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Meu filho estuda em uma escola mal colocada no Enem. E agora?

Meu filho estuda em uma escola mal colocada no Enem. E agora?

Atualizado: Quarta-feira, 21 Julho de 2010 as 10:26

Os pais que ficaram preocupados com a colocação da escola dos filhos no ranking do Enem 2009 (Exame Nacional do Ensino Médio) divulgado na última segunda-feira (19) podem relaxar. Não que tirar uma nota baixa seja algo bom, mas os especialistas em educação - e até mesmo os diretores de algumas das escolas com as médias mais altas na prova - garantem que um colégio não pode ser julgado por esse resultado.

Os especialistas ouvidos pelo R7 ressaltam que os pais não devem pensar em tirar o filho da escola que teve nota baixa. Tampouco acreditam que uma criança deva ser matriculada em determinado centro de ensino levando-se em consideração apenas esse exame. Para eles, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) tem peso maior do que o Enem na hora de avaliar um sistema educacional, pois leva em conta muitos outros fatores.

É assim que pensa o presidente do Conselho Estadual da Educação, Arthur Fonseca Filho. Ele lembra que, na hora de escolher onde os filhos vão estudar, os pais precisam observar com atenção os critérios de ensino para cada faixa etária.

Veja aqui o ranking do Enem

- Condenar ou eleger escola só pelo Enem é muito precário. Não posso deixar de reconhecer que o Enem pesa, mas é um instrumento de avaliação, e não o único.

Ele destaca que as exigências e os valores do ensino infantil são bem diferentes das do ensino fundamental e médio. Por isso, conclui, uma criança não deve estudar em um lugar que seja voltado apenas para o vestibular. Fonseca Filho também dirige o colégio Uirapuru, em Sorocaba, no interior de São Paulo, que ficou na 13ª colocação do ranking estadual.

Maria do Carmo Peixoto, professora da FE-UFMG (Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais) concorda com o presidente do conselho. E acrescenta que, caso estejam insatisfeitos, os pais precisam cobrar uma melhora no nível de educação da escola.

- O resultado de um exame não é suficiente para tomar decisão como esta [tirar o filho do colégio]. O aluno pode ir bem num ano, mas não no outro. Se a escola é pública, os pais precisam batalhar para melhorar a escola do filho. Há que buscar condições para que as coisas melhorem. É um caso mais de preocupação, de tentar melhorar a qualidade da escola.

Ambos os especialistas ressaltam que o resultado do Enem não depende apenas da escola, mas também do desempenho individual dos alunos.

Nos colégios Etapa e Albert Sabin, 12º e 20º colocados no ranking das particulares do Estado de São Paulo, a visão é a mesma. Apesar da boa pontuação, o coordenador geral do Etapa, Edmilson Mota, diz que o resultado do Enem deve ser avaliado ''com cuidado'', pois cada escola tem um número diferente de alunos que prestam o exame. Como a quantidade de participantes interfere diretamente na composição da média, ''isso conta muito e deve ser relevado na hora de considerar quem é bom ou ruim''.

A diretora do Albert Sabin, Cristina Godoi, tem a mesma linha de pensamento.

- O Enem é uma das formas de avaliar as escolas, não a única e está sujeito a falhas. E é muito quantitativo. É importante [a escola] estar bem colocada, mas deve-se saber olhar esses dados.

Maria do Carmo, da FE-UFMG, vai mais a fundo.

- As notas servem para que saibamos o tamanho do problema. Se a escola já era ruim, duvido que a família não soubesse disso antes. Não foi pelo Enem que os pais ficaram sabendo da má qualidade do ensino do filho.

Por Letícia Casado

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