumbi. Criada em 1999, a graduação tecnóloga tem ingresso pelo vestibular, sem necessidade de prova específica. Após terminar a graduação de dois anos, o aluno recebe um diploma de tecnólogo na área de gastronomia.

O perfil do aluno varia muito de acordo com a turma. Normalmente, no horário da manhã, são pessoas mais jovens recém saídas do ensino médio, que estão tendo o primeiro contato com a cozinha. À noite, muitos alunos já têm uma primeira graduação e buscam na culinária uma forma de hobby. Outros querem largar a carreira anterior e seguir trabalhando como cozinheiros. Existem também os estudantes que tinham a prática, mas nenhuma qualificação formal.

Desde que o curso foi aberto, há 12 anos, o interesse do público tem aumentado consideravelmente. É o que afirma o coordenador Marcelo Neri. "Isso se deve, em grande parte, à glamorização da profissão. Cada vez mais observamos programas de TV e livros de culinária famosos. Isso gerou uma exposição maior do chef e uma valorização da profissão", afirma. Essa grande procura se reflete em números: no começo, o curso contava com três cozinhas, enquanto hoje existem 18.

Durante os dois anos, o aluno depara com diversas áreas da gastronomia. A mais dinâmica chama-se práticas na cozinha, na qual ele aprende sobre as técnicas de preparo, os ingredientes e os pratos específicos de cada país. Entre outras disciplinas, estão o aprendizado sobre a parte nutricional dos alimentos, os processos físicos que ocorrem durante o preparo da comida e até mesmo as cadeiras de administração de negócios.

O coordenador acredita que essas aulas de gerenciamento são muito importantes e apontam para uma tendência: o aluno abrir o seu próprio negócio, porém não com um espaço físico fixo. ¿Podemos notar um aumento no número de profissionais que trabalham individualmente, cozinhando para pessoas em suas casas¿, afirma Neri. Ele também salienta que existe muito espaço para a gastronomia, não apenas na TV, mas também em revistas de culinária, tanto as mais sofisticadas quanto as de R$ 1,99, e todas precisam de um cozinheiro qualificado.

Diferentemente da Anhembi, o curso de graduação em gastronomia da PUC-PR é mais focado na área humana. Criado em 2008, ele tem duração de dois anos e meio. "Aqui temos algumas disciplinas como filosofia, cultura religiosa, ética. Achamos que a formação do nosso aluno reflete no mercado, e as pessoas buscam um profissional formado integralmente", afirma o coordenador Alexandre Roberto Dhein.

Ao longo do curso, os alunos também aprendem a preparar pratos da cozinha internacional, mas não aprendem apenas sobre as comidas típicas. Aspectos como a cultura, a situação atual do país e até mesmo questões da cultura religiosa, em alguns casos, são estudados.

Dhein destaca que a maioria dos estudantes formados acaba em restaurantes e hotéis. Logo depois, vêm aqueles que resolvem formar seu próprio negócio. Mas ele aposta em um setor que começa a se destacar e, no futuro, pode ser uma boa oportunidade para os alunos: os hospitais. Ele acredita que as instituições estão procurando qualificar a comida servida em seus estabelecimentos e, para isso, buscam profissionais com formação. "Se quiser entrar nessa área, a pessoa vai precisar trabalhar em conjunto com o nutricionista. Pois ela vai determinar os condimentos e o cozinheiro vai tornar o prato mais atraente", salienta o coordenador.

O prazer de cozinhar

"Fazer os pratos é o que me traz prazer", afirma Guilherme König Ceschim, 20 anos. Ele vai se formar em Gastronomia da PUC-PR no meio do ano. Atualmente, trabalha em um restaurante italiano e, em dezembro, vai partir para um curso de especialização em culinária em Sevilha, na Espanha.

A escolha pela carreira foi feita ainda pequeno, conta. Antes de entrar na faculdade, ele relata que já gostava de cozinhar e era acostumado a preparar comidas em casa. De acordo com Ceschim, o que ele mais aprecia na profissão é a correria do dia a dia e a dinâmica. "Eu não conseguiria trabalhar na frente de um computador o dia inteiro, em uma sala fechada", observa.

O sonho é abrir o próprio negócio. Para isso, ele acredita que precisa de muito mais experiência, além de aprender a cozinhar diferentes tipos de comida, como pratos mediterrâneos e japoneses, além dos italianos, com quais os já trabalha.              

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