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Música na escola é muito mais do que notas musicais

Música na escola é muito mais do que notas musicais

Atualizado: Quarta-feira, 24 Agosto de 2011 as 11:44

A música é quase uma unanimidade entre as crianças: elas adoram. Afinal, meninos e meninas são movidos a musicalidade natural. Desde pequeninas, elas escutam cantigas de ninar e dão os primeiros passos no embalo dos ritmos. Na escola de tempo integral, a música está na grade curricular. No período em que não está estudando, a criançada aproveita para aprender mais sobre os gêneros e tem contato direto com os instrumentos.

Na Escola Municipal Nossa Senhora do Sagrado Coração, no bairro Padre Ulrico, a música é uma realidade. Atualmente as aulas são de responsabilidade da pedagoga Karen Campos, professora do curso de Pedagogia na Unioeste. Ela atende nove turmas — quatro no período da manhã e cinco à tarde —; ao todo são 180 alunos da pré-escola ao 5º ano que se envolvem nas atividades. “Na escola de tempo integral podemos proporcionar aos alunos o contato com a música. As crianças gostam muito desse momento e a evolução é visível”, afirma.

Ensinar música nas escolas é um desafio. Mas a satisfação é imensa, comenta a pedagoga. Durante as aulas, os alunos têm contato direto com o violão e o teclado, disponíveis na escola. Além de conhecer o instrumento de perto, eles aprendem os diferentes gêneros musicais, os ritmos, e compreendem, aos poucos, que os sons são formados por elementos. Os alunos que se destacam, ou seja, que têm uma identificação mais rápida com o violão, são levados para um grupo especial. “A ideia é que eles possam aprimorar seus conhecimentos e aguçar ainda mais o gosto pelas notas musicais. Na sessão cultural da escola, no mês de julho, esses alunos se apresentaram e eu posso garantir que eles já sabem tocar o instrumento”, declara Karen.  

Por que a música é tão importante? Em 2008, uma lei foi sancionada no Brasil (nº11.769) tornando a música conteúdo obrigatório em toda a educação básica — sejam escolas públicas ou privadas, com ou sem tempo integral. 2011 chegou e agora as instituições precisam definir como farão para proporcionar a seus alunos esse contato com a música na grade curricular. Segundo o Ministério da Educação (MEC) o objetivo não é formar músicos dentro das escolas, mas criar mecanismos de desenvolvimento entre os alunos.

Na opinião da pedagoga, a obrigatoriedade do ensino de música é positivo, mas precisa ser avaliado. “É um desafio dar aulas de musicalização sem ser músico profissional. Mas será que uma pessoa capacitada terá a didática para transmitir seus conhecimentos?” O grande diferencial é apresentar aos alunos uma música diferente do que eles já estão acostumados a ouvir em casa e na rua. Essa aula precisa trazer às crianças novas experiências, como a música clássica, por exemplo, argumenta Karen.  

Benefícios visíveis Criança que tem contato com música melhora visivelmente sua linguagem, dicção, coordenação motora, memória, sem falar na imaginação, poder de criação e sensibilidade.

Feliz da vida. É assim que a criançada fica quando chega a hora de pegar os violões na mão e arriscar as primeiras notas musicais. “A gente adora a aula de música.” Foi o que eles disseram, quase todos juntos, como um belo coral. E é possível perceber no rosto de meninos e meninas a satisfação em aprender. Karen diz que o envolvimento dos alunos durante as aulas é significativo. Eles demonstram que gostam e têm prazer; resultado que reflete na disciplina e nas outras matérias. “Há crianças aqui que ficam eufóricas quando sentem o violão nas mãos, esse contato é essencial.”

A música contribui diretamente na formação cultural dos alunos e certamente formará cidadãos mais comprometidos e conscientes. “Mesmo, que a escola não tenha uma aula especifica, a música estará presente em outros momentos, afinal, é uma forma de linguagem. As crianças vivem isso no dia a dia escolar”, observa a pedagoga.

  Como poderá dar certo Aprender sobre música é muito mais que saber as notas musicais. Hoje, a ideia vai muito além. O objetivo maior é apresentar aos alunos um mundo de possibilidades, onde, por meio da música, eles poderão descobrir os tipos de sons, ritmos, danças, instrumentos regionais, folclore, cantos; é uma grande diversidade.

Para dar vida à lei que prevê a música no currículo, as escolas precisam se organizar. “Nesse formato que vemos hoje é complicado, porque será uma atividade a mais no processo. Quando o professor terá esse tempo disponível? E as outras vertentes como o teatro e dança? Também precisam ser incluídas? É um momento para analisar como poderemos acrescentar a música na escola, de modo que venha somar com os demais conteúdos”, avalia a pedagoga.

A criançada da Escola Nossa Senhora do Sagrado Coração agradeceu a visita do Jornal na Escola tocando a canção Freré Jacques, um clássico da música francesa. E não é que eles tocaram direitinho! Parabéns, garotada.                

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