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Intercâmbio ajuda a melhorar formação no Brasil

Intercâmbio ajuda a melhorar formação no Brasil

Atualizado: Sexta-feira, 22 Agosto de 2008 as 12

Assim como brasileiros migram para outros países para ser estudantes, docentes e pesquisadores, o Brasil também atrai profissionais que procuram aperfeiçoar e difundir seu conhecimento. Um dos pontos positivos desta união é a melhor formação do profissional nacional, que ganha em experiência, diversidade de conhecimentos e qualificação. A opinião é de Milton Bentancor, doutor em letras pela Universidad de Salvador na Argentina e professor nos cursos de Letras, Comércio Exterior e de Espanhol no Programa de Línguas Estrangeiras na UCS (Universidade de Caixias do Sul).

Bentancor mora no Brasil desde março de 1998 a convite de uma representante da USC em Buenos Aires, que buscava um profissional para preparar um curso de professores de espanhol em Caxias do Sul. A oportunidade, segundo Bentancor, demoraria mais tempo se fosse na Argentina, mas o resultado foi gratificante para ambos os lados, afinal o corpo docente também se especializou nesta troca de conhecimentos. ''O corpo de professores do curso que leciona na UCS é formado por sete docentes, dos quais uns quatro são formados pelo curso que a faculdade oferece'', diz Betancourt que completa ''No fundo, o professor (estrangeiro) está trabalhando para uma melhor formação do professor nacional''.

Para estudantes, o Brasil também se tornou destino atrativo. Algumas instituições da Europa mantêm convênio com instituições brasileiras para cursos de graduação e programas de estágio. O francês Maxime Poulet é um exemplo. Bacharel em Física pela Université Claude Bernard - Lyon I  (França) e cursando o segundo ano de Mestrado em Caracterização e Gerenciamento da Atmosfera, ele veio para o Brasil em junho deste ano para um estágio de seis semanas no IPMet (Instituto de Pesquisas Meteorológicas) da UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) em Bauru/SP.

A universidade em que Poulet cursa o mestrado oferece um programa de intercâmbio aos alunos, em que é possível escolher uma das instituições conveniadas no exterior por um período de seis ou oito semanas. Durante a estadia, a universidade francesa envia dinheiro para auxiliar nos custos. Poulet tinha as opções de ir para outros países da Europa, para a China ou vir ao Brasil. Europa e China foram descartadas como opção, a primeira por ele já conhecer e a segunda por não despertar interesse. O estudante conta também quem por ter uma professora brasileira e ter conversado com ela sobre a proposta ela o ajudou em sua escolha.

Paris Ramirez Mira é espanhol e, assim como Poulet, veio para o Brasil por meio de um convênio entre as instituições. Após conseguir uma bolsa de estudos pela Universidad de Castilla-La Mancha o estudante veio em março ao Brasil para cursar Educação Artística na UCS. Apesar de a UCS ser a única opção do estudante, o idioma e a imagem que o Brasil têm para os espanhóis também foram motivos para despertar o interesse em conhecer o país. ''A imagem é um preconceito de praia, calor, samba'', diz ele. Seus amigos acham que está na praia sem fazer nada, no entanto estranha o ritmo das pessoas por ser diferente da sua cidade natal. Ele diz que as pessoas são muito individualistas, tem que combinar horário para tudo, porque todo mundo trabalha e estuda, embora o tenham dito que não é assim em todo o Brasil.

Mira já viveu outra experiência de intercâmbio, onde morou durante um ano na Hungria. Ele explica que dentro da Europa existem diversas bolsas de estudo o que facilita este tipo de vivência regional em detrimento da internacional. Mas, para ele, o intercâmbio na América do Sul torna-se mais fácil por causa do idioma ser semelhante. Na Europa existem idiomas diferentes e diversos dialetos, e para se comunicar é preciso falar inglês. Quanto à experiência no Brasil, o espanhol acredita que o ajude profissionalmente no futuro, além de ter mais um idioma para incluir no currículo. ''Eu acho que a formação tem a ver com a experiência da pessoa'', afirma Mira.

Em contrapartida

Os estudantes classificam como uma das principais dificuldades a cultura. Para Poulet, o Brasil é um lugar agradável e bem diferente da França. O clima tropical com o qual não está acostumado foi a principal dificuldade encontrada por ele em sua estadia no país. ''E o idioma, é claro'', completa o francês.

Mira não teve muita dificuldade no idioma pela proximidade entre o português e o espanhol, conseguindo se virar no chamado "portunhol". Ele diz que gostaria de trabalhar enquanto está aqui, mas como estrangeiro é mais difícil. Agora que sua bolsa está terminando ele irá procurar emprego. Mira, que iria embora na ultima sexta-feira, 15 de agosto, prorrogou o tempo de sua estadia aqui no país, e pretende ficar até fevereiro ou março. ''Vai ser difícil passar o Natal longe da minha família, mas eu quero por causa do verão'', diz Mira.

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