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Matilhas que atacam estudantes põem campus da UFRJ em alerta

Matilhas que atacam estudantes põem campus da UFRJ em alerta

Atualizado: Segunda-feira, 10 Maio de 2010 as 8:14

Depois de muitas reclamações e pelo menos cinco alunos feridos, o prefeito do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helio Mattos, decidiu espalhar oito placas educativas com alerta sobre o crime de abandono de cães no local. A Ilha do Fundão, no subúrbio, virou um verdadeiro depósito de cachorros e agora está cercada por matilhas.

De acordo com Mattos, somente em 2010, os bombeiros teriam retirado mais de 50 cães da universidade. “Nossa vigilância procura autuar, mas é um trabalho difícil porque o campus é muito grande. A nossa campanha é mais educativa. As pessoas não querem mais o animal em casa e descartam o animal aqui como se fosse lixo, é um absurdo. Elas aproveitam o fato de ser um terreno grande, são 4.650.000 m². É um problema muito sério, eles são agressivos”, disse ele.

De acordo com a Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, da prefeitura do Rio, a Lei nº 4731 afirma que é crime o abandono de animais em vias públicas ou residências fechadas ou inabitadas. A multa é de R$ 2 mil.

''Quando olhei vieram 10 cães ao mesmo tempo''

A estudante de dança Márcia Paulino, de 35 anos, que mora no alojamento do campus, foi atacada no dia 23 de março. ''Eram 20h15 quando eu decidi sair a pé. Veio um cachorro, começou a latir, ele estava bem raivoso. Eu mandei beijo, falei 'calma, calma', mas quando olhei vieram dez cães ao mesmo tempo. Um me mordeu, eu comecei a correr e a pedir socorro'', contou.

Segundo ela, um motorista de ônibus que passava no local foi quem espantou a matilha. O ferimento de Márcia foi na parte posterior da coxa. Ela foi levada para o Hospital Universitário e atendida na emergência. ''Lá eu encontrei uma menina que tinha ido pelo mesmo motivo'', contou a estudante.

Instantes depois, uma outra estudante entrou na emergência com mordidas dos cães. Elas tomaram a vacina antitetânica, foram medicadas, mas precisaram ir ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, para conseguir a vacina antirrábica.

''Fiquei muito traumatizada, tive sonhos, não conseguia dormir'', disse Márcia, que revelou que outros dois alunos, além delas três, também foram atacados nesse período. Márcia teve um gasto total de R$ 250 com remédios e materiais para curativo. Ela agora tenta ser ressarcida pela universidade.

Matilhas diversas

Bombeiros do quartel do Fundão, onde há outra matilha, afirmaram que a maior dificuldade do trabalho é fiscalizar o abandono dos animais no local. ''São várias matilhas, a gente tira e vem sempre mais. Anteontem tiramos um pit bull e outro dia retiramos um da raça rottweiler'', disse Cabo Gomes.

Os cães que agrediram Márcia não foram os mesmo do grupo que vive no alojamento da universidade. Estes últimos, segundo ela, não são violentos com os alunos e alguns estudantes até cuidam dos animais.

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), de acordo com a Secretaria municipal de Saúde, esteve no local duas vezes e fez a remoção de cinco cães. Outra dificuldade, segundo a Secretaria, os bombeiros e também a estudante Márcia, é que alguns alunos se apegam aos animais e até já foram à Suipa (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais) buscá-los de volta.

''Teve um menino aqui do alojamento que colou um cartaz com a frase 'levaram nosso cãozinho'. Esses cães não são agressivos, mas causam alguns problemas porque tem aluno que não gosta, tem aluno que é alérgico. Para mim é difícil porque gosto muito de animais, morro de pena, mas acho que deveriam retirar'', contou.

O CCZ informou que os animais removidos por eles foram vacinados e tratados. Neste mês de maio, mais duas visitas ao local estão previstas e, enquanto houver problemas de ataque de cães, o órgão afirmou que ficará em alerta.

Quem quiser solicitar a retirada de animais de rua pode ligar para o número 3395-1525.  A notícia da invasão dos cães foi dada inicialmente pela coluna do Ancelmo em O Globo.

Por Carolina Lauriano

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