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Mães aprovam trote sem bebida alcoólica e com lama na Poli-USP

Mães aprovam trote sem bebida alcoólica e com lama na Poli-USP

Atualizado: Terça-feira, 9 Fevereiro de 2010 as 12

Com receio de excessos nos trotes, algumas mães acompanharam os filhos no primeiro dia de matrícula no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP). Os calouros convocados na primeira chamada do vestibular 2010 têm também até terça-feira para se matricularem. A proibição do consumo de bebida alcoólica na festa promovida pelos órgãos estudantis da Escola Politécnica foi aprovada. No ano passado, os jovens puderam beber a partir das 13h.

"Foi uma ótima medida deixar a festa sem bebida alcoólica, assim, fica todo mundo brincando, mas no seu estado normal", afirmou Luzia Serafim Rocha Santos, 51 anos, que foi acompanhar o filho Fábio, aprovado em engenharia de produção. "Foi ele que me pediu para vir também. Assim, dá para eu tomar conta dos documentos, enquanto ele se diverte". Luzia tinha a ajuda de uma sobrinha, Talita, que também foi fazer companhia.

A mesma preocupação levou Izilda Aparecida Fresca, 56 anos, até a USP. "Ele não queria que eu viesse, mas achei bom dar uma olhada", disse. "Mas, no fim, foi uma boa recepção, melhor ainda porque não tem álcool." Pintado da cabeça aos pés, o filho dela, o primeiroanista de engenharia ambiental, Renan Friedisch Paul Schultze, 19, entrou na brincadeira. "Me fizeram colocar essa asinha de fada", contou, apontado para uma armação de arame torto com tule rosa.

Sob um sol escaldante, a festa de entrosamento entre veteranos e calouros inclui pintura do corpo com guache, corte de cabelo, banhos de lama e de farinha, arrematados por ovos. Para refrescar, uma mangueira de água é disputada para ajudar a tirar a tinta e a baixar a temperatura.

No comando do som, um DJ anima o público com música eletrônica e grupos de estudantes se alternam no jogo de futebol "quadra" inflável com água e sabão . A infra-estrutura da festa inclui ainda a distribuição de energético e a venda de água, refrigerante e churrasco. O acesso à festa é controlado por seis homens e uma mulher.

"Só participa das brincadeiras quem quiser", afirma Gabriela Torres, aluna do quarto ano de engenharia civil e integrante da Atlética. A festa é promovida por uma comissão formada pelos diferentes órgãos estudantes da unidade: além da Atlética, há sete centros acadêmicos e o grêmio estudantil.

Melhor presente da vida

No seu 20º aniversário, Lucas Landi ganhou o melhor presente da sua vida: a notícia de que fora aprovado no curso de engenharia elétrica. "A lista saiu no dia 3 de fevereiro, bem no dia do meu aniversário", conta. Depois de dois anos de cursinho, ele estava ansioso para comemorar. "Cheguei na Cidade Universitária antes mesmo do início da matrícula, e só vou embora com um veterano à tarde, no final da festa. Tive que dar 20 remadas na lama e fazer 10 flexões de braço, foi muito divertido."

As amigas de longa data, Carla Politi Blanco, 19 anos, e Sophia Tavares, 18 anos, comemoraram uma aprovação na USP simultânea: Carla em engenharia química e Sophia, em publicidade. Com guache azul e amarelo pelo corpo todo e tinta já ressecada no cabelo, elas estavam se divertindo e pretendiam passar a tarde na Cidade Universitária.

"É bem legal participar do trote, valeu a pena. Conhecemos muita gente", disse Carla, que chegou pela manhã para fazer a matrícula. Sophia, que havia sido pintada antes pelos veteranos da Escola de Comunicações e Artes (ECA), passou depois na festa da Poli para encontrar a amiga. "Achei que foi bem tranquilo. Só é pintado quem quiser, mas quem não quer?", disse, animada.

Por: Fernanda Calgaro

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