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Melhor no Ideb, Cajuru 40SP41 alia investimento a projeto pedagógico

Melhor no Ideb, Cajuru 40SP41 alia investimento a projeto pedagógico

Atualizado: Terça-feira, 6 Julho de 2010 as 8:58

O segredo de sucesso de Cajuru, cidade de cerca de 24 mil habitantes no nordeste do estado de São Paulo que emplacou cinco escolas municipais entre as dez melhores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), envolve investimentos financeiros e projeto pedagógico.

Do orçamento de R$ 34 milhões do município em 2009, R$ 12 milhões foram investidos na rede de ensino, que tem nove escolas do ensino fundamental e duas creches. Por lei, os municípios têm de investir, no mínimo, 25% do orçamento para a educação.

Para a secretária municipal de Educação, Isabel Iunes Monti Ruggeri Ré, não é só dinheiro que explica a evolução do ensino na cidade. A preocupação com a qualificação dos professores, a opção por adotar um sistema de ensino de uma instituição participar de renome, a adoção de reforço escolar e o envolvimento dos pais na escola são as principais armas do município para alcançar o topo do ranking da educação pública no país.

Os salários dos educadores começam em cerca de R$ 1.100. Todo ano, há bonificação baseada no desempenho e na participação de cursos e atividades da secretaria.

Segundo a prefeitura, cerca de cem dos 297 professores da rede municipal ganharam curso gratuito de pedagogia nos últimos dois anos. “Estou para me formar”, disse a professora do quinto ano Ana Paula Coelho Maseti Conceição, de 41 anos.

Eles participam ainda de cursos semanais e, anualmente, de fóruns de educação, em que palestrantes falam sobre educação. O próximo ocorrerá em outubro.

Sala de aula da escola municipal Professora Aparecida Elias Draibe (Foto: Fernanda Nogueira/G1)Os pais dos cerca de 2.900 alunos da rede são convidados a se envolver na educação. Nas reuniões bimestrais, assistem a filmes que mostram a atuação dos filhos em sala de aula. Mãe de duas estudantes, a funcionária pública Patrícia Ceboleski Rahal Carvalho, de 29 anos, destaca a relação próxima dos professores com os estudantes e com os pais. “Eles têm contato fora de sala de aula e tiram todas as dúvidas que temos”, comentou.

Filha de Patrícia, a estudante Lara Rahal de Carvalho, de 11 anos, confirma a percepção da mãe. “Os professores são atenciosos”, afirmou.

Filmes e ouvidoria

Os filmes dos estudantes são exibidos nas salas de cinema das escolas. Esses espaços foram construídos há cerca de dois anos e custaram, em cada escola, entre R$ 6 mil e R$ 7 mil. “Para os alunos, exibimos filmes relacionados a temas de aula”, explicou a psicopedagoga da escola Professora Aparecida Elais Draibe, Andréa Nahime de Medeiros. Essa unidade obteve a melhor nota entre as escolas públicas do país no Ideb.

A escola investe em leitura e interpretação de texto nas aulas de português e em aulas extras, segundo a diretora Rita de Cássia da Fonseca Salvador Souza. Além disso, os estudantes fazem aula de informática, em que aprendem Word, internet e têm acesso a jogos educativos. “Recebemos a notícia com espanto e muita alegria. Apesar de trabalharmos muito, somos uma escola de bairro”, disse Rita.

Uma ouvidoria acompanha as faltas dos alunos e entra em ação se os estudantes ficam mais de dois dias sem ir à escola. “Vou à casa deles para descobrir o que está acontecendo”, disse a ouvidora Lúcia Maria Biaggi dos Santos, na função há cerca de um ano.

Se é detectado algum problema social ou de saúde no estudante, ele é encaminhado a outras unidades da prefeitura. Se o problema é de aprendizado, o aluno vai a um Centro de Atendimento Educacional, que tem fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogo.

Agora, a secretária Isabel afirma que o trabalho será manter a primeira posição no ranking das escolas e melhorar ainda mais o ensino na cidade. "Pretendemos oferecer cursos técnicos para atender estudantes do ensino médio", disse.

Resultados

No total, 5.404 municípios tiveram nota computada no Ideb nos anos iniciais, da 1ª à 4ª série (1º ao 5º ano), segundo os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Cerca de 15% apresentaram rendimento abaixo da média.

Nos anos finais, da 5ª à 8ª série (6º ao 9º ano) foram 5.450 municípios. Neste grupo, 24% dos municípios ficaram abaixo da meta estipulada para 2009. Parte dos municípios analisados pelo instituto ficou sem nota por não ter atingido quantidade suficiente de amostras para o cálculo.

Entre os municípios com as piores notas no Ideb 2009 na 4ª série estão cinco cidades da Bahia, duas do Piauí, duas da Paraíba e uma do Pará.

Na 8ª série, as piores notas foram registradas em cinco cidades da Bahia, três do Rio Grande do Norte, duas de Alagoas, uma da Paraíba, uma do Maranhão e uma de Sergipe. A nota mais baixa foi de Jardim de Angicos, no Rio Grande do Norte, que teve 1,6. A meta do governo federal para a cidade em 2021 é 4,6, enquanto a do Brasil é 5,5.

Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro concentram os 20 municípios com as melhores notas no ensino fundamental. A melhor nota da 4ª série é de Dois Lajeados, no Rio Grande do Sul, com 7,3, e na 8ª série é de Jeriquara, em São Paulo, com 6,6.

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