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Novo reitor da USP assume o cargo em cerimônia na Sala São Paulo

Novo reitor da USP assume o cargo em cerimônia na Sala São Paulo

Atualizado: Terça-feira, 26 Janeiro de 2010 as 12

Em uma cerimônia de cerca de duas horas e meia, na Sala São Paulo, no Centro da cidade, João Grandino Rodas, 64 anos, assumiu o cargo de reitor da Universidade de São Paulo (USP) pregando o diálogo permanente e a democratização e transparência na gestão da universidade.

"Grandes problemas da universidade, muitas vezes, considerados tabus, serão colocados em discussão: desde a questão da abertura do Conselho Universitário [órgão máximo de decisão na USP] para que a representação seja mais ampla, até o maior diálogo que possibilite sair do círculo vicioso que, muitas vezes, a universidade se encontra. Também serão discutidas a questão do vestibular e da inclusão social, que são casadas, e a problemática do maior apoio para a permanência estudantil."

Segundo mais votado nas eleições, Rodas, ex-diretor da Faculdade de Direito, foi escolhido pelo governador José Serra em uma lista tríplice. O governador não compareceu à cerimônia de posse e foi representado pelo secretário de ensino superior, Carlos Vogt.

Em seu discurso de posse, o novo reitor criticou o uso da força e da violência "utilizada de maneira corriqueira" e defendeu o diálogo aberto e efetivo com a comunidade uspiana. A gestão de sua antecessora, Suely Vilela, foi duramente criticada por ter usado a força policial contra manifestantes em diversas ocasiões.

Estiveram presentes à cerimônia, que teve apresentação da Orquestra Sinfônia da USP, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, os ministros do STF Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o deputado estadual Barros Munhoz, presidente da Assembleia Legislativa de SP.

Antes de assinar o termo de posse, Rodas recebeu as bênçãos de líderes religiosos do catolicismo, representado pelo cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, e pelo arcebispo emérito da arquidiocese de Bauru, Dom Antonio Maria Mucciolo; do protestantismo, reverendo Ademir Aguiar; do judaísmo, rabino Michel Schlesinger; do budismo, patriarca Saikawa Tosho; do islamismo, xeique Armando Hussein Saleh; e do candomblé, ialorixá Wanda de Oxum.

Segundo Rodas, os objetivos possíveis de serem feitos em quatro anos são três. "Na questão de estrutura, vamos buscar junto ao BNDES e bancos internacionais fundos para que a universidade possa melhorar a sua estrutura, ou seja, prédios e laboratórios", afirmou.

"No aspecto do ensino, é necessário que haja esses pressupostos básicos para que possa melhorar. A graduação da USP que, nos últimos dez anos, dobrou de número de vagas não é possível que continue boa e melhore sem uma estrutura adequada, física e de professores." O terceiro aspecto, defende, é na parte de pesquisa, que "já desenvolve trabalhos de ponta, mas pode fazer ainda melhor".

A apresentação da cerimônia foi feita pelo casal de atores Paulo Vilhena e Thayla Ayala, que, em algumas vezes, se atrapalharam com os nomes de autoridades e cometeram gafes no protocolo, causando risos na plateia.

Protesto

Do lado de fora do evento, um protesto foi dispersado pela polícia. A manifestação ocorreu por volta das 17h30. Um grupo de jovens atirava objetos e gritava 'fora João Grandino!'. A PM interveio jogando bomba de efeito moral. Três pessoas foram detidas.&S232;

Após o fim da cerimônia, Rodas comentou o episódio: "Demonstrar aquilo que pensa é da democracia, portanto, isso é algo aceitável. O que não é aceitável é a paralisação. Entretanto, é importante verificar se são alunos da USP, quantos são e compará-los com os 80 mil que estão na universidade. O que temos visto ultimamente é pequenos grupos, que eu os respeito, mas que não têm a representatividade suf"iciente para infirmar aquilo que a grande maioria está fazendo.

Currículo

Com quatro graduações (direito, educação, letras e música) e três mestrados, Rodas é doutor e livre-docente pela USP. Foi membro da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Ele ficará no cargo de reitor pelos próximos quatro anos.

Por: Fernanda Calgaro

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